nem esse, só o primeiro
Sábado, Novembro 29, 2003 :::
QUEM INVENTOU O TRABALHO NÃO TINHA O QUE FAZER OU O TRABALHO DANIFICA O HOMEM
O que sobra de centelha humana, de criatividade possível, em ser acordado do sono às 6 da manhã, sacudidos nos ônibus suburbanos, ensurdecido pelo barulho das máquinas, sugado e vaporizado pelas tarefas sem sentido, pelos controles estatísticos, pelos prazos apertados e empurrado no fim do dia para os saguões dos terminais de ônibus (essas catedrais de partida para o inferno nos dias de semana e no fútil e falso paraíso dos fins de semana), quando a multidão comunga na fadiga e no embrutecimento.
Da aniquilação da energia na juventude, à ferida aberta da velhiçe, a vida é estilhaçada pelos golpes do trabalho forçado.
Nunca uma civilização chegou a um tal grau de desprezo pela vida.
O tripálium é um instrumento de tortura. A palavra labor significa dor. alguma leviandade existe em esquecer a origem destas palavras.
A ditadura do trabalho produtivo tem por missão enfraquecer biológicamente o maior número depessoas, castrá-las e embrutecê-las coletivamente, a fim de torná-las receptíveis às mais medíocres, às menos viris, as mais escrotas ideologias que já existiram na história da mentira.
(Raoul Vaneigen, deturnado por Ari Podredecançassoapósumdiadetrabalho Almeida)
Agora é ele falando aí gente!:
- Galerinha do mal, ontem à noite rolou mais um massíssimo ataque, mas como fui torturado pelo trabalho creio que só amanhã recuperarei a humanidade necessária pra digitar o relato. Acho que segunda eu posto. enmquanto isso: FAÇAM A REVOLUÇÃO NOSSA DE CADA DIA!
::: posted by ARI ALMEIDA at 7:28 PM
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Quinta-feira, Novembro 27, 2003 :::
UM FURO DE POST: O INESPERADO ACONTEÇE !!!! (Não falei?)
Pare, Olhe, Pense: O Inesperado Acontece
(ataque trinta e dois)
Todo ser humano tem garantido o seu direito de ir e vir. Circular livremente pela face do planeta onde vive. Nada mais básico e justo. Será que ainda existe alguém que ainda acredita que esse direito é minimamente respeitado? Nem nas cidades (Não é qualquer um que entra num shopping). E nem no campo (experimente pular a cerca da fazenda errada) e agora, com as privatizações e os pedágios, nem nos caminhos que ligam um lugar ao outro.
A alguns fins de semana atrás descemos até Matinhos pra curtir uma praia de carona com o Társis e acabamos prometendo a nós mesmos que faríamos alguma coisa por nossas estradas. O Delinqüente Pós-Romântico Sérgio Augusto, que odeia automóveis e tudo o que se relaciona a eles, era o mais exaltado.
- Reparem que não existe nenhuma poesia nas auto-estradas.
- Tem a paisagem maravilhosa. ¿ defendeu Fábio.
- Mas a paisagem já estava aqui. Essa paisagem maravilhosa que você fala foi ferida de morte por esse asfalto obsceno.
- É, mas as auto-estradas tem seu charme.
- Charme falso, o charme reside no fato de reside no viajar. Elas são apenas um meio pra se chegar em algum lugar. As pessoas não querem nada além de chegar ao fim delas, aos seus destinos.
- Tá, mas o que você quer afinal de contas.
- Sei lá, que as pessoas curtissem mais a viagem. Cara, só tem out -door e placas de sinalização! Cadê a arte? Cadê a poesia? Cadê o prazer de viver?
- Não viaja, seu monstro?
- É, esse teu papo aí não tá com nada, só reclamações e ladainhas e nenhuma solução.
Acabou que a galera acalmou os ânimos de nosso amigo artista plástico e mudou de assunto. Só que como sempre, a idéia ficou apenas adormecida, esperando o momento certo pra ressurgir das trevas de nossas mentes delinqüentes.
E renasceu através do Jean, que chegou animado depois de um dia de trabalho com sua moto.
- Tigrada! Lembram que o Sérgio queria aprontar alguma coisa nas be érres? Pois então! Meu chefe pediu pra mim fazer um orçamento pra ele colocar umas placas de indicação no sitiozinho que ele tem acho que é em Cerro Azul.
- Tá mas e daí?
- Daí que existe à venda, em forma de adesivos, aquela material que os caras fazem as placas de trânsito. Saca? Aquela parada que brilha quando as luzes dos faróis dos carros iluminam?
Não posso mentir: Todos Os Nossos Olhos Brilharam.
- E é caro?
- É! Setenta paus o metro quadrado.
- Caralho!
Porcos capitalistas, sempre dificultando nossas ações. Seria perfeito! Sabotaríamos placas de sinalização com chamadas subversivas ou quem sabe até Mensagens Discordianas. Só que nossos métodos alternativos jamais seriam suficientes pra juntar grana pra comprar uma quantidade decente desse tal material, o vinil refletivo.
Só que quando somos tomados pelo Tesão do Vandalismo não conseguimos sossegar tão facilmente. Alguma coisa tinha que ser feita. Foi colocando nosso amigo Marmita a par do problema, que a solução acabou surgindo. O cara é mesmo um Monstro Sagrado.
- Vocês poderiam fazer um disco voador pousar na BR parando o trânsito.
A frase dele saiu assim mesmo, simples assim, como se fosse a coisa mais banal desse mundo. A cara de sério que ele faz quando fala merda sempre nos levou as gargalhadas. Todo mundo riu, mas ao mesmo tempo todo mundo se ligou que se tratava de uma excelente idéia.
- Eu tenho as moral de a gente conseguir todo o material pra fazermos o disco voador mais do outro mundo que já pousou nesse mundo.
- Não tenho dúvidas a isso.
- Então? Vamos mexer nossas bundas magras!
Foi unânime a decisão de concretizarmos essa idéia. Cada um tratou de dar os seus pitacos. Vinícius, que no fundo sempre foi o mais misericordioso e preocupado com o efeito a terceiros dentre nós, propôs que colocássemos alguma sinalização na pista pra evitar que algum descuidado se acidentasse num choque com o estranho OVNI. Sérgio fez questão de fazer umas colagens loucas nas placas próximas ao local do ¿pouso¿. Descolou uns trocos vendendo cartões e comprou vinil adesivo normal pra fazer suas artes.
- Confiem em mim, vai ficar massa.
- Não tenho dúvidas quanto a isso, só espero que não se amarre muito e ferre com tudo.
- E nem se cague nas calças.
Eu, Jean, & Fábio nos ocupamos em ajudar o Marmita a montar a aeronave. Jean nos convenceu de cara a descartar a idéia de disco, de coisa redonda.
- Vamos inovar. Vamos fazer algo realmente estranho.
- Fora dos padrões?
- Claro! Algo verdadeiramente de outro mundo.
Bom, tendo em vista a catapulta que o Marmita construiu pra jogarmos bosta nos carros novinhos da Renault, eu pessoalmente já sabia que o resultado seria uma geringonça absurdamente anormal. Montamos a ¿coisa¿ no Porão do Boqueirão mesmo. A cada dia Marmita descia do biarticulado, aquela estranha serpente vermelha, carregando toneladas de tralhas esquisitas. Apenas ajudávamos alcançando as coisas ou dando palpites, ele mesmo se encarregou de enroscar os parafusos e ligar os fios que iluminariam o Carango Intergaláctico.
O cara trabalhou obstinadamente durante exatas oito noites. Quando falo obstinadamente, falo sério. Teve noites que bodiamos todos e ele seguiu na labuta, mergulhado de corpo e alma em sua obra. Nem Sérgio eu vi trabalhar desse jeito em seus quadros.
Quando o troço tava quase pronto começamos a ficar de cara.
- O que será que as pessoas vão fazer com isso?
- Chamarão a policia rodoviária? Chamarão a imprensa? O Padre Quevedo?
Então uma luz se acendeu em nossas cabeças de bagre e começam a bolar e montar objetos, esculturas e outras coisas que as pessoas pudessem levar pra suas casas quando parassem pra olhar o troço.
