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..DELINQÜENTIOS & DELINQÜENTIAS
COM MUITO ORGULHO APRESENTO A TODOS OS LINKS DOS
PARA OS BRÓGUESGRÓGUES DOS FREQUENTADORES MAIS
ASSÍDUOS DESTE ANTRO DE VÂNDALOS:

..Se1t@ M@c@br@
..Assim Assado
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..lE fREAK zONA
..O Entorta Cano
..E AQUI OS NOVOS LINKS. SIM! ELES EXISTEM, O CAOS AVANÇA:
..Meu Blog não tem nome bacana
..EU RASGO DINHEIRO!
..wEB vANDAL
..MENINAS SUPERPODEROSAS ÓRFÃS DA DOÇINHO
..CAOS!!!!
..Se1t@ M@c@br@
..Se1t@ M@c@br@
..Se1t@ M@c@br@
..Se1t@ M@c@br@
..Cacete, acabou meu horário de almoço
..amanhã eu continuo. ..A Juventude Doente no Reino dos Blogs
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..holistic-connection
..O Hilukus desistiu dessa coisa de blog, mas o endereço ainda está lá.
..E agora o Hilukus anda escrevendo neste zine:
..banditzine
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..Front da Serra
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..Blog de uma gauchada tri gente boa
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..Feito Para Voar
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..Excelentes contos, os delinquentes curtem.
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..Esse é o blog da mente mais nonsense & delinquente das redondezas. Altos Links.
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..É a página da pirofágica, diretamente de Maceió.
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..O cara nunca entrou em contato, mas perece ser do bem. Diz aí Otacilioooo!!!
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..O que queremos, de fato,
..é que a juventude
..volte a ser perigosa

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..Se o que vc faz
..Faz impunemente
..é porque é inofensivo

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..Estamos em Território Inimigo
..E o Inimigo está em nós

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..NÃO RESPEITE NADA!!!
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..NENHUM RESPEITO POR NADA!!!!
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..TODA A PROPRIEDADE É UM ROUBO
..Roube os textos desse blog!
..Editar + Copiar
..Editat + Colar
..Mude o texto
..Assuma a autoria
..Plagie descaradamente
..Seja um ladrão e não respeite a propriedade intelectual!

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..NÃO SE LEVE A SÉRIO ..NÃO LEVE NADA MUITO A SÉRIO ..
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..Este é um território improdutivo do blog
....mas isso nai acabar!!!!!
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..OS SETE POEMAS DAS VIDRAÇAS
..(por Fabio Samwise)
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..Mortos vivos
..Nas ruas
..um belo sol Acaricia os doentes...
..Quem pode ter o tempo,
..pra viver o dia inteiro?
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..Brancura luna
..Rente ao teu corpo,
..a brancura lunar,
..ficarei por eternidades...
..até saber do gosto essencial de ti.
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..Kelper
..Kelper é uma ilha.
..As pessoas também...
..Romper essa distância,
..inaugurando-se noutro ser,
..não existem coordenadas...
..Apenas...
..beijos e palavras...
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..A geladeira
..Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes...
..mas, não saiu ninguém...
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..Paixão
..Começa com uma vontade de morder...
..e muitas vezes, termina com um tiro...
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..É isso que eu adoro na paixão!!!
..Natural Arte?!
..Não...
..eu sou mais esse teu sorriso...
..esse teu cabelo...
..na minha cara...
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..Os Moradores Estranhos
..os moradores daquele prédio...
..não olham pelas suas janelas...
..pelo menos, como deveriam...
..Risadas...
..é outra coisa também...
..Não as escuto...
..estranho...
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Visitors:
umdois
on-line ..
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...Aqui abaixo alguns trabalhos
..do Delinquente Sergio Augusto
..O e-mail do cara é Este aqui, é só clicar. ..

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..Estas telas provavelmente irão parar
..em alguma casa invadida. Quem viver verá.
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..Algum doente criou esta página
..Quer prova maior de que o caos avança? ....EU ODEIO ARI ALMEIDA!!!!
Vandalismo ou Barbárie - Distúrbio Cotidiano - Estanhos Atratores nos Caos do século XXI - A Juventude Doente mostrando a cara.  

Delinquente, Inconsequente & Demente


Arquivos da Demência Ontológica Arquivos Mande o autor ao inferno!!

nem esse, só o primeiro

Terça-feira, Abril 20, 2004 :::
 
Aqui está: a segunda parte da Mandrakíssima & Tosquíssima Trilogia Pascoalina Delinquente.
Um a Boa & Descontrutiva & Desisntrutiva leitura a todos.
Ari

Um Sexta-feira Profana, por uma Gangue Discordiana
(ataque quarenta e quatro)

Sempre odiamos dogmas, todo e qualquer dogma. Eles são a pedra no caminho que barra toda e qualquer mudança de paradigma, enfim, dogma é como câncer. E o cristianismo seqüelou um terço da humanidade por quase dois mil anos com seus dogmas odiáveis, principalmente através da Igreja Católica. Com a aproximação da páscoa, da semana senta e tal a piazada encasquetou de aprontar alguma com os católicos. E olha que temos poupado a igreja, a única vez que sacaneamos eles foi quando nos vestimos de travecos para ir a uma missa e isso já faz tempo.

Era justamente sobre dogmas e catolicismo que estávamos discutindo logo depois do ataque do coelho da páscoa na quarta-feira. Jean estava meio sem vontade.

- Sei não, cara, acho que atacar a Igreja Católica hoje em dia é como chutar um cachorro morto na calçada.
- Mas eles ainda acumulam fortunas, esquece que o Vaticano é dono de banco, imensos territórios improdutivos e universidades?
- Tá, mas acho que hoje em dia os mais sacanas são os exploradores da Máfia do Edir Macedo e assemelhados.
- Tudo bem, só que é foda desperdiçar uma chance dessas, não somos contra dogmas? Pois então, é na semana santa que os arcaicos dogmas católicos são celebrados.

A discussão já ameaçava entrar madrugada a dentro quando tocou a campainha. Era marmita com uma sacola de peixe e um garrafão do Velho & Bom & Barato & Altamente Meia Boca Vinho Campo Largo.

