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..A JUVENTUDE DOENTE NO REINO DOS BLOGS ou
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..O que queremos, de fato,
..é que a juventude
..volte a ser perigosa

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..Se o que vc faz
..Faz impunemente
..é porque é inofensivo

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..Estamos em Território Inimigo
..E o Inimigo está em nós

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..NÃO RESPEITE NADA!!!
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..NENHUM RESPEITO POR NADA!!!!
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..TODA A PROPRIEDADE É UM ROUBO
..Roube os textos desse blog!
..Editar + Copiar
..Editat + Colar
..Mude o texto
..Assuma a autoria
..Plagie descaradamente
..Seja um ladrão e não respeite a propriedade intelectual!

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..NÃO SE LEVE A SÉRIO ..NÃO LEVE NADA MUITO A SÉRIO ..
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..Este é um território improdutivo do blog
....mas isso nai acabar!!!!!
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..OS SETE POEMAS DAS VIDRAÇAS
..(por Fabio Samwise)
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..Mortos vivos
..Nas ruas
..um belo sol Acaricia os doentes...
..Quem pode ter o tempo,
..pra viver o dia inteiro?
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..Brancura luna
..Rente ao teu corpo,
..a brancura lunar,
..ficarei por eternidades...
..até saber do gosto essencial de ti.
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..Kelper
..Kelper é uma ilha.
..As pessoas também...
..Romper essa distância,
..inaugurando-se noutro ser,
..não existem coordenadas...
..Apenas...
..beijos e palavras...
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..A geladeira
..Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes...
..mas, não saiu ninguém...
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..Paixão
..Começa com uma vontade de morder...
..e muitas vezes, termina com um tiro...
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..É isso que eu adoro na paixão!!!
..Natural Arte?!
..Não...
..eu sou mais esse teu sorriso...
..esse teu cabelo...
..na minha cara...
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..Os Moradores Estranhos
..os moradores daquele prédio...
..não olham pelas suas janelas...
..pelo menos, como deveriam...
..Risadas...
..é outra coisa também...
..Não as escuto...
..estranho...
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...Aqui abaixo alguns trabalhos
..do Delinquente Sergio Augusto
..O e-mail do cara é Este aqui, é só clicar. ..

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..Estas telas provavelmente irão parar
..em alguma casa invadida. Quem viver verá.
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..Algum doente criou esta página
..Quer prova maior de que o caos avança? ....EU ODEIO ARI ALMEIDA!!!!
Vandalismo ou Barbárie - Distúrbio Cotidiano - Estanhos Atratores nos Caos do século XXI - A Juventude Doente mostrando a cara.  

Delinquente, Inconsequente & Demente


Arquivos da Demência Ontológica Arquivos Mande o autor ao inferno!!

nem esse, só o primeiro

Quarta-feira, Junho 30, 2004 :::
 
Os Macacos No Espaço Em Plena Escadaria Para O Paraíso
(ataque cinqüenta)

Dizem que quando Friedrich Wilhelm Nietzsche estava na merda, fodido de doente, teve suas idéias mais massas. Essa frase ridícula aí em cima não é minha, é do Vinícius, se queixando de sua clausura após a quebra de seu braço e dando uma de coitadinho ao mesmo tempo em que dá uma de gostoso. O motivo de toda essa balaca é que ele bolou uma parada que intitulou Ideologias Periféricas. Tudo porque andou lendo meus livros da Coleção Baderna e o rizoma do Gilles Deleuze.

- Ari, me ajuda a passar isso pro papel, não levo muito jeito com as palavras.

Me explicou a bagaça toda e era uma palhaçada tão sem pé nem cabeça que me convençeu no ato. Nem tanto a parada da Ideologia Periférica em si, que me soava ainda um tanto estranha e confusa, mas principalmente pela ação direta que ela implicava.

Táticas de Ativismo Nonsense.

Vinicius estava começando a me explicar a coisa toda quando a piazada chegou da pelada tirando os tênis e as camisetas num Claro & Óbvio Ataque Biológico.

- Cara, isso daí não é proibido pela Convenção de Genebra?
- Quê que vocês estavam viajando aí?

Foi em maio àquela morrinha pestilenta de Suor & Asa que vinicius botou o resto da malária a par de suas novas idéias subversivas e o principal, planos para ataques nessa linha. O cara estava exigindo que concretizássemos seus planos como uma homenagem, pois foi o primeiro a ser gravemente ferido desde começamos nossas batalhas contra o Império.

- E o que faremos dodóizinho?
- É, por onde começamos?
- Tenho um plano.
- Que plano?
- Bom, preparem seus arsenais de palavrões, a coisa é bem besta e sem sentido mesmo.
- Vai! Fala!
- É o seguinte, esperamos por um dia de Mega Sena acumulada ou esperamos o dia de encerramento das apostas numa lotérica movimentada, sempre tem fila.
- E?
- E nos dividimos entre a fila e vamos até o guichê, quando chegamos lá temos apenas metade do dinheiro pra aposta mínima.
- Só isso? Que besta mesmo!
- Você já teve idéias melhores.
- Calma, aí vai cada um de volta pro fim da fila e recomeça tudo de novo, numa roda cármica de eterno retorno e recorrência numa tentativa frustrada de ficar rico.
- É, não parece tão ruim assim, desse jeito.
- Percebam, podemos fazer um Teatro Secreto altamente subliminar.