Saiu tudo quanto é tipo de bizarrice possível e imaginável. Estranhos bonecos.
Vinícius se alugou de montar réplicas de miniaturas de OVNI.
Jean deu uma fugida do trampo com sua moto e junto com Fábio saiu estrada a fora definir onde seria a aterrissagem. Quando Marmita concluiu sua obra máxima passamos a queimar nossos neurônios pra resolver o óbvio dos óbvios: Como carregar aquele baita trambolho até o local do crime?
Nem nós, nem Marmita tínhamos pensado nisso. Durante três noites ficamos para aquela coisa monstruosa que ocupava mais da metade do porão sem saber o que fazer. Foi no Sábado passado, na manhã do dia que seria feito o ataque, que Marmita apareceu pilotando o caminhãozinho de um conhecido.
- Galera! Pra todos os efeitos vocês estão de mudança.
Tivemos que dar quinhentas explicações aos sempre presentes curiosos na hora de carregar nosso amado artefato alienígena.
- É uma feira de ciências minha senhora, essa parada aqui é pra destilar água poluída.
Sábado de madrugada partimos em missão secreta. Andamos uma porrada de quilômetros até Marmita encostar e estacionar no ponto X. Estávamos cabreiros. Não sei se por causa do constante risco de sermos pegos ou de termos que fazer uma puta força pra descarregar aquela porra. E foi foda. Cada um reviu sua tarefa, acertamos os relógios e combinamos nos encontrar num ponto próximo ao caminhão.
Sérgio tratou logo de sumir pra fazer suas colagens nas placas. Eu dividiria com Vinicius a bronca de esticarmos as faixas. Cada um com a sua a um quilômetro do ponto X, teriam que estar as duas prontinhas para serem esticadas simultaneamente, na hora em que começássemos a aterrissagem.
Quando me separei dos piás o clima era de tensão, pelo menos eu estava tenso. Ficariam só os três: Marmita, Jean & Fabio pra em dois minutos montar tudo e ¿fazer o contato¿, um pepino do cacete. Mas Marmita estava seguro de si.
- Relaxa Ari, é rapidinho de montar e não tem erro. Basta cada um fazer sua parte no tempo certo e na hora certa.
Saí andando no escuro da estrada assumidamente cagado de medo. Casa carro que passava eu imaginava que soubessem de nossos planos e tivessem armando uma cilada. Exatamente a uma e meia da manhã eu teria que esticar a faixa, em dois minutos. Primeiro amarrei a cordinha numa árvore do lado esquerdo da estrada. Então deixei a faixa esticada no chão fui soltando a corta até a árvore do outro lado. Daí seria só passar a corda por cima de outra árvore e esticar. Esse só esticar é que eu teria que fazer em 30 segundos.
Eu e Vinicius estávamos munidos de lanternas pra avisar em sinal de perigo, tipo algum carro se aproximando. Baseávamos no cálculo estatístico que tínhamos feito. Teríamos em média um minuto, um minut e meio pra fazer tudo. Mais que isso era contar demais com a sorte. Quando chegou a hora constatei que era bem pior do que imaginara. A corda pesou pra caraaaalho. Minhas mãos suavam. Meu coração disparava. E quando tava dando o último puxão pra dar o nó vi a lanterna do Vini piscando desesperadamente. A única coisa que consegui pensar na hora foi: putz, FODEO.
Dei o nó mais tosco e rápido da minha vida e voei de cima da árvore. Não tinha como, não dava tempo dos piás terem montado. Pelos meus cálculos não tinha dado nem um minuto. Corri de um jeito que eu acho que se gritasse o som ficaria pra trás. Era uma reta longa e logo vi que a luz no fim do túnel era uma jamanta no sentido contrário. Nada mais óbvio, como eu não previra antes? Corri demais, corri até topar com o inesperado. As luzes vermelhas da nave piscando fortemente. Quando cheguei perto e saí da estrada pra correr no mato ainda pude ver ¿a coisa¿ com suas luzes absurdas numa gambiarra cósmica, existem Punks nas Plêiades.
Quando vi que a coisa tava encaminhada tratei de correr pro ponto de encontro. Acabou que acabei dando uma de manézão apavorado. A piazada tava lá, dando risada porque já tinham parado dois carros. Os caras desciam do carro meio cabreiros pra olhar.
Então viam o cartaz grande colado no ¿troço¿:
Putz! Não sakamuz o ky sygnyfyka pedágyus y não temuz eçys taiz dynheyrus, deyxamuz então nossu kavalu aquy y seguymus a pé
No chão um monte de papéizinhos com essa frases e tentativas de réplicas da nave em miniatura. Entramos no caminhão e fomos pra fila do engarrafamento. Fiquei com Marmita, estava acabado pela adrenalina, enquanto os piás correram pra tentar ver o fenômeno. O caminhoneiro jogou tudo, com ajuda de mais cinco cidadãos, pra cima da carroceria. Depois o resto das pessoas pegou as coisas pequenas. Não eram muitas, mas suficientes. Foi massa, quando os piás chegaram lá não tinha mais nada e o trânsito já estava pacificamente voltando ao normal. Nada como o prazer das coisas suficientes.
Massa mesmo, quando eles chegaram com as notícias sorri feliz. Foi um ataque estranho. Desta vez não gargalhamos, apenas sorrimos. Felizes e satisfeitos.
::: posted by ARI ALMEIDA at 9:04 AM
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Terça-feira, Novembro 25, 2003 :::
A HOMENAGEM DOS DELINQUENTES A ESSE VÂNDALO LOUCO CHAMADO JUBYLEU

::: posted by ARI ALMEIDA at 1:05 PM
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Domingo, Novembro 23, 2003 :::
Com quatro dias de atraso, aqui está o ataque que rolou na quarta-feira à noite. E dá-lhe cachorrada!!!
Cachorrada Doentia Delinquente
(ataque trinta e um)
Além do clima, que se comporta como uma mulher de fases, o pobre curitibano ainda tem que conviver com cocôs de cãozinhos de dondocas nas solas de seus sapatos. Sei que isso é uma reclamação pequena, banal, estúpida. Seria, se em Curitiba não existissem mais hoteizinhos e creches para cachorros do que pra crianças.
Nessa semana fui dar uma banda na baia de um amigo meu e o pau no cú se atrasou umas duas horas. Tive que dar um tempo na frente do prédio dele sentado bem na frente da vitrine de um desses estabelecimentos para cães de madames. É incrível como a cachorrada se arrega em termos de Apetrechos, Enfeites & Acessórios. Os viadinhos passam bem. É caminha, é roupinha, é escovinha, é xampuzinho, é coisa que não acaba mais. Fora os Rangos, as Atenções & os Carinhos. Só que em termos de filhadaputiçe o inesperado sempre se supera.
Lá estava eu, fumando meu cigarro e pensando na moral daquela cachorrada quando passou uma catadora de papelão. Junto a ela, uma menina de uns quatro anos carregando um bebê no colo e correndo para acompanhar o passo rápido da mãe. Fiquei olhando aquelas três criaturas até ver mais. Por último, carregando um carrinho de bebê só com as duas rodas de trás, uma outra menina, menor que a que estava correndo.
Aquilo me deixou puto. Quando olhei de novo pra vitrine do pet shop a vontade que eu tinha era despedaçar aquele vidro com um chute e tacar fogo em tudo. Tive que sair dali e andar um pouco pela quadra e acender mais um cigarro. Aquilo me deixou muito puto mesmo.
Nessa época estávamos nos mudando da kit pro porão e quando cheguei lá na noite a piazada estava toda envolta as caixas de papelão e sacolas de supermercado.
- Galera, temos que fazer alguma coisa com essas veterinárias de burguês.
- Qualé Ari? Levou um fora de uma cadela?
- A cachorrinha não tinha telefone?
No meio da mudança ninguém levou a coisa muito a sério, mas a parada ficou pendente, incubando em nossas mentes delinqüentes. Foi Fábio conversando depois com Milene sobre os poodles da madame do mal que o assunto voltou a tona.