- Pessoal, semana santa, vamos aproveitar o lado bom das tradições católicas, trouxe cinco litros de sangue de cristo diretamente do Hemocentro Celestial, sangue tipo A positivo.
- Grande Marmitówski!!!!
- Urrúúú!! Esperamos que essa porra desse vinho ilumine nossas idéias pra bolarmos um ataque pra sexta-feira santa.
Marmita demonstrou uma cara de espanto incrível.
- O quê? Iluminar idéias? Bolar ataque? De que caralho vocês estão falando? Já não tava tudo definido?
- Definido o que seu manezÂo?
- Ué, eu pensei que a parada do churrasquinho já tava certa.
- Parada do currasquinho?

Esqueci de contar pro resto do pessoal, eu tinha apenas conversado sobre isso com o próprio Marmita depois da quarta cerveja numa lanchonete de algum japonês no centro de Curita.

- Ô seus porra! O Ari não falou nada pra vocês?
- Não, qualé a boa?
- Caaaara, não sei de vocês mas eu vou fazer a encrenca nem que seja sozinho, inclusive já preparei tudo.
- Preparou o que? Fala de uma vez!
- Vamos vender espetinhos na saída da missa na sexta-feira santa.

Tem horas que o silêncio é mais engraçado que gargalhadas. O pessoal silenciou, foi fazendo cara de deboche até todo mundo estourar em risadas histéricas.

- Não boto fé!
- Pois bote, descolei uma churrasqueira style, fiz os espetinhos com bambu, tá tudo pronto lá na geladeira da minha vó e inclusive um detalhe pra incrementar, idéia de um amigo do Ari do Blog dos Delinqüentes.
- Que idéia? Me dá medo até de perguntar.
- Um espetacular coração de boi.
- coração de Boi? Que porra você fumou antes de vir pra cá? Não vá se meter com drogas, hein piá?
- Pra chocar os puritanos, coração de boi, a gente assa, fatia ele e distribui de graça pra atrair os clientes, dá até pra dizer que é o coração de Cristo.
- Que poca vergonha, o fim do mundo deve mesmo estar próximo

Jean protestou um pouco, não parecia muito afim, só que por fim o gosto pela Delinquencia acabou prevalecendo, no outro dia de manhã estávamos todos na casa da vó do Marmita pra dar uma olhadinha no material e acertar alguns detalhes. Fábio & vinícius pareciam um tanto metódicos e preocupados com os resultados. Coisas daquela surpresa dos meninos no último ataque.

- Acho importante a gente ter um plano B. ¿ preocupou-se Vinicius.
- Com certeza, estamos fazendo as coisas muito na cagada. Numa hora dessas quebramos a cara.
- E então, o que vocês sugerem?
- Acho que devemos estar preparados pra sermos ignorados solenemente.
- Será?
- Sei não, acho melhor estarmos prevenidos. A gente pode descolar algumas pessoas pra fazer o papel de católicos indignados.
-Maaaaassa! Grande idéia, inclusive podemos bolar personagens de outras religiões e fazermos um belo Fuzuê Teatral Secreto & Esclarecedor.
- Perfeito! Vendida a idéia da ação pro senhor ali da cadeira amarela com encosto de palha!

Inevitável, convidamos a vó do Marmita, que já havia se proposto a nos ajudar e que acho que já tá mais do que na hora de apresentá-la: Dona Jurema. Cara, ela é muito gente boa e inclusive me salvou a vida outra vez me benzendo depois que peguei aquela Caganeira Alienígena. Inclusive foi ela, uma insentivadora de nossa Revolução Invisível, quem forneceu a carne e o coração.

- Muito bem meninos, o que é que vocês querem que eu faça?
- Queremos que a senhora seja uma devota católica. A senhora nos xinga, nos esculhamba, enfim, faça um escândalo grande o suficiente pra chamar a atenção do povo.
- Ôpa, falaram com a pessoa certa, escândalos é comigo mesmo.

Mais alguns telefonemas, mais alguns participantes definidos e já estávamos com tudo em cima. Tratou-se de um ataque até que simples de preparar. Difícil foi acordarmos cerdo, a tempo de pegarmos a missa na sexta-feira, tamanho foi o porre de vinho que tomamos na véspera. Puta que o pariu, nada mais foda do que uma ressaca de vinho, além de cagar preto e fedido ainda tem aqueles arrotos azedos insuportáveis. Oito da manhã estávamos todos no Terminal Centenário pra pegar o buzum Vila Camargo pra irmos até o alvo, a Paróquia São Joaquim no Cajurú.

A missa tava cheia, esperamos ela começar. Dona Jurema ainda fez a fineza de trazer sua vizinha costureira e alcoólatra pra participar juntas. A duas entraram na Igreja, se abancaram e esperaram conferindo no relógio que desse a meia hora de missa, que era o combinado. Marmita foi o assador. Conforme ele foi armando a parada e acendendo o carvão os primeiros transeuntes já começaram a olhar desconfiados. E olha que a coisa não tava muito amistosa não, as pessoas passavam fazendo cara feia e não falavam nada. Quando os curiosos não manifestam sua curiosidade é algo pra se preocupar.

Quando a carne dos espetinhos começou a cheirar os comentários começaram a aparecer. Acho que, na boa, acho que nem precisávamos trazer falsos católicos, a igreja é na periferia e o povo de lá não tem muitos pudores, é no popular mesmo.

- Que é isso moço? Que você está fazendo?
- Sabe o que é tio? Estou desempregado e tenho que me virar na informalidade. Não posso perder uma única oportunidade de levantar algum.
- Tudo bem, muito certo, é melhor do que roubar, mas precisa desrespeitar os outros?
- Desrespeitar? Que nada! A maioria das pessoas nem dá mais bola pra esse tipo de coisa hoje em dia.
- Será? Olha, eu sou envangélico, mas não gosto de provocar ninguém e quer saber? Se alguém vier aqui lhe dar uma surra não moverei uma palha pra te ajudar, por mais que você queira me convencer de que está trabalhando o que acho mesmo é que isso é uma grande molecagem.

Caraca, o troço tinha tudo pra acabar mal, o que, de nosso ponto de vista, significava acabar bem. E realmente, verdade seja dita, Marmita é um churrasqueiro de mão cheia, não era só balaca como imaginávamos, em meia hora, no prazo combinado, o coração estava pronto e sendo fatiado. Eu & Vinícius faríamos o papel de Ateus Gozadores & Arruaçeiros.

- Olha o coração de Cristo! Venham comungar com a Carne Sagrada! É de graça, presente dos céus!!
- Ôpa! Passa aí um naco dessa carne sagrada moço. ¿ exclamamos eu & Vini.
- Peguem rapazes, esse coração cura tudo, até coisas do coração, alguma paixão mal curada aí?
- Não, nenhuma, só fome mesmo.

