..Seja realista: exija o impossível
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..Ofensas pessoais a Ari Almeida pelo e-mail:
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..Nele as pessoas matam trampo ou aula. Fique à vontade, véio!
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..DELINQÜENTIOS & DELINQÜENTIAS
COM MUITO ORGULHO APRESENTO A TODOS OS LINKS DOS
PARA OS BRÓGUESGRÓGUES DOS FREQUENTADORES MAIS
ASSÍDUOS DESTE ANTRO DE VÂNDALOS:

..Seita Macabra (anarkaos)
..Assim Assado (pirofágica)
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..Com vocês:
..O ESTRANHO mundoYmundo DE
..DANI.EL MACEDUSSS ..rranhyu
..ornitorrincosss
..Macedusss não existe
..derrotados pela própria fraqueza
..E esta lenda morta tmb edita ZINES
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..A JUVENTUDE DOENTE NO REINO DOS BLOGS ou
..O CAOS AVANÇA!!!!!!!!!!!!!!!
..Poesias Góticas
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..outro dia eu continuo esta lista ..
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..O que queremos, de fato,
..é que a juventude
..volte a ser perigosa

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..Se o que vc faz
..Faz impunemente
..é porque é inofensivo

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..Estamos em Território Inimigo
..E o Inimigo está em nós

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..NÃO RESPEITE NADA!!!
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..NENHUM RESPEITO POR NADA!!!!
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..TODA A PROPRIEDADE É UM ROUBO
..Roube os textos desse blog!
..Editar + Copiar
..Editat + Colar
..Mude o texto
..Assuma a autoria
..Plagie descaradamente
..Seja um ladrão e não respeite a propriedade intelectual!

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..NÃO SE LEVE A SÉRIO ..NÃO LEVE NADA MUITO A SÉRIO ..
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..Este é um território improdutivo do blog
....mas isso nai acabar!!!!!
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..OS SETE POEMAS DAS VIDRAÇAS
..(por Fabio Samwise)
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..Mortos vivos
..Nas ruas
..um belo sol Acaricia os doentes...
..Quem pode ter o tempo,
..pra viver o dia inteiro?
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..Brancura luna
..Rente ao teu corpo,
..a brancura lunar,
..ficarei por eternidades...
..até saber do gosto essencial de ti.
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..Kelper
..Kelper é uma ilha.
..As pessoas também...
..Romper essa distância,
..inaugurando-se noutro ser,
..não existem coordenadas...
..Apenas...
..beijos e palavras...
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..A geladeira
..Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes...
..mas, não saiu ninguém...
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..Paixão
..Começa com uma vontade de morder...
..e muitas vezes, termina com um tiro...
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..É isso que eu adoro na paixão!!!
..Natural Arte?!
..Não...
..eu sou mais esse teu sorriso...
..esse teu cabelo...
..na minha cara...
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..Os Moradores Estranhos
..os moradores daquele prédio...
..não olham pelas suas janelas...
..pelo menos, como deveriam...
..Risadas...
..é outra coisa também...
..Não as escuto...
..estranho...
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Visitors:
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...Aqui abaixo alguns trabalhos
..do Delinquente Sergio Augusto
..O e-mail do cara é Este aqui, é só clicar. ..

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..Estas telas provavelmente irão parar
..em alguma casa invadida. Quem viver verá.
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..Algum doente criou esta página
..Quer prova maior de que o caos avança? ....EU ODEIO ARI ALMEIDA!!!!
Vandalismo ou Barbárie - Distúrbio Cotidiano - Estanhos Atratores nos Caos do século XXI - A Juventude Doente mostrando a cara.  

Delinquente, Inconsequente & Demente


Arquivos da Demência Ontológica Arquivos Mande o autor ao inferno!!

nem esse, só o primeiro

Terça-feira, Maio 25, 2004 :::
 
De fé mesmo, AGORA PHODEO!!!

Noticiamos com pesar que nosso colega Delinquente Vinicius tomou no cú no ataque a um bingo na madrugada de ontem. Quebrou um braço, mas quebrou um braço meeeesmo: fratura exposta e talz. Mais detalhes quando eu postar o relato do ataque. Façam suas rodas de orações, entupam minha caixa de entrada com mensagens de solidariedade, façam vigília na frente do Hospital do Cajurú, mandem cartas, dinheiro, chorem, se escabelem e cometam suicídio. Tudo pela melhora de nosso querido Delinquente.

É isso, não tô muito animado, muito foda isso tudo, muito foda.

Sem mais,
Ari


::: posted by ARI ALMEIDA at 4:26 PM


nem esse, só o primeiro

Terça-feira, Maio 18, 2004 :::
 
Este post é falso.
(a realidade também é falsa)

::: posted by ARI ALMEIDA at 9:17 AM


nem esse, só o primeiro

Quinta-feira, Maio 13, 2004 :::
 
Aqui está o relato do ataque que fizemos ontem à noite no improviso. Um ataque freestyle. Não reparem se foi ml escrito, se tem erros de digitação demais ou se está meio confuso e sem noção. É que não dormi, bebi até amanhecer e estou com uma ressaca apocalíptica.

Bom, agora que postei vou me trancar no banheiro aqui do trampo e dar uma bodiadinha pra ver se melhoro. Acho que lá pelas três estarei de novo on line na TAG board (Bar do Ari) aí do lado.

Inté!!!
Ari

O Jogo Proibido Dos Novos Bárbaros (Vandalismo ou Barbárie)
(ataque quarenta e sete)

O ataque pornográfico no buzum deixou nossos cérebros em êxtase delinquente. Provamos do Néctar Supremo da Transgressão Sexual. À noite em nosso muquifo parecíamos um bando de loucos. Quase todo mundo falando ao mesmo tempo e todos querendo atenção.

- Escuta porra! Eu tô falando.
- Cala a boca! Você não ouviu o que eu falei?
- À merda você!
- Mas como eu tava te dizendo seu merda, lebra a cara daquele bebum?

Quando estamos todos nos ofendendo é porque estamos de bem, estamos em sintonia profunda. Nesses casos, apesar dos palavrões e das ofensas pessoais, estamos numa perfeita sinergia, uma inteligência coletiva altamente marginal. É nesse ambiente que o vandalismo aflora em nossas mentes. Fábio subiu em cima da mesa, virou uma garrafa de cerveja pelo gargalo, no gúti-gúti, jogou o casco contra a parede e berrou:

- Bota pra fudêêêêê!!!!!

Batemos palmas e reclamamos dos cacos de vidro no chão.

- Depois eu dou jeito, pois o que eu quero agora é quebrar tudo!!
- Então vamos fazer isso. ¿ falou vinicius, com uma calma cômica

Todos olharam para ele.