- E não é que você tem razão Ari, quando critica os cachorros das madames.
- Num falei? Mas porque isso agora?
- A Milene falou que a patroa dela uma vez deixou aquela duplinha por duas noites num desses hotéis pra cachorros, pra poder viajar pro interior.
Começamos então a pensar em algo pra sacanear esses filhos de uma égua que lucram em cima dos burgueses esnobes. As idéias vieram facilmente. Foda foi convencer a galera a não fazer nem um mal com os pobres dos bichinhos que, no final das contas não tem culpa de nada.
Durante a semana Fàbio estava disposto a andar. Estava pensativo, apaixonado e queria andar. Estava vasculhando cursos de inglês e encaixou na agenda vasculhar pet shops. É fácil viajar, planejar e rir com as idéias, executar a invasão são outros quinhentos. E uma loja fresca de animais é mais complicado ainda. O principal item a se considerar é o alarme. E eu te digo: com toda essa onda de violência ainda tem otimista (ou pão duro, vai saber) que não instala alarme.
Fábio identificou os alvos. Depois foi só levantar a ficha da vitima. Milene, acostumada com as frescuras de sua patroa com seus poodles, foi a tarde com eles e Fábio conhecer as instalações. A exemplo da invasão da mansão da madame do mal, Fábio cuidou de todos os detalhes da invasão.
Como prova de sua generosidade deixou a nós a tarefa de decidirmos que diabos faríamos lá dentro quando conseguíssemos entrar. Foi divertido pra caralho imaginar as coisas que podíamos aprontar com aqueles coitadinhos daqueles cãezinhos. Um festival de Humor Negro & Sadismo Inconseqüente. Foi onda.
Acabou que fizemos um troço democrático. Isso pra ser bonzinho nas críticas ao nosso plano, porque na verdade o que fizemos foi um Frakeinstein, horroroso, com pedaços de idéias de todo mundo. O lachante pra eles cagarem adoidados é básico, mas os requintes de crueldade foram acrescentados pelo Velho & Bom Anarki3a das boas idéias.
Saca só como o cara não pensa:
Mandar correspondências para os clientes com insinuações de zoofilia e informando que molestar os animais os deixa com diarréia. Vinícius sugeriu protestarmos contra a desigualdade social canina levando cães sem teto e deixando-os lá, passando a noite com seus semelhantes afortunados e Jean conseguiu tintas poderosíssimas pra misturarmos com os xampús e os ¿cremes pra pelos oleosos¿¿ dos au-aus mauricinhos.
Organizar tudo isso em termos de um plano concreto e realizável foi uma dura tarefa. Vinícius, responsável pela idéia de gerico dos cães, vasculhou meio Boqueirão atrás dos sem-teto e descolou dois exemplares. Jean conseguiu a tinta façinho enquanto eu e Sérgio nos encarregávamos das correspondências e informes de zoofilia.
Depois de muita insistência consegui convencer o Sérgio a fazer a coisa certa. Ficou de segunda até quarta, todas as tardes, de butuca seguindo os clientes pra ver onde moravam. Os nomes não deu pra descobrir, teria que ser uma correspondência impessoal.
Bolamos tipo que um jornal de bairro, uma associação nova formada por pessoas que apreciam ter animais de estimação. O tema da edição era maltrato aos animais. Milene cedeu gentilmente uma foto de sua mãe para escanearmos e ilustrarmos uma entrevista contendo uma denúncia. Seu cachorro havia sido estuprado na pet shop que atacaríamos. Depoimentos de cientistas explicavam que os cães costumavam ser atacados por diarréias agudas após serem violentados sexualmente.
Sérgio seguiu e a notou o endereço de cinco clientes. Louco de bom, cinco clientes indignados ou no mínimo sem entender o que está acontecendo já tá mais do que suficiente. Agora Vinicius levar os cãezinhos sem teto na noite da ação é que foi elas. Fabio dava pulos de dois metros de altura de tão indignado.
- Porque é que vocês não me avisaram dessa cagalhoniçe antes?
- Pensei que o Vini tivesse avisado. Você não falou nada seu animal?
- Pensei que ele soubesse...
Tentamos de tudo quanto é jeito levá-los no ônibus, por baixo de nossas jaquetas, mas não rolou. Ou eles latia ou eles se mexiam e o cobrador acabou mandando nós descermos. Tivemos que ligar a cobrar pro nosso amigo Társis que foi nos buscar e nos deixar nas proximidades do local da ação.
O plano do Fábio não era nada fácil. O cara estava coberto de razão em reclamar dos cachorrinhos. Era semelhante à vez em que fomos enfeitiçar a imobiliária, teríamos que pular muros e andar em terrenos inexplorados. Como fazer isso carregando dois cães que podem se desatar a latir a qualquer momento?
Dessa vez não houve coleguismo, Fábio deu um esporro e Vinicius teve que carregar sozinho os dois pestinhas. Fabio tinha sido perfeito em sua rota de invasão, tinha vários muros emendados uns nos outros e só teríamos que descer deles uma única vez, perfeito.
Perfeito não fossem os cães sem teto.
Equilibrar os bichinhos em cima do muro e mantê-los quietos era uma missão quase impossível. Pelo menos teve a manha de levar uns pedaços de salsicha pra eles ficarem lambendo. A merda é que a parada só funcionou com o menor, o maior começou a latir quando sentiu cheiro de comida. Tive que voltar com ele e deixá-lo de fora da missão. Ficou com Jean que estava de sentinela na frente da loja por causa de sua clavícula quebrada no último ataque. Fabio queria surrar o Vini.
- Vini, você fica aqui esperando com o cachorro e quando tivermos com tudo pronto aí a gente te chama e tu solta ele lá dentro.
Nos equilibramos por sobre o muro e andamos uns vinte metros até pularmos no quintal do que parecia ser um cartório ou alguma secretaria da prefeitura. O cagaço foi grande, pois Fabio não tinha checado esse detalhe e era bem provável que aquela porra tivesse vigia noturno. Quando caímos no chão ficamos uns cinco minutos com o coração disparado, suando frio e esperando o pior a qualquer momento. Como temos mais sorte que juízo não apareceu ninguém.
Todas as portas e janelas da loja tinham grades que impossibilitavam a invasão por ali, mas facilitava a escalada do telhado. Eram telhas de barro, fáceis de desencaixar. Tiramos oito telhas e Fabio pulou sobre o sótão. Péssima idéia, o animal não tinha se ligado que o forro era de madeira podre, rachou e ele quase despencou lá de cima. A cachorrada que tava hospedada se desatou a latir. Um barulho infernal. Por Éris! Teríamos que ser rápidos e rasteiros. Uma prova de fogo do nosso profissionalismo vandalístico.
- Caralho! Vamos rápido!!
Fábio bum bum bum, correu em direção ao tampão, abriu e pulou pra baixo.
- Rápido Ari! Joga a mochila com as tralhas!
O nervosismo se abateu sobre todos. Sergio se cagou todo nas calças. Isso não é uma metáfora, o cara se cagou mesmo, tava com umas broncas digestivas e a merda escorreu por baixo de suas calças jeans desbotadas. Eu pessoalmente não sabia se ria da situação ou chorava por causa do fedor. Dadas as circunstâncias deixamos Fabio fazer todo o trabalho, ficamos só iluminando com a lanterna e dando palpites.
Abriu uma porrada de frascos de xampu, jogou um pouco do conteúdo no vaso do banheiro e completou com tinta. Encontrou um grampeador e o fichário com o cadastro dos clientes em em todas as fichas grampeou um papel com o seguinte texto:
Quem batalha pelos direitos dos animais deveria incluir em suas reivindicações o direito dos pobres coitados dos bichinhos de se verem livres de serem tratados como bebezinhos mimados por burgueses esnobes.
Dentro do aparelho de som colocamos um CDR com uma única música, aquela do Eduardo Duzek cujo refrão é: Troque seu cachorro! Troque seu cachorro por uma criança pobre. O clima de tensão estava chegando a níveis insuportáveis devido a barulheira do latido dos chorros que estavam lá. Não demorou muito pra Jean se indignar e começar a bater na porta da frente.