Só que nem tudo são espinhos, primeiro apareceu um mendigo fendendo a pinga que apreciou o Coração de Cristo e também mais três moleques. Já tava uma certa multidãozinha bandeirosa na frente da churrasqueira e o Inesperado nos presenteou com sua prodigiosa capacidade mudar a direção dos ventos: a fumaça com perfume de churrasco foi em direção a entrada da Igreja. Em segundos Dona Jurema apareceu na porta, empunhando uma sombrinha e com uma cara de furiosa.

Aproximou-se em passos largos e, não sei que naipe de improviso foi esse, mas arrastava uma perna e era de uma semelhança com a velha surda daquele programa humorístico do SBT tão grande que todos que estavam sabendo da ação caíram na gargalhada.

- Do que vocês estão rindo seus moleques. Não tem vergonha na cara seus blasfemos.
- Calma minha senhora, aceita um pedaço do coração do Lazareno?
- O quê?

Bom, a coisa era de família mesmo, nem posso comentar nada, mas ela deu uma porrada com o cabo da sombrinha tão grande e realista na cabeça do Marmita que o coitado caiu de costas sobre a churrasqueira e se eu & Vini não tivéssemos os segurado acho que teria ocorrido uma tragédia. A velha deve ter ensaiado aquele golpe desde a infância marmitiana.

Nessa hora Fábio & Sergio se manifestaram, todos de preto e com Bíblias na mão e começaram a bater boca com Dona Jurema sobre os furos da Doutrina Católica, sobre a bobagem que era não comer carne na semana sangue, sobre a adoração a santos e não sei que lá. E discutiam alto. Tão alto que umas seis pessoas saíram da Igreja pra ver o que estava acontecendo. Uma mulher de uns 30 e poucos parecia a mais exaltada.

- Essa pouca vergonha não pode ficar assim, vou tomar providências.

Saiu a passos largos apertando nervosamente alguns números no seu celular. A discussão continuou e agora eram mais duas senhoras estranhas ajudando dona Jurema que, num golpe teatral de mestre, simulou passar mal e foi ajudada por nossos dois Evangélicos Delinqüentes. Ficou Eu & Vinícius ajudando na argumentação. Logo depois veio Jean com seu antigo traje de rabino xingando a todos e falando que era tudo um bando de louco. O cara tava um sarro e trazia pendurado no peito um cartaz avisando que o fim do mundo estava próximo.

- Essa discórdia toda é a maior prova do que eu digo.

Foi então que a coisa sujou. Encostou um carro da polícia. Nos olhamos todos e eu senti que Marmita tremeu na base. Nossa sorte é que vinicius é um tremendo ensaboado na hora de discutir com os Hômi. Em cinco minutos eles foram embora, definitivamente aquilo não era coisa pra polícia, não estávamos fazendo nada errado.
Só que a mulher de 30 e poucos não desistiu e loguinho acabou com nosso Teatro Profano, chamou a Guarda Municipal. Êita Balzaca esperta!

- Cadê a licença de vendedor ambulante.

Quem somos nós diante de um burocrata? Além do mais já tava na hora de parar mesmo, carregamos tudo até o ponto de ônibus e voltamos Rindo & Bebendo Vinho & Rindo & Bebendo Vinho e comentando em tom de deboche.

- Se as coisas forem como os católicos dizem que são estamos todos fudidos, o inferno vai ter que fazer novos loteamentos.


::: posted by ARI ALMEIDA at 1:42 PM


nem esse, só o primeiro

Segunda-feira, Abril 19, 2004 :::
 
Aqui está, eis que depois de muita embromação começa a sair a Trilogia Pascoalina Delinquente. Esta foi a primeira ação, de quarta-feira da semana passada. Agurdem as próximas, vcs não perdem por esperar.

Ari.

Fome Zero de Cú é Rola
(ataque quarenta e três)

O Fome Zero, que era pra ser um programa legal pra se acabar com a fome acabou sendo morto pelas garras da Demoníaca Burocracia. Nesta páscoa planejamos algumas ações, pra protestar contra o consumismo e todo aquele papo, que seria chover no molhado ficar aqui repetindo. Desde o começo de março que começamos a queimar nossos neurônios lá no moquifo dos Delinqüentes pra bolar algumas ações. Muitas e escrotas idéias acabaram surgindo, sem que nenhuma pegasse de jeito nossas mentes doentias. No fim se semana que antecedeu a semana santa ainda estávamos sem nada realmente deifinido.

No entanto os memes começaram a aparecer e mais uma vez, veio da net através de uma mail amigo, sempre eles. Cheguei na nossa meia-água entusiasmado.

- Pessoal, acho que tenho uma idéia.
- Que idéia seu doente? ¿ Jea, coçando sua barbicha de bode escrotíssima.
- Saca só, uma cara se veste de coelhinho, a gente consegue um vaso sanitário, instala a parada numa praça qualquer. Então coelhinho senta no vaso e alguém chicoteia o coitado aos berros de caga mais um ovo aí seu porra!!! Caga!!

Foi um pandemônio, os piás rolavam no chão de dar risada, Vinícius quase teve um troço.

- O cara pirou de vez, véio!!
- Fala sério Ari Dall Peyda!
- Não viagem que essa idéia tem futura!
- Futuro, só se o futuro for um sanatório pra dementes.

Foi difícl de fazer a galera levar a coisa a sério, mas com o tempo as lágrimas de riso foram sendo enxugadas e os neurônios se recompondo. Fábio foi o primeiro a dar sinais daquela lucidez delirante que nos caracteriza nos momentos que antecedem ao planejamento de um ataque.

- É Ari, acho que essa coisa de caga mais um pode ser usada pra algum protesto contra a fome.
- Isso Fábio, tipo um Fome Zero do Mundo da Imaginação.
- Fome Zero do Mundo da Imaginação??
- Isso, pode ser nessa linha, mas quem seria o cara do chicote.

Nessa hora Jean largou sua barbicha e exclamou em tom profético.

- Eu sei! A gente pode falar com a Denise!
- Denise? O que a Denise tem a ver com essas história

Denise é uma catadora de papelão que a gente levou uma vez num salão de beleza chiquio pra protestar contra as diferenças sociais. Desde aquela vez ela ficou nossa amiga e volta e meia vamos visitá-la. Sempre deixou claro que nos ajudaria numa outra ação eventual. E parecia que Jean estava com isso em mente.