- O que vocês estão olhando? Vamos botar pra quebrar então, ué.
- Olha o tipo do cara, meu!

Levantou-se de onde estava, revirou umas caixas de papelão que estavam fechadas desde nossas mudança clandestina e voltou com nossos Antigos & Abençoados Estilingues.
- Lembram?

- Só! Mas e daí?
- Daí que vou propor realizarmos aquele Jogo Proibido Anti Automóvel que o Ari falou noutro dia.
- A parada dos semáforos?
- Graaaande guri!

Fábio tomou a iniciativa, subiu na mesa novamente e intimou a malária:
- E então, vamos ou não vamos?

Óbvio que em meio àquela histeria coletiva todo mundo topou. O jogo tratava-se de uma brincadeira, na verdade um vandalismo de protesto contra o fascismo automotivo. Delimitaríamos uma área, combinaríamos um tempo e o objetivo seria detonar com os estilingues a maior quantidade possível de semáforos.

Vandalismo por uma questão de revolta. Vandalismo por uma questão de opressão. Vandalismo por uma questão de falta de perspectivas de mudança. E de excesso de adrenalina no sangue também, admito que era o caso naquela noite.

Sérgio, que ultimamente anda todo pudorado e mais cagão ainda do que sempre foi achou a coisa toda meio vazia de sentido e maloqueira demais, sugeriu um acréscimo.

- Poderíamos colocar um pano preto sobre o semáforo atingido, simulando uma espécie de luto.
- tá, mas vamos colocar como a parada? Os semáforos costumam ser altos pra caralho.

Desta vez foi Sérgio que fuçou nas caixas de papelão, voltou com as varetas que tínhamos utilizados pra lançar um feitiço contra a imobiliária em um ataque que empreendemos a tempos atrás. A galera fez aquele silêncio típico que sucede os momentos de surpresa, como é que não tínhamos pensado nisso antes? Sérgio demora pra chutar a gol, mas quando chuta é certeiro.

Enquanto Sérgio costurava os panos pretos com sua agulha pra ficar com formato de sacos e facilitar o encaixe no semáforo fui com o Jean à casa do Társis, nosso assessor pra assuntos computadorísticos, pra imprimir uns panfletos.

- Vocês são uns loucos, mas eu imprimo sim. Só não me convidem pra participar disso.
- Fica sussa, Társis, fica sussa.

No panfletos escrevemos:
A cada semáforo quebrado
O Caos avança para o Trânsito
A cada carro no Trânsito
O Caos avança para o pedestre


Imprimimos também umas folhas A4 com estatísticas horripilantes de trânsito que conseguimos no livro Apocalipse Motorizado da Coleção Baderna pra colar nas redondezas dos alvos, sem relação nenhuma com o jogo, apenas a título de cultura.

Quando voltamos para o muquifo as regras já estavam definidas. Sinal vermelho, um ponto. Sinal amarelo, dois pontos. Sinal verde, cinco pontos (pois é o sinal que permite que os carros avancem). Semáforo com pano preto, três pontos. Semáforo sem pano preto, menos três pontos. Panfletos caídos no chão após a colocação do pano ou sem panfletos, menos três pontos. Semáforo com pano preto e com panfletos, cinco pontos. O prêmio ao vencedor? Duas semanas sem lavar a louça nem limpar o chão no muquifo. Altos prêmios se levarmos em consideração os vadios relaxados que somos.

Que o jogo deveria ser realizado na madrugada era ponto passivo, difícil foi nos manter sóbrios até lá. Vinícius & Fábio com certeza passariam as próximas semanas escovando chão, estavam bêbados feito uns gambás. Eu & Jean éramos os favoritos. Marmita estava de cama por causa de uma infecção na garganta & Sérgio era uma negação tão grande na pontaria que optou em ficar em casa dormindo.

Pegamos o buzão pro centro sem ainda termos em mente onde realizaríamos o jogo. Era uma da manhã quando escolhemos a praça X (não sou mané de assumir qual). Na hora combinamos que não existiria uma área de jogo definida, partiríamos da praça, uma pra cada direção e as quatro horas nos reuniríamos novamente. Um minuto de atraso significaria desclassificação sumária. Depois sairíamos todos juntos pra checar a pontuação. Uma e quinze o gongo soou e saímos todos nas carreira. Jean norte, eu sul, Vini leste & Fábio oeste.

O frio era intenso com grande chances de que chovesse e as ruas eram um deserto só. Não fosse eu o Delinqüente com D maiúsculo temeria ser atacado por delinqüentes com D minúsculos. Não demorei muito a localizar o primeiro alvo. O que demorei foi pra acertar a porra da pedrada. Descobri que meu pior inimigo não era nem os insones e nem a polícia, era o frio. Começou a chover e ventar e como sou magro pra cacete a ausência de gosrdura me faz vítima da menor brisa fria. E aquela chuva tava gelada pra caraaaaalho!! Tremia tanto que simplesmente não conseguia acertar a pontaria.

Levei quase meia hora pra acertar a primeira lâmpada. Porra! Caralho! Amarela, só dois pontos. Quase não fez barulho, massa! A euforia fez o frio passar um pouco e logo depois detonei a vermelha, mais um ponto. Quando comecei a mirar na verde veio um carro e tive que me mocar atrás de um muro. O carro parou, olhou o cruzamento e foi embora. Depois um casal de namorados com um guarda-chuva enorme. Quando voltei ao tiroteio estava tiritando de frio novamente e perdi a pontaria, mais meia hora pra detonar a vermelha.

Comemorei feiro um demente na calçada, sem saber que o pior ainda estava por vir: a idéia de Girico do Sérgio de colocar o pano preto. Minha vareta simplesmente não alcançava, pois a chuva molhou o pano e com o peso a vareta entortava toda. Tive que subir numa árvore, me escorar no poste e depois de meia dúzia de distensões musculares consegui pôr a birosca do pano. E o que é melhor, sem cair um único panfleto. Colei umas folhas com as estatísticas cabulosas no poste e em alguns muros e portas e saí felizão da vida. Ari, o Atleta do Século.

Saí pelas ruas correndo de euforia e completamente aquecido pelo suor do esforço. Ria sozinho só de imaginar os piás bêbados tentando colocar o pano preto. Resolvi então tomar uma decisão estratégica. Quebrar os semáforos, colocar o pano preto, mas mandar à merda os panfletos, que abandonaria ao lado do poste. Afinal, o objetivo era pontuar em menos tempo, não é mesmo?