- Seus viados! Que porra de merda de puta de bosta do caralho vocês estão fazendo aí dentro? Apurem suas bixas!
Fabio bateu o martelo.
- Tá beleza! Ari, traz o cachorro do Vini.
Saltei apressadamente no telhado e berrei pro Vinicius trazer o cachorro logo. Nessa correria o bichinho se assustou e começou a latir e tentar me morder. Ainda bem que era um filhote, mas mesmo assim me arranhou todo. Alcancei o Totó, e junto com Sérgio Cagado puxamos Fabio de volta pro sótão. As possibilidades de alguém ter ouvido a barulheira e acionado a polícia eram grandes e por isso nem tapamos as telhas. Que se fodam, eles notariam o forro quebrado mesmo.
Nos encontramos do lado de fora e fomos entregar as ¿correspondências¿ no estilo daquele carteiro do comercial do Sedex que alcança um maratonista em plena corrida. Corríamos feito uns doidos ensandecidos. Só não estávamos sendo mais rápidos por causa do Jean e do Vini, que se mijavam de rir do Sergio Cagado e do próprio, que nos deu o prazer de descobrir como é engraçado o jeito de uma pessoa cagada correr, de pernas abertas e todo duro. Fora o cachorrinho que tinha ficado de fora da operação e que latia no colo do Vinicius, acho que latia pra rir com a gente.
A descarga de adrenalina foi tão grande que ao acharmos um posto de gasolina com loja de conveniência compramos dois litros daquela pinga 44 de um real, sentamos na sarjeta e bebemos até o sol raiar. No outro dia (na verdade no mesmo, mas pra mim só troca de dia quando durmo) não consegui acordar pra ir trabalhar.
Mas não dá nada. O importante é que as dondocas e seus cachorros cagadores de calçada tiveram uma lição merecida. Vingamos todos os Tênis, Sandálias & Sapatos cagados de Curitiba. Au-au-au nós somos do mal!!!!
::: posted by ARI ALMEIDA at 10:59 AM
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Quinta-feira, Novembro 20, 2003 :::
Raios triplos!
Simplesmente apaguei e não consegui acordar hoje cedo. Ontem rolou um ataque e tomamos um porre homérico na saída, bebi até o sol raiar. Hoje não estou em condições de digitar o relato, dessa vez a bichisse é minha, meu chefe não tem nada a ver com isso. O ataque dos Totós foi um sucesso e amanhã sem falta eu posto aqui o relato. Não vou me esticar senão falo besteira, ressacados são chatos.
Ari
::: posted by ARI ALMEIDA at 12:23 PM
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Terça-feira, Novembro 18, 2003 :::
E agora, com EXCLUSIVIDADE para este blógui, o relato do ataque que os Delinquentes empreenderam no domingo à noite em Curitiba!!!
Poluição Visual? Desejos Pré-Fabricados? Só Jesus Salva!
(ataque trinta)
Nosso novo porão é massa. Pela primeira vez desde que existimos nesse planetinha véio ordinário de bosta que só é azul pra quem vê de fora, estando morando todos juntos. Só que nem tudo é perfeito. No outro lado da avenida tem uns quatro ou cinco out-doors emporcalhando a visão.
Uma puta sacanagem. Ainda mais tratando-se de nós, pela primeira vez reunidos, quase que uma provocação. Terminamos de transferir todas as nossas tralhas na sexta-feira à noite e essa porra de publicidade acabou sendo o assunto da vez. Fábio era o mais indignado.
- Esses filhos da puta se acham na moral de dizer quais são nossos verdadeiros desejos.
- Podes crer.
Gargalhadas. Todos caíram na gargalhada com o tom messiânico do sujeito. Um monstro. Um orador em praça pública, seduzindo milhares de almas com sua retórica hipnótica.
- Só que eles não estão sozinhos nessa.
- Óh! Existe uma conspiração por trás.
- Os Iluminatti devem estar envolvidos.
- Calem a boca seus paunocús! Sou eu, é você Vini, somos nós!
Nessa hora a galera baixou a bola. Só que numa pose de respeito tão caricatural que foi incontrolável, as gargalhadas voltaram. Nunca se leve a sério de mais.
- Cara, saca que na maior parte das vezes somos nós mesmos que matamos nossos desejos.
- Assassino! Assassino!
- Acabamos deixando de fazer as coisas por um medo ou uma vergonha que no fundo não sentimos, mas achamos obrigação senti-los.
Palmas. Desta vez não foram gargalhadas, desta vez foram palmas mesmo, Fábio foi ovacionado.
- Claro que tem gente querendo se aproveitar dessa fraqueza. Gente oferecendo desejos prontinhos, custam alguns trocados, mas estão lá, prontos pro consumo.
Jean foi o único que não ficou o tempo todo junto, viajando no discurso de Fábio. Ficou quieto, na dele, olhando os out-doors. Quando sentou com agente estava sorridente .
- Acho já que sei o que fazer pra aliviar nem que seja um pouco essa raiva de Fábio.
- Ih! Lá vem...
- Vamos sacanear esses especialistas em desejo tirando onda deles.
- Como assim?
- Sabe o que eu pensei? A gente bola um personagem. Tipo cartum mesmo. Desenha numa cartolina ou papel grande, recorta e cola nos out-doors. Minha idéia era que esse personagem ficasse o tempo todo expondo o lado ridículo e grotesco dos anúncios.
- Pode crer véio! Não é uma má idéia...
- Em cima dos bonequinhos colocamos balões com frases tirando onda da parada.
Uma tentação e tanto e depois de uma semana parados não conseguimos resistir a ela. Sérgio que tem as manhas pra essas coisas de recortes saiu atrás dos papeis e do resto dos materiais enquanto ficamos ajeitando o resto das coisas. Foi o animal do Vinícius, que não pensa, que teve a idéia de dar o nome de Jesus pro nosso personagem gozador de propagandas.
- Eu sou Jesus e te digo uma coisa: você é mané a ponto de acreditar que isso vale a pena?
Foi massa. Curtimos pra caralho. Bolamos um racunho de nosso Jesus, nada daquela imagem padrão de barba grande, cabelo longo, vestido e sandálias de couro. Nosso Jesus era um baixinho e gordinho escroto, personagem típico de botecos da periferia. Damos altas gargalhadas imaginando as palhaçadas que nosso Jesus aprontaria. Quando Sérgio chegou com o material já estávamos com as idéias plenamente definidas.
Na tardinha de sábado Fábio & Jean saíram pra analisar os alvos e bolar as rotas de fuga pra no caso de dar alguma merda. Demoraram pra caralho e voltaram mudando todos os planos originais.
- Cara, aqui na frente não vai dar. Aqui na frente vai ser muito bandeira.
- E a escada? Como é que vamos carregar a escada num lugar muito movimentado?
Estávamos todos no tesão de fazer a coisa no sábado mesmo, só que não teve jeito. Tentamos localizar o Marmita, mas o cara tava acampado no Marumbi. Fábio teve que ir até Colombo batalhar uma escada dessas que se desmonta enquanto nosostros fomos definir novos alvos, que se adequassem aos nossos desenhos.
Não foi mole. Tivemos que fazer um mapa complicado, teríamos que andar um monte. Só que tudo meticulosamente planejado, com tudo pra dar certo. Nossa auto-confiança se baseava no fato de que estaríamos com tudo pronto, desenho recortado, cola esparramada, e que seria só fixar e pronto. Missão comprida.
Só que na hora a parada não foi tão simples assim. No fim da terde de domingo o tempo fechou e uma enxurrada se abateu sobre Curitiba. E a chuva não tinha pinta de passar tão cedo. Ainda por cima mais uma vez cometemos um erro de principiantes. Até quando seremos cabaços? Analisamos as rotas de fuga e não sei que lás e ignoramos por completo a escada e o plano de abordagem. Durou muito mais do que imaginávamos. Tínhamos calculado uns 30 segundos. 30 segundos o caralho!