- Ela tem arrego com uma galera de catadores de papelão e a gente pode fazer como se os catadores famintos tivessem seqüestrado o coelho da páscoa pra saciarem sua fome.
- Caralho, que troço massa Jean! Acho que é por aí mesmo a coisa.
- É, tipo o fome Zero não me arresorve então arresorvo eu, hehehe!

Imediatamente passamos a providenciar o material. Tentamos de tudo o quanto era jeito descolarmos um vaso sanitário na faixa, mas como nada deu certo acabamos optando pelo furto. Quase na frente de onde morávamos no boqueirão tem uma loja de materiais de construção que deixa as paradas maiores, como os vasos, no quintal. Sábado à noite fomos lá fazer a reapropriação do utensílio para um fim mais nobre do que ser cagado.

Só que foi mais foda do que pensávamos, o lugar era limpo, escuro, sem vigia e tal, só que a porra pesa pra caralho e o muro tinha um metro e meio de altura. Fomos só em três, eu o Marmita e o Jean. Eu sou sou magro pra caralho, força física não é meu forte e o Marmita é um Delinqüente de Kinder Ovo, tão baixinho que costumamos falar que ele não tem altura, tem profundidade. Resumo da ópera, deixamos cair e quebramos dois vasos antes de conseguir e ainda tivemos que sair nas carreras carregando a bagaça por causa de uma cachorrada da porra que ouviu os troços quebrando. Mas como Éris é Delinqüente foi tudo sossegado, nada de polícia nem vizinhos armados.

A vó do Marmita, quase uma Delinqüente da terceira idade, tamanha a sua admiração pelas nossas atividades subterrâneas, nos ajudou a confeccionar a fantasia e os ovos o Sérgio fez de mentirinha, com balões, papel de jornal, cola e geso. Ficaram bem legais e bem coloridos.

Pra coisa ficar ainda mais besta Fábio encasquetou de fazer uma gaiola pro coelhinho ficar aprisionado, como um seqüestrado mesmo. Marmita, o Gambiarreiro das Galáxias fez altos charchichos na gaiola pra que o coelho botasse o ovo e ele rolasse até as mãos dos catadores famintos. Ficou massa mesmo, devia patentear a birosca.

Os catadores porém, foram mais difíceis de descolar, os caras são muito pragmáticos. Pra tentar fazer uma média com o pessoal organizamos um churrasquinho no domingo na casa da Denise.

- Tá bom piá, mas o que vamos ganhar com isso?
- Ganhar com isso? Sei lá, vão se divertir um pouco.
- Divertir? Não tô achando muita graça nessa coisa toda.

A coisa só começou a melhorar depois que a pinga e a cerveja começou a fazer efeito na tigrada. Os caras ficaram mais animados e quando começamos a contar o que já tínhamos aprontado os rapazes começaram a entender a piada. Três horas da tarde o pessoal já tava mamado o suficiente pra que ponderassem uma proposta que fazia uma era que eu queria fazer a catadores de papelão: cartazes com frases provocativas em seus carrinhos. Fábio já fez isso uma vez, no dia de nossa Missa Discordiana, mas sempre achei que a coisa tinha que prosseguir. Os caras se animaram bem mais quando falei que iria pagar (é foda, o capitalismo ainda está aí e não dá prosa). Dez reais pra cada um pra deixar colocarmos as placas. Finalmente saiu acordo. A dúvida é se depois que o efeito da cachaça passasse eles não fossem mijar pra trás. Denise nos tranqüilizou.

- Podem ficar sossegados, conheço esses três, depois que dão sua palavra vão até o fim.
- Claro piazada, fiquem gelo que na quarta-feira a gente se encontra, mas e aí, se encontra onde mesmo?
- Ainda mais por déizão.

Marcamos numa praça que ficasse mais ou menos próxima de onde o pessoal deixava os papelões, faríamos à tardinha, dessa forma não tomaria muito tempo do pessoal. Juro que os caras ficaram até meio animados. As quatro da tarde eu e o Marmita começamos a montar a gaiola e os primeiros adoráveis curiosos (que seria de nós e do mundo sem eles) apareceram com suas adoráveis perguntas.

- Pra quê isso?
- Sei lá, mandaram fazer e estamos fazendo.
- Sem saber pra quê???
- Quem manda manda, quem obedece obedece, você nunca teve chefe?
- É verdade, é foda mesmo.

Sérgio seria o coelhinho e ficou de chegar com os catadores, junto com Jean, que seria o cara que narraria em off (que palhaçada!) e daria as devidas explicações aos transeuntes sobre o que diabos estava acontecendo. Nós ali, com a coisa toda montada, vaso e tudo mais e uma pequena multidão de curiosos. Pra variar demoraram pra caralho, já estávamos pensando que seria mais uma ação frustrada quando surgiu na esquina uma corroçinha com um enorme e horroroso coelhinho envolvido por caixas de papelão, latas vazias e jornais velhos. O povo logo se ligou que aquilo tenha a ver com a gaiola. Foi uma sarro a maneira com que os três catadores cataram o coelho pelas orelhas e jogaram dentro da gaiola.

- Tó seu lazarento, aqui tu vai ser mais útil pra gente!
- É verdade! ¿ falou Jean, o orador

O coelhinho passou as mãos na orelha, fingindo humilhação, baixou as calças e sentou na latrina (sim, o coelhinho estava com um ridículo bermudão listado com tirantes, um sarro). Foi só sentar que já começou a levar as chibatadas, aqueles catadores deveriam ser atores (tá certo que Jean turbinou-os com etílicos antes da ação, mas dêem-se o devido desconto) pois estavam com uma terrível expressão de brabeza no rosto.

- Caga um ovo pra gente aí seu merda!
- É isso aí, caga mesmo que o nosso estômago tá roncando.

Os poucos que estavam ali caíram na risada e o tumulto acabou atraindo mais gente. Jean aproveitou a deixa pra começar a soltar o berro. Não sei de onde ele tirou essa, mas vociferava e cuspia ao mesmo tempo, ficou um efeito estranho, alucinado.

- Se o Programa Fome Zero não fizer nada por nós, nós faremos. Não tem porque esse Coelho da Páscoa de Araque só ceder seus ovos pra lojas que o revendem muitos caro do que realmente valem. Vejam, são apenas ovos que o coelho pões na hora que bem entender.

Eu e os piás, que estávamos como espectadores, batíamos palmas a cada ovo que deslizava até as mãos dos famintos e que iam parar em sacos de estopa.

- Vamos seu inútil, caga mais um!!!