Então as coisas começaram a melhorar.
No primeiro semáforo já acertei de cara o sinal verde. Sem ter que esquentar a moringa com os panfletos foi fácil de jogar o pano preto de qualquer jeito. Minha pontuação começou a subir rapidamente. Vandalizar sozinho é muito mais limpo, pois em grupo pois a algazarra sempre é inevitável quando se trabalha em grupo. Me distraí completamente com a brincadeira, quando olhei o relógio já eram quinze pras quadro. Caralho! Preciso voltar pra praça!

Cheguei lá antes do Jean, fábio & vini estavam sentados na grama devorando o lintro de Pinga 44 com limão que tínhamos levado. Estavam travados de manguaça.

- Ô seus porra! Desistiram do jogo?
- Nada Ari, simplesmente destruímos todos os semáforos e a Copa Do Mundo É Nossa!
- E o Jean?
- Sei lá véio, deve ter se perdido por aí ou então deve ter caído com os ômi.
- Hahahahaha!!! ¿ fábio estava fora de si.

Olhei no relógio e falatavam dois minutos. Momentos de tensão, tudo indicava que se Jeanzinho se atrasasse o troféu seria meu. Trinta segundos antes do prazo o viadinho apareceu na esquina dando risada.

- Que foi seu merda?
- Hahaha!! Arizinho do céu! Duvido que você me ganhe!

Fomos então fazer o levantamento das vítimas semaforísticas. Começamos pelas da dupla de bebum. Fábio conseguiu andar três quadras depois pediu arrego, foi o resto do caminho escorado no Vinícius. Os dois fazendo cobrinhas pelas calçadas, deprimente ao extremo. Primeiro checamos a área do Fábio, foi difícil pra caralho, pois além do paunocú não lembrar os locais exatos, ainda não conseguia nem falar direito, enrolando a língua. No final, conseguiu miseráveis oito pontos, um sinal verde, um amarelo e um vermelho. Nenhum pano colocado e todos os panfletos esparramados pelo chão do único semáforo atingido. Pano chão, panfletos esparramados, oito menos seis igual a dois pontos.

- Só dois pontos? Cê tá fudido mermão!!
- ah, vé-véio, pelo me-menos colei ca-cartazes por tu-tudo.

Era verdade, os muros estavam brancos de tantos cartazes estatísticos. Os alvos de Vinícius foram mais fáceis de localizar, mas não foi muito mais feliz que Fábio, também não conseguiu colocar nenhum pano preto e inovou colando os panfletinhos em todo o poste que servia de base ao semáforo. Os cartazes com estatísticas enfiou por baixo da porta de todas as casas que conseguiu no trajeto de volta pra praça.

Quando começamos a contar meus pontos surgiu um impervisto ridículo de tão óbvio. Como saberíamos quantas lâmpadas fora quebradas se o pano preto cobria todo o semáforo? Eu Jean quase saímos no tapa discutindo, por fim Vinícius decifrou o mistério: bastaria checar os cacos coloridos no chão. Assim foi feito e teria sido perfeito se o viado bebum no Fábio não tivesse caído de cara no chão e cortado o rosto e cotovelo. Sangrou um monte até que rasgou a camisa e improvisou uma atadura. Totalizei treze pontos.

Pra conferir a pontuação já fui cabreiro. O cara tava muito confiante. Não deu nega, Jean tem uma pontaria realmente fudida, foram exatos quatro semáforos completinho, com pano e panfletos. A assombrosa quantia de sessenta e quatro pontos, uma lavada. Um olé. Tive que baixar a cabeça e admitir a derrota. Que merda, ainda mais o Jean, o mais vadio na hora de lavar a louça. Se arregou, se arregou & Se arregou.

Começou a berrar que era o campeão e berrou tanto que não demorou a aparecer uma viatura nos obrigando a correr troçentas quadras arrastando o Fábio. Compramos mais um litro de pinga e bebemos até o dia amanhecer. Cheguei ainda bêbado no trampo e agora estou aqui, sequelado como um prisioneiro de Guantanamo.

Delinquencia Juvenil: consuma com moderação.


::: posted by ARI ALMEIDA at 12:56 PM


nem esse, só o primeiro

 
putaqueopariu, QUE RESSACA DO CARAAAAAALHO!!!!!!
Galerinha do mal, ontem à noite no nosso moquifo a euforia pelo sucesso de nosso Teatro Secreto e a beberagem foram tão grandes que decidimos na cagada empreender um ataque na madrugada. E fizemos. E hoje estou aqui no trampo PODRE DE SONO, PODRE DE DOR DE CABEÇA, meu estômago me manda avisos constantes de que está afim de vomitar as tripas.
Resumo: estou seqüelado ao extremos. Tomei tanto guaraná em pó que tô chapadão.
Durante o dia, se meu corpo reagir e o cérebro se espertar eu digito o relato. Mas adianto:
TRATOU-SE DE JOGOS PROIBIDOS

Aguardem então novidades deliquentes durante essa quinta-feira pós-guerra.

Té mais,
Ari Almeida, o seqüelado do caráio.

::: posted by ARI ALMEIDA at 8:21 AM


nem esse, só o primeiro

Quarta-feira, Maio 12, 2004 :::
 
Com exclusividade para esse blog, o mais recente ataque empreendido pelos Delinquentes de Curitiba.
Um furo! Pois isso aconteceu ainda hoje, às seis da manhã, nesta capital cinzenta chamada Curitiba.
Espero que vocês gostem desta leitura Instrutiva & Construtiva

Se o Sexo É O Que Importa Só A Delinqüência Sabe Falar de Amor
(ataque quarenta e seis)

Semana passada a discussão sobre Sexo, Pornografia & Putaria voltou à tona nas Inevitáveis Madrugadas de Bebedeira no nosso Muquifo do Sítio Cercado. Vinicius & Marília tinham ido visitar a Denise, aquela nossa amiga catadora de papelão. A mina voltou chocada & revoltada & indignada com o filho mais velho da mulher.

- Os papos do piá, vocês não botam fé!

Eu e a piazada estávamos jogando numa roleta que tínhamos comprado num Lojão 1,99. Cassino Clandestino do Mocó dos Delinqüentes. Tava estiloso mesmo: fumaça de cigarro, luz fraca e musiquinha fuleira, a cargo de minha extensa coleção de fitas cassetes com musicas bregas. Eles quebraram nossa clima, mas Marília tava tão engraçada com sua revolta que ninguém teve coragem de reclamar.

- Que foi mulher, quê que tinha os papos do piá?
- Um depravadinho, isso sim!.
- Nem tanto Marília, nem tanto. ¿ vini desconversou.
- Nem tanto o caralho! É um merdinha de nove anos e vem querer me dizer que já transou!
- Já transou????
- Diz ele que achou na rua cinqüenta reais e foi com uns coleguinhas numa zona. Chegou lá, falou com a dona do estabelecimento, conseguiu uma mina e faturou enquanto o resto da criançada tomava quissuco de tangerina.