Chegar, armar a escada no lugar certo, subir sem dobrar o papel ou rasgar por causa da chuva e ainda colar no lugar adequado sem enrugar nem nada é uma tarefa muito foda. Pra cola pegar tivemos que antes dar uma enxugada meia boca no local da colagem e depois ainda segurar pressionando o papel por um certo tempo. A coisa toda durou quase dez minutos, uma eternidade perto dos 30 segundos que tínhamos imaginado.
Foi um negócio agonizante. Vinícius foi o primeiro a fazer a colagem. Eu & Jean ficamos segurando a escada e mandando apurar enquanto Fábio & Sérgio eram os sentinelas.
Era a propaganda de uma oferta de carro por trinta e poucos mil reais. No desenho que colamos Jesus segurava a barriga com uma mão e com a outra apontava sorridente para o carro:
- É fácil comprá-lo! Basta ficar trinta anos sem comer. Alguns mestres iogues dizem que o sol e o ar bastam pra se manter vivos!
Mais abaixo um outro balãozinho.
- E lembre-se! Eu sou Jesus e Jesus saca as coisas!
Quando Vini acabou estávamos com a nossa paciência esgotada e muito nervosos, aquilo era pra ser rápido e fácil. Nossa auto-confiança foi parar na puta que o pariu. Saímos correndo dali, nem conferimos com calma o resultado da colagem.
O segundo alvo ficava um pouco longe e tivemos que andar um monte. Tratava-se de um anúncio de uma nova escola de negócios, famosa na Europa e que agora esta se instalando em Curitiba. Na foto um casal de jovens empresários em pose de bem sucedidos. Ridículos os coitados.
Foi Jean quem subiu pra colar Jesus.
- Nada é tão ruim que não possa ficar pior. Agora os gringos vão ensinar seu chefe a ser um mala, explorador e folho da mãe de uma maneira que você nem sonhava ser possível!
Mais abaixo o mesmo balão de antes
- Jesus saca das coisas, meu filho!
Jean fez tudo certinho em seis minutos e meio. Apesar dos protestos de Fábio, foi eleito automaticamente ¿O Colador de Jesus Cristos¿ oficial. O próximo out-door era próximo, hehe, porém visível e perigoso. E também o mais odioso. Aquele da Master Card convidando todos a ficarem ou serem sossegados. De longe o mais falso.
Esse eu aguardei com expectativa pra ver como ficava. Esse eu quis curtir o resultado. E nesse Jean decidiu dispensar a escada. Maldita idéia. Mais segura, mas repito: Maldita idéia! Tivemos que escalar a parte de trás do painel pra segurar suas pernas sem enxergar bosta nem uma do que ele tava fazendo.
- E ai véio tá pronto?
- Relaxa tá quase.
- Apura sua bixa! Cê pensa que é leve?
- Agüentem aí suas putinhas, tá ficando massa.
- Anda logo com isso se não eu solto!
- Solta nada, você me ama.
Tenho certeza que ele demorou de sacanagem. Jean nunca desperdiça uma chance de sacanear alguém. Deve ter demorado uns quinze minutos.
Mas tenho que admitir que ele tinha razão: Ficou massa. Jesus se passou nessa.
- Você tem todos os motivos do mundo pra ficar sossegado, afinal sou Jesus e sua mulher me ama.
Sei que é meio óbvio e até chavão, mas colocamos uns chifrinhos no cara da foto da propaganda.
- E todos os hotéis aceitam Master Card! Veja só! Uma chance a mais de você ser sorteado.
E não foi só isso.
- E veja bem: Jesus saca das coisas e agora também saca que sua mulher é muito gostosa.
Exaustos que estávamos, sentamos na calçada no outro lado da rua, Ensopados & Imprudentes, pra dar risadas do corno sossegado sorteado pelos Delinqüentes.
Tínhamos material pra sacanear mais três anúncios e agora estávamos mais sossegados. Nos sentíamos OS Vândalos Palhaços. Nos sentimos os salvadores da espécie humana.
Só que a chuva aumentou pra caralho e o quarto alvo ficava numa encosta, uma filial do Rio Iguaçu se instalou na frente dele, mais ou menos onde jean botou a escada. E ele estava perigosamente Tranqüilo & Seguro.
Odeio estar certo, mas sabia que ia dar merda.
Quando Jean esticou o braço pra colar o balão com frase de Jesus o terreno onde a escada estava armada cedeu e Jean desabou desajeitadamente de uma altura de mais de quatro metros.
O cara caiu todo errado e tragédia das tragédias: Quebrou a clavícula. Ele que trabalha de moto fazendo entregas, quebrou a clavícula. Na hora não atinamos o que tinha acontecido com ele, que só gritava, e simplesmente abandonamos a escada ali mesmo e torramos nossos últimos dinheiros pra levarmos o sequelado no posto do SUS vinte e quatro horas do Boqueirão.
Foi um susto dos diabos, o maior que já levamos até agora. Mas como somos uns incuráveis, na madrugada, de volta ao porão, já estávamos rindo do ocorrido.
A TIM Celulares safou-se dessa, deixamos sua sacanagem pela metade. No out-door premiado ficou apenas a imagem de nosso Jesus baixinho, barrigudinho & careca, com cara de safado.
- Nunca esqueça! Jesus voltou e Jesus saca as coisas!
::: posted by ARI ALMEIDA at 9:52 AM
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Segunda-feira, Novembro 17, 2003 :::
VANDALIZANDO NA CHUVA
(I´m delinquind in the rain)
Apesar da chuva dos diabos que se abateu sobre Curitibaquistão ontem à noite, rolaram aaaaltas sabotagens. Como presente ganhei um resfriado, mas nada comparado à Caganeira alienígena da outra vez. Etou tentando diitar a narrativa, mas meu chefe tirou o dia pra me infernizar, se não der tempo de postar hoje prometo a todos qu amanhã darei um geito.
Ari
::: posted by ARI ALMEIDA at 10:12 AM
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Sexta-feira, Novembro 14, 2003 :::
nota de esclarecimento
Buenas Galera do Mal!!
É o seguinte: essa semana não rolou nenhum ataque porque estávamos envolvidos numa complicadíssima transferência de nossas Tralhas & Trastes Inútei para um novo endereço. Sim, os Delinquentes abandonarão a Sagrada Kitinete, mas não chorem, nosso novo lar muquifo lar também pode e deve ser sacralizado. Já comuniquei todos Mestres Secretos para uma bênção. Trata-se de um sensacional Porão no Boqueirão. Chega de morar no centro e pagar preços exorbitantes por um cubículo cercado por vizinhos caretas. Vamos voar pela periferia, é lá que as coisas acontecem. Tem mais pessoas vivas na periferia. Nossa nova sede tem um único ambiente com uma caralhada de metros quadrados e fica embaixo de uma loja que fecha às dezoito horas. Depois disso estamós sós. As vantagens da nova sede são inumeráveis. Pela primeira vez desde que colocamos nossos pés nesse planetinha que só é azul pra quem vê de fora, moraremos todos juntos, mas sem boiolagens, inclusive o Fabio que finalmente vai sair da baia de seus velhos, os coitados merecem uma folga.
Aquilo lá vai virar uma Central de Vandalismo & Sabotagens Diversas, uma autêntica isca de polícia e futuramente um santuário ou quem sabe a uma Igreja de Subgênios. Bom, pelo menos essa pausa nos ataques nos deu tempo pra colocarmos nossos neurônios subversivos em ação e já bolamos uns oito ou nove ataque que colocaremos em prática assim que instalarmos nossos Mijados & Cagados na nova baia.
Acho que nesse fim de semana mesmo já vai rolar ataques. Segunda -feira virei com novidades. Eu acho. Eu quero. Eu vou.
::: posted by ARI ALMEIDA at 1:20 PM
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Terça-feira, Novembro 11, 2003 :::
NO DIA EM QUE TODAS AS LEIS FORAM PROIBIDAS POR LEI SOMENTE OS FORA-DA-LEI TERÃO LEIS.
NO DIA EM QUE OS CASAMENTOS FOREM PROIBIDOS POR LEI SOMENTE OS FORA-DA-LEI TERÃO SOGRAS E CUNHADOS.