Nisso apareceram dois meninos, de uns cinco ou seis anos de idade, que pareciam bem espertos, pois chegaram perto de Jean com um papo bem conciliador.

- Tio, o coelho não tem culpa por estes caras estarem com fome.
- É, se os políticos não dão comida pras pessoas eram eles que deveriam estar apanhando.
- E tem outra, vão deixar ele preso na páscoa?
- Não que agente acredite em Coelho da Páscoa, mas é que tem criança que ainda acredita.

Os dois pirralhos eram uma matraca e pareciam que não iam parar de falar. Jean tentou contornar.

- Mas entendam, ele tem que parar com essa coisa de vender ovos, os chocolates deviam ser de graça pra todos, vocês não concordam?
- Ih, tio. O senhor é muito burro mesmo. Aqueles ovos que tem nas lojas nem é o coelhinho que bota nada, aquilo é feito em fábrica.

Nessa hora nossa falta de planejamento nos custou caro, não tínhamos nenhum plano B combinado com os catadores e um deles se indignou e deu um corridão na piazadinha com o chicote. Os meninos saíram gritando e tirando sarro dele. O cara ficou tão puto que correu acho que umas dez quadras até perder eles de vista.

Continuamos com nosso teatrinho besta por mais uns quinze minutos até que o Sagrado Deus do Inesperado nos fez mais uma visita (se esse deus não existe, que fique criado desde hoje, pois tem adoradores e todo deus adorado deve ter sua existência reconhecida). E não é que os meninos voltaram? E não voltaram sozinhos, voltaram em 8 e cercaram a gaiola. Jean se desatou a berrar.

- Parem! Parem! O que estão fazendo seus pivetes pirralhos trombadinhas do caralho???

Eu saquei a coisa na hora e fui imediatamente pedir pros catadores relaxarem e deixarem a coisa rolar. Os meninos encheram de pontapés a gaiola e salvar o coelho dos Terríveis Seqüestradores. Sergio se ligou na hora que nem que tivéssemos planejado tudo a coisa teria tido um desfecho tão glorioso. Acompanhou os meninos na fuga desesperada enquanto eu, Vini, Fabio e Marmita puxamos aplausos. Ainda tocamos fogo na gaiola e simulamos um corridão nos catadores.

Nos encontramos num boteco perto da BR e Sérgio já estava sem sua fantasia e tomando Tubaína com os dois meninos metidos. Sei que o improviso no final estragou um pouco nossa crítica ao Fome Zero e tudo mais. Mas fodam-se as críticas, a coisa teve um fim divertido e quase funcionou como um jogo situacionista: você cria as situações e numa dessas a criatividade coletiva se manifesta. O que aqueles meninos fizeram foi arte, aquela arte de verdade, devolvida à vida das pessoas.

Todo mundo se divertiu, contestamos algumas coisas e no mais, quem disse que se divertir não pode ser um fim em si mesmo?


::: posted by ARI ALMEIDA at 1:28 PM


nem esse, só o primeiro

 
"Eu sou uma Contradição com 2 pernas, 1 rola, 2 braços, 1 saco todo Enrugado & Feio com 2 bolas dentro, 1 tronco, 1 cabeça e 1 cú, sou Paradoxal & Me Divirto Pra Caralho"
Ari Almeida (que anda envolvido com seu Auto-Exame Pré Lalau)

::: posted by ARI ALMEIDA at 9:12 AM


nem esse, só o primeiro

Sábado, Abril 17, 2004 :::
 
Sei que estou devendo os relatos dos ataques da semana passada. Pra tentar compensar vou colar aqui um texto que escrevi na cagada, assim que cheguei no trampo hoje pela manhã. Gostaria muito de debater esse assunto com as mentes sujas que acessam esse blog. Please, dêem suas opiniões, façam os devidos acréscimos e apontem as prováveis falhas.

Um tiro na boca de todos com Muito Amor & Muito Carinho
Ari Almeida, Vigarista Cultural & Delinquente Juvenil.

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Anarquismo Parasitário Virótico Agudo

O Anarquismo como teoria e como prática pouco evoluiu desde a metade do século passado. Hakim Bey deu uma boa contribuição na recauchutagem com suas TAZ, mas definitivamente não é o suficiente. Precisamos agir rapidamente pra superar o capitalismo ou nosso planeta vai pras cucuias.

Como muita gente que acessa esse blog não participa de nossa Lista de Discussão vou postar aqui um novo e mandraquíssimo conceito que estamos desenvolvendo lá, trata-se de uma nova doença social que estamos querendo disseminar. Pra tira uma onda com AIDS, SARS e outras mazelas resolvemos batizar a nova epidemia como ANAPAVIRA (nomezinho escroto, ainda dá tempo pra mudá-lo, enviem sugestões) ou Anarquismo Parasitário Virótico Agudo.

Chame-o como quiser, só não tente identificá-lo como insurreição secreta, nomadismo urbano, revolta cotidiana, relaxo ou outra porra qualquer, pois rótulos são uma tática escrota do sistema para catalogar, desvendar e controlar todos os atos de resistência que se manifestam sob suas asas.

Mas vamos a ele. Todos sabem o quanto é foda se virar sem dinheiro e sem os bens materiais que a modernidade nos fez dependentes. A questão básica então é a seguinte: como fazer pra viver com pouco dinheiro (se possível sem nenhum, pois essa é a meta final) numa cidade? Ou então: como viver numa sociedade capitalista, manipulando-a e sendo o minimamente manipulado?
A idéia que estamos tentando desenvolver é justamente mamar nas tetas do sistema o máximo possível, como carrapatos que de tanto sugarem o sangue do boi fazem com que ele fique moribundo, fraco, anêmico até desabar e morrer à míngua.

Valorize sua força de trabalho, use a Internet da empresa em que trabalha, cague em horário de expediente, use a impressora de seu chefe até os limites do obsceno. Se conseguir por as mão numa máquina de xerox, xeroque tantos livros quanto conseguir. Tente bolar meios de circular pela cidade sem pagar nada (a pé, de bicicleta, carona ou sei lá o quê), descubra e divulgue lugares bons e baratos para comer, tente trabalhar o mínimo possível e obtenha cultura sem precisar pagar por ela.

Seja generoso, é muito legal dar e receber presentes. Nossa sociedade obcecada pela competitividade não só esqueceu disso como enterrou-a nas profundidades da nossa psique. Pratique a generosidade e verás como ela pode lhe trazer muita satisfação. Nunca se conseguirá superar o capitalismo enquanto ouver ganância. Combata o Demônio da Ambição que existe dentro de você: Quem disse que você precisa ser bem sucedido pra ser feliz?