Lógico, todo mundo caiu na gargalhada. O Piazão passou instantaneamente de um mero conhecido nosso a Herói Nacional do Nosso Muquifo. Com a moral de ter pôster na parede e tudo.

A discussão que se sucedeu foi monstruosa, Marília revelou-se cheia de pudores e Jean foi à loucura de tanto que ria tirando onda dela.

- Porra, em que século você vive? Hoje em dia qualquer criança com mais de oito anos está ligadíssima nessas paradas de sexo.

Lá pelas duas da matina, com todo mundo já quase bêbados, acabamos combinando de fazermos um Teatro Secreto. Jean deu a idéia.

- Pro troço ficar mais massa tinha que ter a participação desse guri, o Rafael.
- Como assim? Que tipo de Teatro Secreto.
- Eu pensei no seguinte, saca aqueles meninos que entram no ônibus distribuindo um bilhetinho onde alegam passar necessidade e depois recolhem de volta junto com as doações?
- Só, tô ligado.
- Pois então, ao invés desses bilhetinhos ele entregaria alguma coisa pornográfica que indicasse que ele está inteirado dessas paradas de sexo.

Vinicius adorou a idéia e já soltou um complemento.

- Jean do céu! Perfeito!! A gente pode bater uma foto do Rafinha se masturbando!
- Se masturbando???!! ¿ Marilia apavorou-se
- Claro, que nem o Hakim Bey falou. Ele não tinha sugerido fazer um pôster de um menino se masturbando e abaixo a frase ¿essa é a face de Deus¿? Pois então, podemos adaptar esse meme a nossos intentos.

Marmita estava se mijando de tanto rir.

- E eu preparo algumas daquelas caixinhas que quando a pessoa abre um boneco levanta a pica, hahahaha!!!!!

Mais um turbilhão de gargalhadas e o plano foi aprovado. Cada um se encarregou de uma parte dos preparativos. Claro que nosso ataque envolvia riscos, podia ter um PM à paisana no ônibus ou alguém podia se revoltar e ligar do celular pra alguma autoridade ¿competente¿. Enfim, combinamos que se qualquer coisa desse errado era só gritar ¿Fnord!!¿ que imediatamente abortaríamos a encenação e desceríamos do buzum.

Foi eu e Fábio que nos encarregamos de bater a famigerada foto. Trouxemos Rafinha pra passar uma noite no Muquifo e fizemos a proposta, que ele aceitou sem pensar sequer meia vez. Largamos uma Playboy na mão do guri e mandamos ele entrar no banheiro e que só nos chamasse quando estivesse com a rola definitivamente dura. Uns quatro minutos depois ouvimos um grito.

- Apurem seus merdas!!

Abrimos a porra e quase não conseguimos fotografar bosta nenhuma de tanta risada. O guri tava vermelho, ofegante e suava tanto que parecia que tava chovendo dentro do banheiro.

- O quê que é isso piá, você vai ter um troço!
- Vão à merda seus viados e batem esse caralho de foto duma vez.

Fábio bateu várias fotos, pois ria tanto que não tinha certeza se estava focalizando direito. Fechamos a porta, nos escoramos na parede e nos partimos de dar risada, quando o menino saiu do banheiro estávamos rolando no chão. Ficou tão indignado que nos cobriu de bicudas até acertar de geito uma costela do Fábio.

- Parô! Parô! Parô!!!!

Pra revelar estávamos cabreiros. Se mandássemos num estúdio de revelação normal alguém poderia se invocar e numa dessas até nos denunciar por pedofilia. Resolvemos procurar um meio alternativo. Tinha uma conhecida da Marília que tinha um estúdio de revelação. Depois de muita argumentação ela acabou topando. No outro dia estávamos com as hilárias fotos em mãos. Tomamos o devido cuidado de raspar e pintar de preto o rosto, pra evitar reconhecimentos e processos penais ou coisa que o valha.

Nosso artesão mor Marmita quem confeccionou as caixinhas. Só de sacanagem pintou elas de cor de rosa com florzinhas coloridas pra ludibriar a galera. Dentro colocou um bonequinho do Lula pra lá de tosco, mas com barba, faixa presidencial e um dedo a menos. Na ponta da rola do presidente fez uma frestinha pra encaixarmos a foto do punheteiro mirim. Fazia séculos que não dávamos tantas risadas, uma autêntica histeria coletiva.

Marcamos pra quarta-feira seis e meia da manhã no ônibus que ia da Vila Fanny até o Terminal Hauer. Sérgio quis ficar de fora e Marmita faltou na última hora, estava com uma terrível febre e dor de garganta. Fábio se indignou.

- É um paunocú mesmo, no mínimo amarelou.

Fomos eu, Fábio, Jean e Vinicius. Entramos num ponto bem no início da linha e uns três depois entraria o Grande Pequeno Rafael, o príncipe da depravação.

Quando Rafinha entrou no ônibus já estávamos todos em nossos postos. Ele entregava as caixinhas pro povo e avisava que só era pra abrir quando ele avisasse. As pessoas pegavam as caixinhas e olhavam intrigadas, graças a
Éris ninguém abriu antes da hora. Confesso que fiquei cabreiro, minhas mãos estavam suadas. Estava perdido em meus pensamentos cabreirísticos quando ouvi a voz vindo do fundo do corredor.

- Podem abrir!

Então um pandemônio abateu-se sobre o coletivo. Gritos histéricos, gritos de ¿ai que nojo!¿, ¿meu deus do céus!¿ e outros que não consegui identificar. Teve uma senhora que jogou a caixinha na testa do Rafinha. Outras duas jogaram pela janela e umas três jogaram no chão e se benzeram todas. Um sujeito maltrapilho ria que se mijava. Dois piás também rachavam o bico de dar risada no fundão. O motorista até reduziu a velocidade pra conferir no retrovisor que diabos estava acontecendo. Ponto pra nós, ele também sorriu.

Nosso objetivo era não perder o controle da situação, acontecesse o que acontecesse teria que ser um de nós a começar a discussão. Vinícius tomou a frente.

- Você não tem vergonha cara seu moleque?
- Porque tio? Isso daí é artesanato, ué.

Uma senhora tomou a frente nas acusações, abafando Vinicius por completo.