::: posted by ARI ALMEIDA at 12:24 PM
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Segunda-feira, Novembro 10, 2003 :::
Sem apresentação mesmo, aqui está o ataque que rolou sábado à tarde. Aliás, nem sei dizer se isso realmente é um ataque...
O Nonsense, Meu Nego, No Combate Ao Desemprego ou O Dia Em que Seremos Todos Inúteis
(ataque vinte e nove)
Era uma vez num programa de entrevistas... Era da Bruna Lombardi? Não lembro... O Maguila, ao ser questionado sobre o que fazia antes de lutar boxe, respondeu que trabalhava como pedreiro. Pra complementar e salientar que não tinha vergonha do seu passado, nosso herói soltou essa pérola.
- O trabalho danifica o homem.
Desde então esta frase ficou estampada na minha mente como uma Profunda Verdade Universal. O trabalho mata a criatividade humana e cria milhões de esquizofrênicos em todo o planeta. Discutíamos isso no Hospital Evangélico na noite anterior à minha alta e ao meu fatal retorno ao trabalho.
Jean discursava sobre a esquizofrenia do homem moderno.
- Saca só, você tem uma montoeira de problemas particulares. De repente você está vivendo um inferno amoroso e no trabalho tem que sorrir a todos os superiores. A gente pode estar numa pior, deprimido e desanimado pra caralho, mas sua produtividade não pode diminuir.
- Se diminuir: pé na bunda!
- Sacaram que somos obrigados a desenvolver duas personalidades?
- Só! As vezes até mais.
- E o que me deixa puto é que essa psicopatia é o padrão normal de conduta. Se um caradura invocar de não dividir sua vida em duas partes será ele o louco e o desajeitado.
Aproveitei a oportunidade pra falar de umas viagens que tive em meio a meus delírios de febre.
- Isso sem contar com falta de sentido cada vez maior nos trampos que restam.
Não sou um grande teórico, nunca freqüentei nenhma academia e a intelectualidade me dá náuseas, mas gosto de arriscar uns palpites e tentar entender, do meu jeito, como as coisas funcionam.
- O capitalismo, pra medir o valor das coisas sempre se baseou no tempo de trabalho gasto na criação das mercadorias.
- Pelas barbas de Karl Marx! A onde que você quer chegar?
- Acontece que hoje o tempo gasto e zero por conta das automatização e o valor das coisas tornou-se abstrato.
- Continue professor.
A gurizada reunida só sabe mesmo é avacalhar. Tiram onda de tudo feito uns retardados. E na hora de trocar idéias, um sempre discorda do outro, unicamente por esporte. Mas continuei, sem nem saber ao certo como expressar minha idéia.
- Só que tem uma contradição gritante nessa parada toda. A tecnologia dispensa os trabalhadores e sem compradores a máquina não roda. É preciso mercados, muitos mercados, daí privatizarem tudo. Não duvido que ainda vão inventar trabalhos sem sentido só pro capital continuar circulando e o sistema se manter.
- Ari, confesso que isso tá confuso pra caralho.
- E, você esta andando em círculos sem chegar em ponto algum, ainda bem que você não é professor de nada.
¿Felizes são aqueles que andam em círculos, pois serão conhecidos como rodas.¿
Resolvi partir direto pros finalmentes e deixar as teorias mal interpretadas e os conceitos distorcidos de lado.
- Bom galera, durante um delírio de febre vislumbrei um Movimento do Trabalho sem Sentido, alguma coisa do tipo MTS ao invés de MST.
- O que significa isso Ari?
- A gente pode plagiar as cores e a bandeira do MST pro negocio ficar ainda mais palhaço e criar mesmo o movimento.
- Mas que caralho! Que movimento?
- Por alguns trocados, oferecer vagas pra uns trampos totalmente nonsenses.
- Tá vamos virar empresários, empregadores agora...
- É Ari, o Fábio tem razão. E a grana? E o cacife?
- Calma cambada de pessimistas. Não é um mês de trabalho com carteira assinada seus tongos! São bicos. Bicos Nonsenses & Cia Ltda.
- Explica melhor, dischava, desmurruga esse bagulho.
- Por exemplo, por cinco pilas contratamos pra cavar um buraco e depois tapá-lo. E depois um outro cava e tapa mais um buraco mais lado e por ai vai.
- Que coisa mais ridícula e absurda.
Tenho que admitir que os caras não aceitaram a coisa de imediato. Literalmente trata-se de algo saído de uma mente delirante. Por fim a bizarrice da idéia acabou seduzindo o povo.
O problema eram os tais cinco pilas pra pagar os ¿salários.¿ Passou-se uma semana até que sobre a cabeça de Vinícius que aquela famosa lampadazinha acendeu-se.
- Cara! lembra as idéias daquele doido do Rogério Coaxo do blog dos delinqüentes?
- Só!
- Pois então, aplicamos aquele migue do sobrinho do interfone pra conseguirmos a bufunfa pro MTS do Ari!
O caso foi de um típico meme, pulando de cérebro em cérebro, Mutando-se & Replicando-se sem nenhuma interferência nossa. Jean & Fábio surgiram também num plano B. Circulou pela Internet a historia de um neguinho que dá curso de mendicância pregando que é possível levantar duzentos paus se escolher os lugares certos pra mendigar. Marimita irmão da Milene namorada do Fábio se escalou pra tentar cuidar de carros em estacionamento em dia de jogo no Couto Pereira.
Para a operação Interfones Vinícius voluntariou-se. É uma boa idéia, mas requer toneladas de paciência e muita dedicação. Escolheu um trecho da padre Agostinho com bastante prédios e no horário do Jornal Nacional.
Apertava o interfone e falava.
- Tia? Oi tia!
Quando não se tratava de uma mulher com um único sobrinho as pessoas ou perguntavam ¿o que?,¿ ¿como?¿ ou então desligavam o interfone. É uma idéia que requer paciência, eu falei.
Até que lá pelo milionésimo toque a Profecia de Coacho se concretiza.
- Oi ... É você Marcelo?
Com o sinal verde dado, Vinicius soltou essa que estava com o carro estragado cinco quadras a baixo e que precisava de quarenta reais emprestados.
- Eu te avisei que aquele carro ia te dar problemas e prejuízos. Sobe aí que eu te empresto, mas que isso não se repita, hein? Dê um jeito nessa cangalha veia.
- O carro ficou aberto, tenho que correr lá. Vai subir o Vinícius ai pra pegar, ok?
- Tá bom. É ate melhor. Se não eu ia ter que te dizer muitas verdades.
Deu certo. Ela caiu. Fábio & Jean ainda conseguiram vinte e cinco pilas. Marmita quebrou a cara no dia do jogo, já existe um cartel explorando os estacionamentos, não conseguiu um único centavo. No total levantamos 65 Dinheiros para estartarmos nosso MTS. Com o tempo, todos gostaram dessa coisa de brincar de vanguarda.
Nosso movimento é quase artístico. Nosso movimento é quase vanguarda. Se nada disso é verdadeiro, então beleza. Ele no mínimo é QQQ, Quase Qualquer Qoisa.
Fábio conseguiu pás, enxadas, um balde e dois cavaletes na casa de seus coroas em Colombo. A empreitada consistia em cavar um buraco, raso mesmo, pra não dar muito trabalho. Colocar a terra em cima de umas tábuas que colocaríamos sobre os cavaletes. Dar vinte e três voltas em torno do cavalete repetindo o Mantra Sagrado:
Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer.
Depois tapar o buraco, meter a mão nos cinco reais e partir para o abraço.
A definição do local da obra gerou discussões monstruosas. Sérgio & Vinícius queriam que fosse no centro, um Mega Evento. Fábio queria que fosse perto do viaduto Capanema, nas redondezas da rodoviária de Curitiba. Jean ficou do meu lado e vencemos o debate.
Continuaremos voando por toda a periferia. Ação de impacto é coisa pra rato de mídia. Estamos fora, não gostamos de aparecer na foto.
Escolhemos o bairro do Cajurú e fomos de ônibus mesmo, com a presença marrrrrcante do figuraço Marmita e com os cavaletes no corredor, dando quinhentas explicações aos curiosos que insistem em existir, graças aos céus, pois são os curiosos que garantem a evolução da espécie.