Para se divertir evite sair demais, a maioria das festas são tediosas e trazem pouca diversão de verdade. Organize suas próprias festas. Faça um esforço medonho pra se cercar de verdadeiros amigos (aqueles para os quais você não precisa ter grana pra ser um a pessoa interessante). Crie brincadeiras e jogos. Acredite: o jogo é subversivo, não é à toa que ele é tão cooptado pelo sistema e tão mercantilizado. A exemplo da arte, roubaram o jogo de nós, recupere-o.

O Anarquismo Parasitário Virótico Agudo não tem pretensões de se tornar movimento coletivo organizado, a ordem está ligada diretamente ao controle e é isso que queremos evitar. Movimento coletivo talvez, mas desorganizado. O ideal seria que o Anarquismo Parasitário Virótico Agudo se tornasse um estilo de vida, uma maneira de agir que busque diariamente superar o capitalismo, ou seja, a necessidade absurda de se ter dinheiro no bolso e comprar, comprar e comprar.

Caberá a cada um inventar suas técnicas parasitas isso e transmutar e disseminar os memes pelo mundo à fora. Mas tome cuidado, não tente doutrinar ninguém, não faça a cagada de inventar novos e odiáveis dogmas. Use seu exemplo de vida como técnica de persuasão. Até porque, sair por aí pregando as benesses do anarquismo Virótico seria como pedir para polícia, seguranças, patrões, justiça e governos que se ajustem para nos controlar. (não esqueçam que muitas de nossas técnicas parasitárias são ilegais, como pirataria, fraudes e até roubos). Precisamos do segredo e devemos utilizá-lo como estratégia de combate.


::: posted by ARI ALMEIDA at 11:57 AM


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Quinta-feira, Abril 15, 2004 :::
 
UM MILÊNIO EM SETE DIAS (ou os sete dias que mudaram o meu mundo)

Suspendam as buscas pelo corpo: Ari Almeida não morreu (definitivamente o dito popular é válido, coisa ruim não morre, vaso ruim não quebra). Esses últimos dias valeram por um milênio pra mim. Na semana passada faltei dois dias no trampo pra medicar em tempo integral à Delinqüência, pois o ataque da noite de páscoa requeria um certo empenho nos preparativos. Rolaram três ataques que, a partir de agora, chamarei de Trilogia Pascoalina Delinqüente, assim que conseguir tempo, vou digita-los. Teve muita tosqueira e idéias de giríco, confesso, mas até que foram legais.

Depois da páscoa fugi de Curitiba (e do trampo, pois o feriadão tinha acabado) pra rever minha parentada, pois apesar das aparências, não nasci de chocadeira. Agora, de volta à capital cinzenta (Greytown) recebi a ótima notícia de que estou no olho da rua engrossando a fileira dos desempregados. E querem saber? Estou feliz, apartir de agora vou me dedicar a diversas fraude que garantam meu sustento, até porque o meu salário não era lá essas coisas e esse trabalho (como aliás, creio eu, qualquer trabalho) estava me sufocando. Depois de todo esse tempo na Delinqüência e de tudo que aprendi Vivendo & Fazendo, acho que nuca mais me adaptarei a um emprego. E que fique registrado aqui: digo isso com uma imeeeeeeeeensa satisafação. Acho que agora sim, estou vivo.

O mundo não acaba quando se está desempregado, se fosse assim acho que o mundo já teria acabado. Apartir de agora usarei as dicas do Eduf em seu memorável Manifesto da Miséria Sustentável e também vou ter que sentir na pele a necessidade de desenvolver melhor aquela idéia de Anarquismo Parasitário Virótico Aguda que estamos desenvolvendo na nossa Lista de Discussão. E também todo aquele bla-bla-bla do Manifesto Contra o Trabalho. Enfim, vamos ver agora como esse discurso libertário todo funciona na prática, afinal, papo libertário no dos outros é refresco, não é mesmo??

Abraços desempregados do Ari

PS.: Não vou parar de postar, vou continuar postando os ataques, respondendo aos comentários e aos e-mail, a única diferença é que não vou mais poder vadiar on line na Tag Board ali da esquerda, mas não dá nada, isso é o de menos.
PPS.: Vou morrer de saudades da impressora a laser do meu chefe.
PPPS.: Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer, mas quem inventou a demissão tem um senso de humor com uma finíssima ironia.


::: posted by ARI ALMEIDA at 1:30 PM


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Sábado, Abril 03, 2004 :::
 
Curitiba treme nas bases!!!!

Pessoal, estou feliz pra caraaalho, empolgado pra caceeete, estamos com mais dois ataques engatilhados. um ainda não sei definir direito o que é, e o outro será a Páscoa delinquentes.

Curitiba e região, prepare-se!

::: posted by ARI ALMEIDA at 9:53 AM


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Quinta-feira, Abril 01, 2004 :::
 
Aqui está, depois de um mês coçando o saco, as pulgas do Jubykão (que aliás, vai ser papai, não sei se já contei) finalmente mexemos nossas Bundas Gordas & Bundas Magras e fizemos algo. Altamente Mandrakoso, mas mesmo assim, fizemos algo. Acho que não ficaremos mais tanto tempo sem vandalizar essa porra dessa capital parananense. É isso aí, não revisei nada, qualquer erro é só mandar as ofensas pessoas para meu email (arialmeida2003@yahoo.com.br) ou pelos comentários ou então me xinguem on line mesmo, na Tag Board ali do cantinho esquerdo, também cahamada de Bar do Ari.

Um tiro na boca de todos com Muito Amor & Muito Carinho.
Ari Almeida, o Sem noção.

A Verdadeira Paixão de Cristo (é pirataria de DVDs)
(ataque quarenta e dois)

Um estranho vudú se abateu sobre nós neste estranhíssimo mês de março. Já tivemos ataques fracassados ou abortados, mas desta vez a coisa parecia bruxaria, feitiçaria das brabas. Cheguei até a supor que existisse um sapo enterrado na entrada de nosso muquifo, inclusive cheguei até a delirar em fazer uma escavação pra localizar o demônio que nos amaldiçoava. O primeiro percalço que tivemos que enfrentar nem foi tão percalço assim, trata-se de mulheres. Quem nos dera só ter percalços assim. Fábio arrumou uma namorada careta pra caralho e Jean um buguesinha da classe alta. As duas estavam querendo tirar os piás do ¿mau caminho¿. Somente depois de muita discussão, mas muita mesmo, que as meninas acabaram não aceitando, mas se conformando mesmo com os estranhos hábitos de nossos amigos Delinquentes.