- Isso é uma falta de respeito, você deveria estar consciente que tem gente de família aqui dentro. Pessoas indo trabalhar e não dispostas a agüentar qualquer tipo de sem-vergonhiçe.
- Opa! O que a senhora quer dizer com isso? ¿ Jean interferiu.
- Como assim, o que quero dizer? O que eu disse é óbvio!
- Não tô vendo nada de óbvio no que a senhora falou. Desde quanto sexo é uma coisa proibida para famílias? O porque o menino deveria ter vergonha de um boneco com pênis? Fora as mulheres todos tem pênis e não vejo motivo algum pra se envergonhar disso.
- Isso não significa que tenha que se ficar mostrando pra todo mundo.
- O quê? Ele mostrou sua rola? Onde? Onde?
- Escuta aqui rapaz. Esse assunto é sério e não deve ser levado na brincadeira, é isso que estou tentando dizer.
- Sério? O que há de tão sério numa coisa tão natural. É essa aura de seriedade toda, essa proibição de se tocar no assunto que deixa as pessoas tão desinformadas e recalcadas. Esse assunto deveria ser discutido em todas as famílias.
- Sim! Nas famílias e não num ônibus.
- Porque não nos ônibus, nas praças e nas calçadas? Pessoal, precisamos de mais sexo, falar mais de sexo, praticar mais sexo, não é mesmo pessoal?

Nessa hora respondemos todos, nós que estávamos ligados do Teatro Secreto, mais os dois moleques do fundão e o maltrapilho bebum.

- Ééééééé!!!!!! ¿ os moleques chegaram a beter com pés no chão, estavam adorando aquele quiprocó.

Rafinha soltou então a frase-chave, a senha de acesso ao tabú máximo.

- Inclusive nós crianças...
Todos olharam pra ele.
- ... deveríamos fazer sexo. ¿ terminou a frase diminuindo o tom da voz, tamanha a vergonha que estava sentindo devido aos olhares.

Momento do tabú. Incrível isso, todo mundo silenciou, sou capaz de dizer que nem o barulho do motor do latão dava pra ouvir. O Profeta do Apocalipse Sexual Jean Pierr rompeu o silêncio.

- É isso mesmo, crianças como essa deveria praticar sexo sim!

Aí a senhora foi à loucura.

- Agora sim que eu vi que você é um louco, crianças fazendo isso é uma absurdo sem tamanho!!
- Não vejo absurdo nenhum nisso. As crianças não são tão tolas o quanto o as adultos pensam. Elas sabem muito bem como as coisas funcionam e esconder delas informações importantes só faz com que elas sintam vergonha, medo e quando chegam na adolescência viram uns jovens problemáticos e cheios de traumas.
- Isso não faz sentido nenhum, a criança tem que estar no mínimo fisicamente preparada.

Nessa hora eu entrei rasgando.

- Péraí minha senhora! Quanto eu tinha oito anos já tinha ereção e pratiquei sexo com uma vizinha da mesma idade e por mais que nenhum dos dois tenham atingido o orgasmo posso te garantir que foi muito bom.
- Isso não prova coisa nenhuma.
- Inclusive algumas civilizações antigas eram muito mais avançadas que a nossa. Dizem que eles davam aulas de Educação Sexual pras crianças, ensinando coisas como masturbação, sexo oral e fertilidade.
- Isso pra você como isso é ultrapassado. Se isso acabou é por que esses gregos estavam errados, eram quase selvagens, animais mesmo.
- Não fale bobagem minha senhora. Os gregos selvagens? Isso sim é que é um absurdo. Eles eram avançados sim, que ferrou com tudo foi o Cristianismo. O cristianismo que ensinou às pessoas a terem vergonha do sexo, nos ensinouo medo. O cristianismo foi o grande mal da humanidade.

Falei isso e olhei pros meus colegas, estavam pondo a mão na cara como se eu tivesse feito cagada. E não deu nega, um evangélico que até então estava quieto num canto se revoltou e pegou seu celular. Era tudo o que temíamos.

- Querem ficar de palhaçada fiquem, mas saibam que sou um homem de bem e não vou aceitar que fiquem blasfemando contra Deus Nosso Senhor, isso que esse marginalzinho fez aqui dentro é atentado ao pudor, alguma coisa precisa ser feita.
- Fnord! Fnord! Fnord!!!!

Damos uma sorte dos diabos que bem nessa hora o buzum parou num ponto. Mandamos às favas nossas boa educação e descemos correndo simplesmente atropelando quem estava subindo. Rafinha conseguiu recolher algumas fotos. Fomos a pé até o Terminal Hauer rindo feito umas hienas chapadas de benzina.

Bom, podemos até estar completamente equivocados com nossas teorias, mas a questão deve ser debatida. O que não se pode é largar uma pá de cal sobre o assunto. E além do mais, O Caos Deve Avançar e fizemos, além de nosso teatro Secreto, uma belíssimo Distúrbio Cotidiano. Tenho certezade que quem assistiu a cena deve ter chegado no trampo ou na escola e contado o ocorrido aos colegas. Muitas rodas de debates devem estar se formando nesse momento.

Fnord!

::: posted by ARI ALMEIDA at 11:20 AM


nem esse, só o primeiro

 

E AÍ GALERAAAAAA!!!!!!!!!


Acabei de chegar de mais um ataque, foi o maior cagaço, mas no fim deu tudo certo.
PORNOGRAFIA E DEPRAVAÇÃO NO ÔNIBUS LIGEIRINHO.
Aguardem que durante o dia eu posto, com exclusividade para este blog, o relato da ação. Um Teatro Secreto da porra!!!!!!

Ari Almeida, o delinquente porra-loca.

::: posted by ARI ALMEIDA at 8:44 AM


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Terça-feira, Maio 11, 2004 :::
 
Não tenho como começar isso de outra forma.
A PORRA DO SHOPPING ESTAÇÃO PEGOU FOGO!!

Toas as nossas urucubacas não foram em vão. Ainda há esperança nesta luta ingrata. Deve haver algum Olimpo Underground onde Deuses Malucos bebem um Néctar Fermentado (ou seria Destilado?) e vestem a nossa camiseta, abraçam a nossa causa. E mais: o possuem o senso de humor que nos é característico.
Então galera: Façamos As Nossas Preces!
Que Toda Essa Magia Não Seja Desperdiçada!!
Vamos aproveitar que o Imperador está embriagado pelo Vinho do Poder e que os Magos ainda vivem na Floresta.
O que??
Os Conservadores estão avançando???
Pois em verdade vos digo, se alguém aqui acha que a frase que se impôs no começo deste vômito não tem seu poder não me escuso em repetir.
A PORRA DO SHOPPING ESTAÇÃO PEGOU FOGO!!