Acabamos todos topando. Só faltava determinar a hora e o local, pois a razão já tínhamos: nenhuma. E vamos admitir, essa idéia era boa porque requeria mínimos recursos materiais, fora umas poucas moedas de centavos e nossas respectivas caras de pau, mais nada. Como a histeria por loterias é uma constante nesse nosso Brasilzão Varonil não tardou a oportunidade de darmos início ao Plano Nonsense Viniciusiano. Vagabundo & Desocupado como está, acompanhou pela TV todos os acontecimentos lotéricos. Chegou até a viajar num livro meu sobre a Cabala e nos indicar números poderosos pra serem apostados.

Aturar o cara sem fazer nada, só lendo besteiras e imaginado bobagens tá sendo foda. Não bastasse isso a mina dele, a Marília, tá praticamente morando com a gente no muquifo. Como ninguém tem quarto exclusivo o casal montou uma barraca no meio da sala, atravancando tudo. Mas tudo bem, o cara tá na merda mesmo, vamos dar um desconto pro cidadão.

Marcamos a besterada pra quinta-feira, com a Mega Sena acumulada. Vinicius me ligou confirmando.

- Ari, é hoje!
- Onde? Que horas?
- Vamos nos encontrar todos na Praça Tiradentes depois a gente vai pra Lotérica alvo.

Marmita, por causa do horário, mais uma vez não pode participar. Na praça combinamos um pré-roteiro, com etapas, mas nada muito detalhado. Chegamos numa hora meio estranha, o ideal seria irmos pela tarde. Na hora do rush as vítimas da Maldição do Caracinza comparece em peso. Os zumbis do Trabalho Morto. Esse pessoal fica com sua Taxa de Bom Humor abaixo de zero.

A primeira rodada na fila foi um tédio, tenho que confessar. Demorou mais do que eu imaginava no meu delírio de estar fendo um ¿ataque¿. Quando voltei pro fim da fila tava meio naquela: porra, que merda é essa que estamos fazendo? Que diabos estou fazendo aqui?

Foi uma longa privação. Uma vontade filha da puta de sair fora e comprar uma cerveja pra acalmar os Demônios Interiores, mas seria queimar o filme. Foi na hora de estar perto de fechar, com a fila menor, que as coisas começaram a ficar mais interessantes. O pessoal que trabalhava nos guichês já tinha se ligado de nossa nóia a um certo tempo, só riam e repetiam que a grana não dava pra nada. Ficavam fazendo piadinhas entre si e tirando sarro de nossa cara.

- Esses caras não devem bater bem.

Só que então o pessoal da fila começou a se ligar. O nosso Teatro Secreto, muito mais feito no improviso do que qualquer outra coisa pode ter início.
Foi uma velhinha, com quatro sacolas de supermercado e uma criança de dois anos no braço, que cedeu à curiosidade e me intimou:

- Moço, por que você tem entrado na fila tantas vezes?
- Nada não senhora,
- É que antes eu estava ali no lado tentando fazer o menino dormir e reparei que você entrou três vezes na fila.

Nas pessoas próximas a nós, dava sentir a Curiosidade, as Orelhas De Pé & Pescoços Esticados.

- Sabe o que é? Tenho um primo que já trabalhou em lotéricas. Ele me contou que várias pessoas perdem dinheiro, deixam cair no chão e não vêem, na hora de pagarem suas apostas.
- Não estou entendendo...
- É que eu só tenho metade da grana pra aposta e estou torcendo pra que alguém deixe cair uma prata ou um Real, eu achar, arriscar meu palpite e mudar de vida, ficar rico e lavar a égua.
- É que, sinceramente, eu não tenho nada, senão te ajudava, por Deus que ajudava
- Não se preocupe minha senhora, se eu conseguir meter a mão nessa grana mágica é porque o Centro Cósmico de Controle das Coincidências está de olho em mim. Não tem erro. É tiro e queda.

Nisso passou Vinícius num acesso de delírio, viajando no nonsense. Desfilava e falava pra fila, que depois da minha explicação à nobre senhora, foi fofoqueando de par em par. Tipo aquela brincadeira do telefone sem fio, fico imaginando o que o penúltimo falou pro último. Vini parecia exaltado.

- Mas eu não desisto. Eu tento de novo. Uma vaga no paraíso com certeza não é uma coisa fácil de se conseguir.

Quase todo mundo olhou pra ele. O Lóki.

- Paraíso sim! Pra sair desse Inferno da Miséria. É uma atitude desesperada? É! Mas quem nãos estiver nessa situação, que atire a primeira pedra.

Tinha um cara na fila, com uma pasta da Uniandrade debaixo do braço, que fazia um certo tempo que estava com uma cara de invocado. Quando viu que o Jean voltou também pro fim da fila se emputeçeu.