Pra completar o prato idigesto que foi março, tivemos dois ataques frustrados. O primeiro era uma sacanagem que aprontaríamos com um vegetariano radical. O cara é chefe do Marmita e em dezembro viajou pra São Paulo a negócios. Na ausência do capitão, os marinheiros resolveram fazer um churrasco no sábado, depois do expediente. E não é que o chefe acabou descobrindo? Ficou tão puto que fuçou até descobrir quem tinha organizado o churras. Resumo: demitiu o cara.

Tudo bem, os argumentos dos vegetarianos são válidos. Os direitos dos animais devem até ser respeitados, mas causa nenhuma te dá direito de ser um mala. Radicalismo, intolerância e câncer são semelhantes: juramos vingança. Deste então passamos a caçar ratazanas pra soltarmos na casa do sujeito. Como ele reagiria descobrindo que sua casa estava infestada de bichos escrotos? O que ele faria? Essa era a vingança que tínhamos em mente. As dificuldades começaram já na hora de caçar as tais ratazanas. Arapucas de madeira logo de cara demontraram ser ineficazes, foi preciso que o coitado do Marmita fizesse três arapucas com armação de alumínio pra que os primeiros ratos começassem a ser capturados.

Depois tivemos que mantê-los prisioneiros dentro de nosso muquifo e a coisa não foi tão fácil como se pode imaginar. A primeira leva fugiu roendo o fundo de madeira da gaiola que tínhamos construídos. Então o feitiço virou contra o feitiçeiro, nosso doce lar foi infestado por aqueles lazarentos. E não foi só isso, os viados dos ratões roeram metade dos meus gibis do John Constantine. Algo realmente imperdoável. Por fim conseguimos dezessete animais e levamos pra casa do Vegan. A invasão foi melzinho na chupeta, pois o Marmita conseguiu cópias das chaves da casa. Só que infelizmente os ratos não permaneceram lá e quando o dono da casa retornou não notou nada de diferente. Ponto pros intolerantes radicais.

O outro ataque fracassado foi aquele que denominamos ¿Revista Veja na Inquisição¿. Esta idéia surgiu logo depois que saiu nas bancas a revista Outracoisa número dois, que contém a entrevista que cedi por e-mail. Os piás queriam me crucificar, eu tinha feito tudo sem consultá-los, não deixavam de ter razão. No entanto a discórdia negativa se abateu sobre nós. Uns não estavam nem aí, como era o caso do Vinícius e do Marmita. O Sérgio defendia a idéia de divulgarmos nossas ações, mas Jean & Fábio, os Senhores Paranóia achavam que cavei nossa própria cova. Pra exorcizarmos essa discórdia do mal resolvemos bolar um ritual de purificação contra as revistas do mal. Fazia hora que tínhamos 50 Reais obtidos de maneira ilícita que queríamos torrar em algum ato de Delinqüência Juvenil. Optamos por fazermos uma fogueira inspirada naquelas medievais que queimavam bruxas e compraríamos Revistas Veja usadas do povo pra fazermos a parada.

Montamos tudo certinho e fomos para o Bairro do Parolim celebrarmos nossa revolta. Quebramos a cara legal, não apareceu uma alma sequer disposta a fazer aquela palhaçada. Voltamos pra casa cabisbaixos, desbundados e sinceramente preocupados de que nossa era de ataques estivesse no fim. Até eu, o mais otimista do grupo, estava cabreiro de que isso pudesse ser verdade.

As coisas começaram a mudar ontem. Pela primeira vez, pelo menos pelo que me lembro, um meme pulou diretamente de um blog da Internet para a minha Mente Suja. Foi na página do Reverendo Diácono Kirk que li a seguinte frase: ¿Queria ver Jesus no Centro da Cidade dando porrada nos camelôs vendendo o DVD pirata do Paixão de Cristo, meio que repetindo a cena do mercado de Jerusalém.¿ A frase foi chupada do blog de um tal Brucutu chamado: Confissões de Uma Mente Delirante, e bota delirante nisso. O efeito foi fulminante: e se fizéssemos isso? Imediatamente peguei o telefone e contei a idéia pro Vinícius, que topou no ato.

- Claro Ari! Genial! Além de ser uma palhaçada do caralho ainda podemos explorar a questão da pirataria e tal.
- Topas então? Pra quando?
- Pra agora, pra hoje mesmo. Estou com um certo tempo livre e deixa comigo que eu mecho os pauzinhos.
- Então belê.

Não demorou muito pra que o telefone no meu trampo começasse a tocar. Primeiro foi o Jean, confirmando que participaria e depois o Társis, nosso fiel amigo auxiliar em assuntos que requerem computador e impressora dizendo que estava providenciando as capas.

- Mas como é Ari? Os DVDs vão ser de verdade? Vamos vender mesmo? Como faremos?
- que nada, véio. Não precisam ser quentes. A coisa vai ser um teatro mesmo. Se algum manezão comprar a gente corre atrás, conta tudo e devolve o dinheiro.
- Mesmo se for um empresário engravatado?
- Aí não, né seu cuzão. Aí a gente fica com a grana do otário.

Bom, uma coisa tenho certeza, foi o primeiro ataque articulado em tempo recorde, por telefone. Durante o dia e durante os telefonemas as idéias e incrementos foram surgindo. Vinícius avisou que Marília, sua namorada-quase-noiva-tanto-tempo-faz-que-namoram iria ser a Maria Madalena que acompanharia Jesus implorando pra que ele desistisse daquela vida de camelô vendedor de CD pirata.

- Ari, a coisa tá mais fácil do que eu imaginava a princípio. Tá ligado que tá acontecendo o Festival de Teatro de Curitiba? Pois então, a Marília conhece um pessoal de teatro e as fantasias necessárias estão praticamente na mão.
- Tão rápido assim?
- Claro! Com certeza faremos essa cagada hoje mesmo. Consegui até uma cruz de isopor onde pendurarei os DVDs e estou bolando uns sermões a favor da pirataria e contra as majors do mal.