Por mais que Analistas & Peritos Cartesianos tentem estragar nossa festa mandando baixar o o volume bem naquela hora que tú tá ligado, ninguém irá conseguir apagar o simbolismo da coisa.
Aquele papo de coiscidência não existe, é um embuste aplicado pelos Porcos Defensores da Realidade Consensual.
O incêndio de ontem foi um presente dos tais Deuses Malucos macacada!!! Se não for, façamos que seja!
Atenção Terra Chamando Ari: Tá mas E Daí?
Daí que vamos fazer umas macumbas maneras pra aproveitar esse Fluxo Cósmico & Kármiko que está a nosso favor. Façamos de conta que ainda somos a Criança Que Sempre Fomos:
Façamos Maquetes de Shoppings de Papelão simulamos incêndios nas encruzilhadas, sempre com Galinhas Crucificadas, Velas Vermelhas & Pretas. Oferendas ao Exú Queima Shoppings.
Os Deuses Malucos daquele Olimpo Underground talvez se comovam e continuem nos presenteando.

Ari Almeida, um dos principais suspeitos por esse Incêndio Providencial & Divino & Bem vindo & Que Nos deixou Muito Felizes.

::: posted by ARI ALMEIDA at 8:38 AM


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Sábado, Maio 08, 2004 :::
 
O DEPARTAMENTO CONTRA-CONSPIRAÇÃO INFORMA:

Em breve, neste blog os sensacionais
MANUAL TEÓRICO & PRÁTICO DE DELINQÜENCIA ESCOLAR e
MANUAL PRÁTICA PRA INVASÕES DE CASAS DA PERIFERIA.

Aguardem

::: posted by ARI ALMEIDA at 1:56 PM


nem esse, só o primeiro

Quinta-feira, Maio 06, 2004 :::
 
Demorô mas saiu, a parte final da Trilogia Pascoalina Delinquente

Delinqüentezinho da Páscoa, O Que Trazes Pra Mim?
(ataque quarenta e cinco)

O ataque planejado pra noite de páscoa foi aguardado num clima de empolgação, pois seria o terceiro na mesma semana. Nos sentíamos como se fôssemos tipo que um Comando Delinqüente de Elite. Apenas Vinícius parecia meio cabreiro, afinal autoconfiança em excesso em véspera de invasão não é nada bom e nosso ataque seria justamente nessa linha: invadir casas.
A discussão sobre o que faríamos na páscoa começou já durante o mês de março. As sujestões eram muitas e variadas. Fábio queria vandalizar supermercados.

- Podemos meter o dedo e quebrar os ovos de páscoa nos mercados.
- Quebrar ovos? Tá pra quê? Qual será a mensagem de protesto por trás da ação?
- Ari, a gente detona os ovos do Wall Mart, que é uma mega corporação e não é preciso motivos pra se vandalizar uma mega corporação, ela sempre saberá porque está sendo vandalizada.
- Boa essa, uma frase lapidar, hahahaha!!!!

Apesar de seus argumentos quase convincentes a galera acabou arquivando a idéia, pois uma melhor e mais definitiva acabou surgindo na roda. Vinícius foi o pai da criança.

- Caaara, tive uma idéia demencial!! Podemos fazer umas invasões na noite de páscoa!
- Invasões? De que?
- Tu tá ligado que as crianças na noite de páscoa deixam uma frestinha da janela aberta pro coelho entrar não é mesmo? Pois então, aproveitamos essa deixa, essa maravilhosa facilidade pra dar uma de coelhinho e deixar os ovinhos pra elas.
- Rapaz, sabe que não é uma má idéia? ¿ Jean curtiu.
- Ih, véio, hoje em dia as crianças não acreditam mais em coelho da páscoa. ¿ Fábio objetou.
- Não é bem assim não, o povo simples, dos bairros mais pobres, ainda cultivam essa tradição, tenho certeza disso. E além do quê, invadir casas na periferia sempre foi mais fácil e dar presentes às crianças pobres sempre foi mais nobre.
- Então, Delinqüentias & Delinqüentios, a idéia do imbecil Vini foi aprovada!!!

Discutimos mais e concluímos que o certo seria uma fantasia mínima de coelho, com orelhas e pés de algodão. A coisa já tava encaminhada quando Marmita veio nos visitar, soube do plano e resolveu dar uns pitacos.

- Ari, a idéia tá massa, mas parece que ainda falta alguma coisa ficar ficar complicada e perfeitinha. ¿ reclamou o figuraço Marmitówski
- Concordo, mas o quê?
- Que tal uns presentinhos?
- Que tipo de presentinhos?
- Quando eu era pequeno meu pai me ensinou a fabricar uma porrada de brinquedos.
- Fabricar brinquedos? Taí uma boa idéia cara, a gente presenteia a galerinha e ainda não gasta nada com lojas. Sabe Marmita, sua esperteza é maior que sua estatura.
- Vai te fuder!!!!

Marmita passou o fim de março obcecado com os brinquedos. Conseguiu madeira, ferramentas e tintas e se internou no processo. Em três dias começaram a aparecer as obras: os tradicionais carrinhos pra meninas e casinhas de boneca pras meninas. Até que o cara leva jeito pra coisa. Aliás o cara leva jeito pra diversos trabalhos manuais, foi o artesão que construiu nossa lendária catapulta de jogar merda. Dona Jurema, sua vó e Delinqüente da Terceira idade gostou da nossa idéia e se encarregou de fabricar os chocolates pra salvaguardar nossas parcas finanças. Inclusive a coroa fez questão de preparar os doces nosso Muquifo, Doce Muquifo.

- Quero saber como é o lugar que os amigos de meus netos moram.

Na sexta-feira santa, logo depois da sacanagem que aprontamos na igreja ela foi direto pro nosso muquifo e começou a trabalhar nos chocolates. Marmita foi em casa buscar seu irmãozinho pra passar o dia com a gente posso garantir com todas as letras, a presença do pirralho foi fundamental pra nossa ação. Porque? Porque o piazinho nos presenteou com uma sensacional meme mirim.

Ele ficou vendo Marmita dar os últimos retoques nos brinquedos e ouvindo nossas conversas sobre a ação, sempre quietinho, sem falar nada. Até que lá pelas tantas ele resolveu abrir sua boca. Falou bem timidamente e quase inaudível:

- E se vocês deixassem uns coelhinhos de verdade dentro do quarto das crianças.

Todo mundo parou o que estava fazendo e olhou pro menino, que ficou com o rosto vermelho de vergonha e baixou a cabeça.

- O que tú falou???
- Nada, tá bom, desculpa, não me meto mais.
- Que nada seu moleque, sua idéia é muito boa, o que vocês acham? ¿ defendeu dona Jurema.
- Caralho! Que idéia massa!!!!

Não teve nem o que discutir, o menininho soltou a melhor frase que poderia ter soltado. A idéia caiu feito uma bomba em nossas Mentes Delinqüentes.