Chegando no Cajurú escolhemos o lugar mais pop das proximidades, o terreno baldio ao lado do bar do Espedito, tava escrito com¿S ¿ assim mesmo. Montamos os apetrechos e esticamos a enorme faixa que Sérgio preparou.
HÁ VAGAS. SERVICO FÁCIL. DINHEIRO À VISTA.
Três frases com três palavras magicas para para ressoarem nas mentes de Desempregados, Vagabundos & Vadios em geral, essas criaturas lindamente românticas do mundo moderno. Não demorou muito pra chamar a atenção dos pinguços do boteco. Mas não foram falar com a gente, mandaram um moleque.
Explicamos para o pirralho e ele voltou rindo sozinho para o bar. Ouvimos gargalhadas e não demorou muito pra pintar o primeiro voluntário. Bêbado e provavelmente duro.
O cara mais se escorava na pá do que cavava propriamente. Devido ao estado de bebedeira do cidadão, o que era pra ser fácil tornou-se difícil. Era tão cômico que acabou se formando uma multidão de curiosos, sempre eles ao redor. Marmita ria tanto que nem participou da ação, seutou-se um pouco distante e ficou se contorcendo.
Na hora das vinte e três voltas a risada era geral. O povo não botava fé no que estava acontecendo. Não botavam fé mesmo, mas na hora que ele tapou o buraco e pegou as cinco pratas ganhamos respeitabilidade. O negócio era sério além de palhaço.
O segundo funcionário foi o moleque mensageiro que fez tudo rapidinho e saiu feliz da vida pra torrar a grana nos caça-níqueis. Foi uma ação muito divertida e até recompensadora no sentido do reconhecimento pela população local. Não faltaram trabalhadores e todos nos trataram bem.
Os 65 dinheiros acabaram rapidinho, o sucesso da empreitada foi total. Nosso movimento é viável e digo uma coisa, do fundo de meu Coração Delinqüente: o dinheiro da mulher que caiu no Migué do Interfone foi muitíssimo bem aplicado. Bem explicadinho acho ela até sentiria orgulha. Temos outras idéias ainda para por em prática. Descobrir um formigueiro e criar o ¿Sedex 10 Para Formigas¿, pega a carga de uma delas e entrega na porta de casa, cinco pilas pelo transporte. Ou então localizar todas as bitucas de cigarro de um quarteirão e orientá-las a Meca, bitucas Muçulmanas, saca? Dez reais por isso, pois sabemos que é foda, primeiro achar todas as bitucas, depois descobrir que diabo de lado fica Meca.
Enquanto esperávamos o ônibus no ponto tivemos que responder a um batalhão de perguntas a respeito de quem éramos, o que significava aquilo tudo e onde seria nossa próxima performance.
- Somos do MTS, movimento do trabalho sem sentido e infelizmente não sabemos quando haverão novas vagas.
::: posted by ARI ALMEIDA at 10:54 AM
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Não sei quem postou o texto lá, mas a verdade é que
ESCULHAMBARAM NOSSO ATAQUE NO SITE DA MÍDIA INDEPENDENTE
No sábado rolou mais um "ataque". Muito divertido, fazia horas que não ria tanto. A hora que sobrar um tempo aqui no trampo eu digito o relato.
::: posted by ARI ALMEIDA at 9:27 AM
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Sexta-feira, Novembro 07, 2003 :::
Queridos Delinquentes, os comentários voltaram. Quer dizer, o que voltou foi o link pra comentar, porque os comentários antigos foram deletados pelos Agentes da Conspiração enquanto eu me recuperava da sabotagem biológica no Hospital. Mais uma vez os planos da Conspiração para silenciar os Delinquentes fracassaram. Não contavam com nossa astúcia.
::: posted by ARI ALMEIDA at 3:36 PM
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EXCLUSIVAMENTE NESTE BLOG, O ATAQUE DE ONTEM DOS DESLINQUENTES DE CURITIBA!!!
Com vocês, com exclusividade para este blog, digitado em tempo recorde, a narrativa do ataque de ontem. Lembre-se que o texto não foi revisado. quaisquer erros de digitação ou ortografia que forem encontrados: foda-se.
Não Contavam Com os Delinqüentes
(ataque vinte e oito)
Uma das coisas mais escrotas desse capitalismo agonizante de hoje são as fábricas montadas nos trópicos pra aproveitar a mão-de-obra barata. Não bastasse isso ainda tem a isenção de impostos e mais uma caralhada de benefícios. A podridão impera nas entranhas dessa instituição do mal. Aqui em Curitiba temos a presença maligna da Renault. Fábio conhece um cara lá em Colombo que trampa na Renault e conta historias terríveis de caras que passam o dia inteiro enroscando o mesmo parafuso, e de três ou quatro dedos por semana que abandonam as mãos de seus donos.
Uma autêntica Central de Escravidão Voluntária.
Ao invés dos caras de chicote acoitando os escravos como no século passado, temos os robôs e as centrais automatizadas impondo o ritmo da produção. Chibatadas com relho de veludo, sutilezas de uma civilização doente.
Enquanto estava me recuperando da caganeira alienígena que peguei discutimos muito no hospital sobre a merda que é o trabalho. Com a intoxicação fui automaticamente ¿obrigado¿ a não trabalhar. Quando as bactérias alienígenas abandonassem meu corpo seria um fudido, mané, cuzão e otário novamente.
O assunto da montadora acabou surgindo e o velho vício de planejar alguma ação também.
- É Ari, da pra aproveitar esse tempo amarrado nessa cama pra bolar coisas.
Começamos a pensar em algumas sacanagens que pudéssemos aprontar com aqueles franceses filhos de uma puta, files de le pute ou sei lá como é que é em Francês. Citei a idéia do Anarqu3a da catapulta de merda. Vinícius se entusiasmou no ato.
- Cara, essa idéia é muito massa! Só faltava mesmo um alvo.
- Mas que alvo? A fábrica da Renault? - Fábio estava meio desconfiado.
- Claro! Enchemos aquele estacionamento de merda!
Confesso que fiquei meio enjoado com a idéia a principio. É cair na merda na noite do banco, é comer merda na noite dos cartões, é foda mesmo, minha vida anda uma bosta ultimamente. Mas acabei concordando, o plano não era ruim. Sérgio deu uma incrementada.
- A gente manda umas mensagens pelo correio antes, alertando eles para algo, mas sem deixar claro o que é.
- Ah, mas tem que descobrir a lista com o nome dos figurões.
- Fábio! Fala com teu amigo.
- Só! Vou ver o que eu consigo...
Fábio falou com ele, mas o cara demostrou-se meio cabreiro. Tem uma porrada de carros naquele estacionamento, mas também tem uma segurança que não é tonga nem nada. O cidadão acabou nos convencendo a mudar o plano.
Discutimos muito o assunto na seqüência e chegamos à conclusão de que jogar merda diretamente na fábrica poderia ser uma literal cagada. Podiam aparecer os jornalistas e tchauzinho pra nossa invisibilidade. Optamos por um meio termo. A Autovesa de São José dos Pinhais, cidade vizinha a Curitiba. Tem uma parada igual no Barigüi, mas a de Pinhais é bem mais limpeza.
Com a garantia que não cutucaríamos a multinacional com vara curta, o amigo de Fábio acabou desenrolando os nomes pra gente. Sérgio se encarregou das mensagens.
Escreveu umas coisas assim:
¿Para Fulano De Tal, tendo em vista um alerta dado pelas pessoas, pelos bilhões de pessoas deste planeta esqueçido, mandamos esta mensagem.
De tanto cagar fora do penico o quarto pode ficar fedendo.
Ass: .........................¿
Nada de viajar um monte e mandar um monte de cartas diferentes pra um monte de gente. A mesma mensagem pra todo mundo, pra fixar bem a bagaça. Saca só, uma mensagem dessas na torre de controle e chove merda na pista mais tarde. Terrorismo painho, terrorismo mesmo.