Estávamos a muito tempo parados, bastou uma idéia sedutora pra que a turma toda mexesse suas respectivas bundas gordas. Foi uma mobilização relâmpago fantástica, até o mais inesperado dos inesperados aconteceu: a namorada burguesinha do Jean convidou o primo dela, recém formado em direito, pra assistir o espetáculo e dar suporte jurídico para uma eventual cagada. Coisa de mina cabreira mesmo. Até as três da tarde já estávamos com tudo definido. Eu & Sérgio seríamos vendedores de CD piratas, enquanto Jean, Fábio & Marmita seriam soldados romanos que apreenderiam o material ilícito vendido pelo camelô ¿filho do homem¿ e tudo terminaria espetacularmente. Marcamos a coisa pra tardinha de ontem, terça-feira, nas proximidades do Terminal do Guadalupe.

A agonia foi grande, meu chefe queria por que queria que eu ficasse trampando até mais tarde, não houve negociação. Tive que fazer uma coisa escrota pra caralho, patética mesmo, deixar todas as minhas coisas no trabalho e fugir pela janela do banheiro. Uma velhinha do outro lado da rua viu a cena e não conteve as gargalhadas.

- Calma tia, tô só pagando um mico por uma aposta que perdi.
- É mesmo meu filho.
- É, bem isso mesmo.
- Tadinho.

Ela ficou rindo e eu parti com um sorriso no rosto, gosto de velhinhos. Quando cheguei no Terminal a galerinha do mal já estava toda lá. Vinícius estava com Marília no banheiro dando os últimos retoques no figurino. Exatamente às dezoito e trinta surge o Messias barbudo carregando uma cruz cheia de DVDs piratas do filme A Paixão de Cristo.

- Caralho! Que que é aquilo????
- Tá parecendo mais o Antônio Conselheiro.
- E a Marília? Quem falou pra ela que Maria Madalena era hippie??

Cômico. Ainda bem que a gente estava longe pra poder rir à vontade. O Cristo estava inflamado em sua ânsia em adquirir Reais e mais Reais às custas da produção de Mel Gibsom. Maria Madalena a seu lado, insistindo pra que largasse essa vida de camelô que vende pirataria.

- Meu amor, essa porra é ilegal, temos filhos pra fazer e depois temos que criá-los. - Jesus apenas abanava a mão e gritava aos quatro ventos.
- Olha o DVD!!!! Dez reais, baratinhoooo!!!
- Jesus, seu lazarento!!! ¿ a galera começando a apavorar.
- Lazarento não, seu burro, é Nazareno!!!!

O povo, sendo que uma boa parte era da nossa turma, mas grande parte eram transeuntes, cercou o Cristo, que olhava a todos com uma expressão entre o alucinado e o possuído.

- Ouçam-me irmãos!! A publicidade como vocês conhecem hoje está com os dias contados, o futuro será negro e uma merda completa para todos vocês! A publicidade não acabará, mas sua forma irá mudar e todo o povo sentirá isso no próprio rabo. Vocês vão sentir saudades da publicidade como ela é hoje. No futura ela invadirá suas vidas por completo. Voces não conseguirão mais identificar o que é um anúncio do que é real.

- Cala boca seu pirateiro do caralho?
- Pirateiro?? Quem nunca pirateou nada aqui que jogue o primeiro CD falsificado!!!

Risos, risos e mais risos. Pelo geito o povo não muito acreditando que aquele salvador era de verdade.

- Jesus, não entendi muito bem essa coisa da publicidade.

- Nem eu meu filho, nem eu. Na verdade é essa barba. Juro que essa barba tá me impedindo de pensar. Fico coçando o tempo todo, perco a concentração e me pergunto se fico bem de barba ou não.

Nisso Cristo focalizou os olhos em dois vendedores ambulantes, eu & Fábio com nossos CDs de pagode a cinco pilas.

- O que vocês estão vendendo irmãos?
- Soweto, Os Travessos e Terra Samba, mas se você não gosta muito de pagode temos o disco daquele rapaz, Ô menina deixa disso quero te conhecer... o Felipe Dylon.
- Calem a boca seus pecadores do mal!!! Tomem estes DVDs e vendam eles. Desistam de bater de frente com as grandes gravadoras, Hollywood é o que há. Além do mais isso daí é uma bela bosta, isso sim.
- Fala sério, muito obrigado, mas preferimos estes daqui mesmo.
- O quê?!

Realmente, o barbudo ficou muito puto e com seu chicote fez picadinho dos nossos detestáveis discos de pagode. As pessoas que assistiam a cena foram à loucura, tinha gente que ria de se torcer e ter que se escorar em alguma parede pra não cair.

- Ei Jesus, pirataria não é pecado não?
- Pecado é a exploração! Você sabia que os artistas ganham menos de um Real por disco vendido? Pois é, no entanto as lojas cobram mais de vinte pilas. Sabem pra onde vai a diferença? Pra alimentar as Caldeiras do Inferno. Búúúúúhh!!! O diabo se chama Jabá e habita as rádios, os programas de auditório. Vocês que compram discos em lojas bancam o Faustão e o Gugú, sabiam disso seus manezões??
- Vai te fuder Jesus!!
- Vou não, eu procrio com o auxílio do espírito santo.

Uma senhora que passava por ali com dois filhos se idignou.

- Cale a boca seu moleque!! Você não sabe o que diz.
- Perdão pai, eu não sei o que falo. Pai (erguendo as mãos para o céu) pedoe essa mulher que sabe o que diz, que é dona da verdade, essa propriedade privada odiosa.

Quando a senhora se juntou a mais três crentes com bíblia embaixo do braço o clima pesou, as risadas diminuíram e dei o toque no celular do Társis, que estava com sua picape. Foi um sarro, o carro estacionou e desceram Marmita, Jean & Fabio com as roupas de soldado romano mais ridículas que já vi na minha vida. Dois deles jogaram a cruz na carroceria e o terceiro algemou Jesus Cristo.

- Você tem direito de permanecer calado e de um advogado.
- O que significa isso seus porcos opressores?
- Cala a boca vagabundo!

E desceram a porrada no mártir do copyleft radical. A galera viou até a picape sumir de vista. Ficamos mais um tempo por ali ouvindo os comentários. Várias pessoas criticaram a blasfêmia, várias mesmo, mas também teve quem disse que o Cristo tinha razão. Até tentaram comprar alguns discos nossos. Sei que que esse nosso Teatro Secreto não teve nada de secreto e que nossa Panfletagem Sublinar nada teve de sublimanr, mas pelo menos um de nossos conceitos foi aplicado: o dos Distúrbios Cotidianos. E foi um distúrbio da porra, ninguém esperava por aquilo. Foi quase um Flash Mob.

Que bom se todos os flash Mobs fossem assim.


::: posted by ARI ALMEIDA at 12:56 PM




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