- Genial, os moleques vão pensar que é o próprio coelhinho da páscoa.
- Tive uma idéia melhor, a gente coloca uma coleira no bicho e deixa um bilhete: cuidem bem de meu filhinho, não maltrate ele.

As gargalhadas foram ensurdecedoras, finalmente nosso plano de ataque estava decididamente arredondado e azeitado, como alvo escolhemos o bairro do Parolim. No sábado Fábio & Jean desembolsaram uns dinheiros e comprar cinco coelhos numa loja de animais, Marmita desenvolveu gaiolas com tirantes que funcionavam como mochilas, perfeito. Quando chegou a noite a expectativa era tanta que o tempo se dilatou, a meia noite demorou uma era pra chegar. Mas chegou. Pegamos o bi-articulado do boqueirão, descemos no terminal tubo do Parolin e fomos confiantes pra nossa Missão Sagrada.

Andamos um monte pra chegar numa favela adequada e ainda tivemos que desviar de várias ¿malárias¿ (maloqueiros na gíria curitibana). Andávamos em silêncio com três de cada lado da rua procurando um caminho seguro que desse pra algum quintal. Lá pelas tantas tantas Jean soltou um assobio fininho e gesticulou com o braço, uma alvo potencial foi localizado. Terreno tava cheio de tralhas, parecia um ferro-velho, mas dava num muro de um metro de meio de altura atrás do qual tínhamos acesso aos quintais de quatro casas.

Escalamos o muro e ficamos aguardando pra ouvir os ruídos e tentar identificar qual a casa mais adequada pra invadirmos. Estávamos vestindo nossas ridículas (e bota ridículas nisso) orelhas e patas de coelho quando fomos interrompidos pelo latido de troçentos cães. Nem paramos pra discutir, picamos a mula dali rapidamente. Então começou a sessão, tudo quando alvo que localizávamos esta repleto de cães. Jean já tava ficando impaciente.

- Cara, daqui a pouco vou entrar num quintal com cachorro mesmo, dou uma bicuda e o porra cala a boca.
- Não viaja Jeanzinho, não viaja.

Num dos quintais ele achou que estava limpo. Pulou do muro e quando estava perto da casa um cachorro saiu revoltado de uma caixa de madeira e foi direto na batata da perna de nosso amigo Delinqüente. Não sangrou, mas segundo ele doeu pra caralho. Ficou tão emputecido que abandonou um coelho só de raiva. Antes trocou o bilhete de coleira:

Me ajudem, sou o coelho da páscoa, perdi meu saco com ovinhos e pra completar me perdi também, alguém pode me encaminhar a um ponto de ônibus e me ceder um vale transporte?

Foi um parto, a sensação que se tinha é que os cães haviam dominado mundo, que osp postes foram feitos unicamente para esses lazarentos mijarem e nossas pernas, ao invés de meio de locomoção, eram nacos de carne pra saciarem sua fome animal. Foda mesmo a bagaça, acredite.

Só que uma das característica que um bom Delinqüente deve ter é a tal da paciência. Lá pelas quatro da manhã descobrimos um terreno baldio arregadíssimo. Também contou a idéia genial do Marmita de fazer um esporro a tres quadras de distância pra desbaratinar a cachorrada.

Eu & Jean fomos pro front enquanto o resto do pessoal ficou ou de sentinela ou enrolando a cachorrada. O terreno baldio dava pra cinco casas, não tinham quintais, era como se aquele quintal fosse coletivo, varais de roupas pra tudo quanto eé lado e até uma trave de futebol tosquíssima. Jean escolheu uma casa e foi na frente enquanto fiquei cuidando da retaguarda.

É sempre assim, quando a gente fica esperando os caras demoram pra caralho, já tava me batendo sono quando o viadinho voltou.

- Ari, limpeza total, a primeira casa que eu tentei tava toda fechada, mas na segunda tava aberta. O povo tava dormindo só que não consegui descobrir nenhum quarto de criança. Acho que nem tinha criança na casa. Então deixei a parada em cima da mesa da sala. Ficou massa, os caras vão ter uma puta surpresa de manhã.
- E o coelho?
- deixei dentro do forno do fogão da cozinha.
- O que? Hahahaha!!!
- Cala a boca seu porra, vai que é a tua vez.

Confesso que tava cabreiro, dessa vez fui eu a demorar. Dei sorte que na primeira casa que cheguei tinha uma janela entreaberta, no entanto esperei ao lado dela uns dez minutos antes de entrar. Sacumé, um time pra adrena baixar, saca? Observei pela janela e vi que era minha noite de sorte, era um quarto de criança. Ao lado da cama uma cestinha reluzia com papel prateado e dourado. Mas na cama não tinha ninguém.

O menino deve estar com medo do coelhinho e deve estar dormindo na cama dos pais, pensei comigo mesmo. Melhor pra mim. Entrei cuidadosamente e quando fiquei de pé em cima da cama a porra deu um estalo que regelou minha alma. Não entrei em desespero, fiquei ali, paralisado e em silêncio por uns três minutos até chegar a conclusão que ninguém tinha acordado e então desci da cama. Soltei a mochila/gaiola das cosas e comecei a trampar. Primeiro fiz o que considerava mais difícil, dispensar os ovos sem fazer barulho. Depois estacionei cinco carrinhos d emadeira embaixo da cama do menino. Os outros poucos brinquedos que estavam no quarto indicavam que se tratava de um menino mesmo.

O coelho escolhi colocar dentro do guarda-roupa. Quando estava colando um papel com a palavra ¿surpresa¿ na porta do guarda-roupas levei aquele que com toda a certeza possível nesse universo infinito foi maior susto da minha carreira. Meu sangue gelou, o chão sumiu dos meus pés, meu coração batia na garganta querendo sair pra fora, pensei que ia desmaiar. Uma voz rouca e baixinha dizendo:

- Coelhinho!!

Sem saber de onde tirei essa coragem olhei por cima do ombro, não conseguia me mecher, estava paralisado. Era uma criança de no máximo tres anos de idade. Quando nos encaramos ele falou de novo.

- Oi coelhinho!!!

O lazarento tava fazendo campana pra flagrar o coelhinho e conseguiu.

- Eu sabia que você ia vim.

Veio correndo em minha direção e me abraçou. Eu todo cagado e ele emocionado. Não sei como descrever o que senti. Demorei pra caralho pra escrever esse relato por não encontrar palavras que descrevesse minimamente o que senti naquele momento. Quando ele falou que gostava muito de mim, me desatei a chorar.

- Psssiu coelhinho, meu pai não pode me acordar senão ele me bota de castigo por estar acordado essa hora.

Me aclamei um pouco e mostrei a ele o coelhinho no guarda-roupa

- É seu irmãozinho?