Montar a catapulta foi um buraco muitíssimo mais em baixo. O mestre das gambiarras Jean não conseguiu pensar em nada prático. Só que o universo saca de nossa jornada pelo Reino da Mediocridade e pelo Império da Apatia e nos deu uma forçinha. Essa forçinha manifestou-se com um nome de Josimar, popular Marmita, irmão da Milene namorada do Fábio. Êita descrição comprida, sô.
O cara é uma figura. A família deles veio do interior de Minas e o cara é uma figura e não tem outro jeito de descreve-lo. Baixinho, cheio dos agás e vejam só, muito mais gambiarreiro que o Jean. Trabalha em gráficas consertando maquinas de off-set e vive socado em oficinas de automóveis ou então fazendo bicos de eletricista e outras coisas. Em resumo, um cara desenrolado em trabalhos manuais.
Na divertidíssima noite em que Milene o levou na kit apresentamos nosso problema e o cara desenrolou.
- Conheço uns dois ou três caras que tem ferro-velho e esse negócio aí, como é o nome?
- Catapulta.
- Pois então, é fácil de fazer.
Só que de mane ele só tem a cara e o jeitinho de andar.
- Agora me diz uma coisa. Pro que é que vocês querem um troço doido desses?
Não teve jeito, tivemos que contar tudo. Milene estava junto, mas não contamos que fomos nós que invadimos a casa da madame patroa dela. Deixamos a eles a facílima tarefa de ligar os pontos.
A construção de nossa Arma de Cagação em Massa finalmente saiu do papel. Cara, a aparência final do aparelho foi o troço mais Mad Max que já vi em minha vida, e funcionou espetacularmente em todos os testes.
Com tudo em cima tratamos de conseguir as fezes em questão. Na Fazenda Rio Grande de novo, dessa vez sem chuva e com experiência. Delinqüentes Veteranos, tá ligado? Marcamos a palhaçada pra uma quinta-feira à noite.
Uma noite antes do ataque fizemos uma coisa escrota. Passamos três os dias sem defecar e combinamos de evacuar coletivamente na frente da concessionária como forma de aviso, tipo jogar limpo, dar uma chance a vitima, não atirar por trás.
Marmita além de gambiarreiro é um cara de pau pragmático. Nos fez desencanar de conseguir alguém de carro pra levar a catapulta e nos convenceu a levar a lazarenta desmontada de ônibus, com tudo mocado em mochilas.
O foda foi carregar a merda. Colocamos tudo naqueles sacolões pretos de lixo com cinco camadas. Cinco sacos um dentro do outro. Foram três pacotes e apesar de nossas várias camadas, o cheiro acabou vazando. Por fora das sacolas colocamos umas das Lojas Americanas e todo mundo no latão olhava desconfiado pra gente pensando que diabos tínhamos comprado nas Lojas Americanas que fedia tanto.
Todos fazíamos caras de indiferentes, não lembro de nunca ter sido tão foda conter uma risada antes em minha vida. Era Marmita quem estava com os sacolões ao seu lado, o cara fazia caras muito engraçadas toda vez que alguém o observava de canto de olho ou então abanava o nariz. Quando descemos do ônibus ríamos feito uns doentes a ponto de se jogar no chão, tamanha a dor na barriga. Nenhum gás hilariante seria tão eficiente quanto aquele transporte de cocô num coletivo.
Demos muitas risadas com as palhaçadas do Marmita, mas quando chegamos nas proximidades do alvo o carinha ficou serio. É incrível, mas parece que tem pessoas que nasceram pra delinqüência. Marmita é um desses, se sentiu mais em casa que alguns de nós.
Entretidos com as dificuldades da montagem da catapulta acabamos ignorando por completo a análise anterior do alvo. Um erro de principiante eu sei, mas o que será de nos quando nos sentirmos maduros? Apodreceremos, provavelmente.
Tivemos que parar uma quadra antes e analisar friamente a situação. Acabou que temos mais sorte do que juízo. No outro lado da rua tinha uma casa de madeira desocupada, com muro baixo e tudo. A gurizada ficou montando o equipamento enquanto eu e Sérgio bancamos os sentinelas.
Era de madrugada, a rua estava deserta, mas se alguma alma passasse por ali e olhasse pro terreno da casa desocupada ia pensar que se tratava de alguma geringonça criada pelo Coiote para pegar o Papa Léguas.
Jean & Vinius ficavam abastecendo a catapulta com munição enquanto Marmita caprichava na pontaria, eu e os outro observávamos tudo ao lado da grade da concessionária.
Foi um espetáculo. Mais um daqueles momentos únicos nas nossas vidas, que afinal de contas por serem tantos, já nem sei dizer se são tão únicos assim. Aquela merda toda voando pelo céu e caindo em cima de todos aqueles carros novinhos e inalcansáveis foi um troço de lavar a alma. Isto não é uma metáfora: Aqueles excrementos que choveram sobre os carros é os preços que eles custam.
Milhares de coisas passaram pela minha cabeça enquanto eu assistia aquele bombardeio. As milhares de vidas perdidas em acidentes, os danos ao meio ambiente, o arruinamento estético das grandes cidades, os falsos desejos plantados pela publicidade na Imaginação Coletiva. E mais uma lista interminável de malefícios.
Vingamos tudo isso. Pode ser que poucos entendessem nossa mensagem, mas nós e esses poucos já está louco de bom. É o bastante nesta ingrata-mas-nem-tanto guerra no Reina da Mediocridade & da Apatia. Meus devaneios foram interrompidos pelas sirenes do alarme da concessionária. Ou o vigia não era um bom profissional e provavelmente merece cada centavo que ganha ou os filhos de uma égua tem alarme de invasão de pátio adaptado pra detectar fezes. Não sei, o que sei é que a porra do alarme era uma sirene ensurdecedora que deixou tos em pânico
Ignoramos todas as regras de invisibilidade e corremos todos em auxilio a Marmita e sua Maravilhosa Maquina Lançadora de Merda. O cara ainda por cima tava numa calma inexplicável.
- Calma, galera! O vigia não vai atirar e a policia não pode chegar aqui por tele-transporte.
Não damos ouvido. Abandonamos ali a munição que restava, catamos a catapulta montada mesmo em três e saímos correndo de qualquer jeito. Os delinqüentes mais desajeitados da historia da humanidade. Se o bicho-do-corre-feio aparecesse nos prenderia também.
Paramos pra descansar uns quinze quarteirões depois. Estávamos exaustos, mas nos cagávamos rindo. De nós mesmos e do naipe de nossa ação.
As Megacorporacoes Transnacionais, em sua ânsia neoliberal realmente abriram novos mercados e obtiveram alguns lucros fabulosos.
Mas cometeram um erro grave:
Não contaram com os Delinqüentes.
::: posted by ARI ALMEIDA at 9:48 AM
nem esse, só o primeiro
Quinta-feira, Novembro 06, 2003 :::
Sou o Homem da Caverna
O Delinquente Suburbano
O Mutante das Estrelas
& O Príncipe Livre
(Ari)
::: posted by ARI ALMEIDA at 12:34 PM
nem esse, só o primeiro
Quando vimos seus computadores e suas redes intrincadas pensávamos que éram deuses poderosos e indestrutíveis. Anos depois aprendemos a mecher em seus computadores e compreendemos que pra vocês, o mais importante era montar os computadores, comfigurar as redes e ganhar dinheiro.
De nossa parte, o que nos interessa é fazermos uso deles e da rede pra conseguirmos as coisas de graça e detonar suas instituições opressoras.
Apartir de agora vocês são apenas nossos montadores de computadores.
...e nossas vítimas.
(Ari Almeida)
::: posted by ARI ALMEIDA at 12:24 PM
nem esse, só o primeiro
Quarta-feira, Novembro 05, 2003 :::
EXTRA!! EXTRA!!! EXTRA!!!!
CIA, FBI, Polícia Federal & Os Agentes da Conspiração fracassam ao tentar silenciar os Delinquentes
Ari Almeida sobrevive a um ataque biológico das forças do mal e...
a delinquência continua galeraaaaaaa!!!!!
::: posted by ARI ALMEIDA at 8:43 AM