Acenei que sim com a cabeça, não sabia o que dizer, na hora pensava que tinha perdido a voz com o susto e fingi que o coelho da páscoa não falava mesmo. Mostrei os brinquedos e ele me deu mais um abraço, mais lágrimas.

- Porque vc está chorando? Eu gosto de você, está triste porque vai embora?

Acenei que sim e tratei de sair dali. Enquanto me afastava em direção onde o Jean estava olhei pra trás e vi que o menino estava me dando tchau! Retribui e saí correndo. Jean estava impaciente ao extremo, perdo a noção de tempo.

- Cara, vc demorou quase quarenta minutos. O que houve?
- Vamos embora daqui cara.
- Você tá chorando Ari? O que houve?
- Nada véio, depois te conto.

Nos reunimos todos numa banca de cachorro-quente perto da Marechal e relatei o ocorrido ao pessoal que ouviu sem acreditar no que estava ouvindo. Todo mundo achou muito engraçado, mas eu fiquei com um estranhíssimo nó na garganta. Parecia que eu tinha sofrido uma metamorfose naquele quarto de criança e que não era mais o mesmo. No domingo de páscoa dormi o dia inteiro e quando chegou a noite fui à rodoviária, comprei uma passagem e fui visitar meus parentes. Faltei três dias de trabalho e quando voltei ganhei a conta.

Tudo tem seu preço, mas a experiência que vivi vale muito mais que esse empreguinho vagabundo nesse escritoriozinho sem futuro. Com certeza, nem eu nem aquele moleque esqueceremos daquela noite. Não entendo o que senti, mas sei que foi maravilhoso.


::: posted by ARI ALMEIDA at 1:24 PM


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Quarta-feira, Maio 05, 2004 :::
 
As Aventuras dos Lambaris Matutos no Mar dos Tubarões Astutos

Até que ponto devemos engolir sem mastigar toda a tecnologia que surgir pela frente? Falo da Microsftização de nossas vidas (upgrade, upgrade, upgrade!). Não estou falando de não comer, estou falando de mastigar antes de engolir. Estou falando de sentir o gosto da parada a tempo de cuspir fora se for uma merda. Ou pior: veneno. Enfim, senso crítico.

A questão do Grande Irmão hoje em dia já virou folclore de boteco, está tão banalizada essa discussão que nos leva a desconfiar. Quando uma coisa é banalizada é bom trocar o ponto de vista pra se analisar de outros ângulos e captar talvez assim aquela nuânce esclarecedora que a banalização escondeu.

Mudamos então o prisma.
E se nem o Grande Irmão e nem a Grande Conspiração existirem? E se a porra desse planeta for um trem desgovernado?

Nada é verdadeiro. Tudo é permitido.
Temos que ter um plano B. (e se bobear salvaremos nossos rabos graças a um inusitado plano Z)

Vamos lá, por hora consideraremos a primeira hipótese: o Grande Irmão esta aí, a esndender suas garras sobre nossas vidas. Puta que o pariu! Logo eu, que temia que Deus fosse Nelson Rodrigues (estaríamos fudidos) agora cogitando que Deus talvez seja George Orwel (ih, cara! Agora sim é que estamos fudidos!). Estão invadindo nossa privacidade.

Tomamos o Google como exemplo. Procurar algo no Google é como abrir a porta de casa pra sair pra rua.
O Google, incontestavelmente o melhor programa de busca da atualidade é detentor de muita informação. Como mecanismo de busca é capaz de mapear, redirecionar e determinar praticamente todo fluxo de informação online. Detentor de de um fódíssimo banco de dados, o Google é capaz de determinar o que é visto, quando, por quem e porquê. E ainda ele instala em seu computador um cookie que rastreia todas as suas pesquisas pelos próximos 25 anos. É verdade, está naqueles termos de uso que ninguém lê.

Enfim, o Google pode mapear seus interesses baseado em suas buscas. Achou muito? A coisa não para por aí. Eles querem ampliar ainda mais seu banco de dados, primeiro foi comprando o blogger (sacou, eles mantém o blog dos Delinquentes!) e agora surgiram com esse Orkut.
E ainda tem o echelon e quinhentos mil caralhos com poderes totais de acesso e de cruzamento de dados. É...pois é, um cartão de crédito pode te foder bem mais do que aquelas dívidas que você fez na cagada.

Vou falar de algo que conheço, vou falar de mim. Imagina o cidadão mau intencionado digitar meu nickname, CPF ou o que for e ter acesso em múltiplas janelas a todas as minhas informações que eu, laranjão que mereçe levar uma tunda, deixei transformarem-se em zeros e uns numa mídia remota e ignóbil.

Existem diversas formas do mundo acabar. Essa seria o fim do meu mundo.

Então estou dizendo, estamos fudidos. Os paunocús podem ainda não ter a tecnologia pra cruzar todos os dados de uma maneira funcional, mas a infra-extrutura está prontinha. No popula: estão com a faca e o queijo na mão.

E nós? Estamos com o quê?
- Nós?
Nós estamos com nossa fissura por novas tecnologias, novas soluções pra se fazer, na maioria das vezes, mais do mesmo. Estamos engolindo sem mastigar, dizendo: foda-se nosso estômago. É de fazer inveja ao mais dedicado rato de laboratório.
Por isso que eu estou dizendo, nós estamos fudidos.

Por isso que eu estou dizendo, a questão não é não comer e sim mastigar antes de engolir. Estou falando em ver como é a parada antes de abrir a guarda. É ver se a coisa toda não precisa de tal tempero, talvez um pouco mais de água ou sal, sei lá.
Se no meio desses tubarões astutos somos meros Lambaris Matutos, então vamos matutar enquanto tragamos do cigarro no qual fumamos nossas vidas.

PS.: Se alguém aqui quiser penetrar nos Intestinos da Besta (vai saber, vai encontre as armas do inimigo e use-as contra ele) que me mande um e-mail que prontamente eu convido-o pra participar do Orkut, aquele campo minado da porra. Depois troque de e-mail e suma (se conseguir).

- Tá bom Ari, agora chega desses papos conspirológicos. E o outro prisma, e se o mundo for um trem desgovernado?

Bom, aí vou citar uma intuição antiga que possuo. A sorte e o humor governam o mundo. Nosso mundo nada mais é do que uma construção aleatória e fortuita, temerária e perigosa, arriscada e imprevisível, dominada por guerreiros, profetas e líderes carismáticos. Muitos deles, senão todos, demagogos, egocêntricos, hipócritas, paranóicos, cruéis e violentos. Pense nisso, pense por si próprio, tire suas próprias conclusões e sempre, eu disse sempre, conteste a autoridade.


::: posted by ARI ALMEIDA at 12:14 PM




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