- Esses caras tão de alugação!
- É verdade! ¿ emendou um engravatado com pasta de executivo.
- Já é o terceiro que tava na minha frente e voltou pro fim da fila. Tenho aula, não posso perder tempo com palhaçada.

Jean achou por bem intervir. No roteiro prévio que tínhamos planejado Fábio era o designado pra fazer o papel de neguinho indignado, mas pintou oportunidade pra um free lance de terceiros.

- Se não pode perder tempo, o que está fazendo aqui?
- Eu não vou discutir isso contigo agora, tenho mais o que fazer.
- Pois deveria, já que quis dar palpite sobre o que estou fazendo.
- Eu só queria dizer que ninguém aqui está pra brincadeira.
- Não estão aqui pra brincadeira?! O que é o jogo além de uma bricadeira?

Um senhor, como toda a pinta de balaqueiro, resolveu se intrometer.

- Estamos nesse jogo pra ganhar, rapazinho. Levamos o jogo a sério, é isso que esse moço quer dizer.
- Levam o jogo a sério? Não posso acreditar. Por Éris, não creio! As chances de se ganhar são tão pequenas que isso que o senhor falou chega a ser ridículo.
- Isso é o que você pensa e ninguém é obrigado a pensar da mesma forma.

O quiprocó já estava feito. O pessoal da fila já era uma platéia interativa. Fábio, que estava meio que sobrando por causa do carinha invocado resolveu participar, improvisando a partir dos papos do Vinícius sobre a Cabala.

- Falou muito bem senhor, isso é o que nós pensamos.

Todos se surpreenderam com essa aparição inusitada. Acredito que para alguns já estava claro que alguma coisa muito estranha estava acontecendo. Fábio continuou, apontando pro nervosinho da Uniandrade.

- Que direito tem esse cara de dizer que estamos de alugação? Sabem estas dezenas que tenho aqui anotadas? Não são dezenas comuns! São números cuidadosamente calculados após profundos estudos sobre a Cabala, o Tarô, o Calendário Maia e os Búzios dos Orixás.

Todos riram. Era muita viagem. Achei que a hora de acionar o desfecho. Pisquei pro Sergio e ele, que tinha ficado incubado o tempo todo nas proximidades, dirigiu-se pra dentro da loja. Pediu pra falar com o gerente e foi apresentado à dona do estabelecimento. Era uma senhora com uns peitões enormes que mais parecia dona de zona.

Sergio fez uma reclamação formal de que havia um bando de desocupados atrasando o andamento da fila. Ela fez uma cara de intrigada e foi imediatamente conferir o que estava aconteçendo. Flagrou Jean em pleno discurso sobre estatíticas. Fazia comparações sobre as chances de ganhar na Mega Sena, com as chances de ficar rico com outras modalidades de sorte, menos passivas, menos patéticas e mais prováveis.

Foi engraçado, ele em plena retórica inflamada e sente um cutucão no ombro, olha pra trás, vê aqueles peitões mastodônticos na altura do nariz e dá um pulo de susto. Jogo de cena, eu sei, mas a galera deu altas risadas.

- Posso saber o que vocês estão fazendo?

Sem esconder uma certa expressão de impaciência Jean explicou tudo o que já tinha acontecido. A velha ouviu tudo, mas não sem esconder uma expressão de impaciência maior ainda. Algumas pessoas da fila visivelmente estavam curtindo o barraco. Teve uma senhor que até comentou em acréscimo.

- Eu tenho um amigo que comenta que as chances de você encontrar um bilhete premiado perdido na rua são maiores do que acertar na loteria mesmo.

O bate boca já estava atraindo a atenção dos transeuntes e a Dama dos Melões resolveu dar um basta.

- Escuta aqui ô seus moleques, tenho mais o que fazer. Alexandre! Ligue pra guarda Municipal!

Alexandre? Guarda Municipal? Melhor não arriscar. Quem tem rabo preso não costuma cutucar a onça com vara curta. Quem tem cú tem medo. Dei o sinal de vazar e nos dispersamos imediatamente. Estilo flash mob, cada um foi pra um lado, praticamente correndo. Essa atitude deixou um ar de estranheza maior ainda a quem assistiu nossa intervenção.

Nos encontramos numa banca de cachorro quente na Deodoro, todos rindo, chapados com a adrenalina do improviso.

- Cara, ficou massa!
- Podes crer, me melhorasse piorava.

Temos certeza que naquela noite nosso Teatro Secreto foi comentado em diversas rodas de conversa. Somos mesmo uns semeadores de memes inconseqüentes.

::: posted by ARI ALMEIDA at 10:23 AM


nem esse, só o primeiro

Quinta-feira, Junho 24, 2004 :::
 
A Volta Ao Mundo Em Oitenta Bolas Na Trave

Muita gente deve pensar, pô, esses caras são fodas, tudo o que eles fazem dá certo de um jeito ou de outro. Nada véio, eu é que só conto os ataques que dão certo. Se bobear, já devem ter rolado uns oitenta ataques que não deram em nada. Se bem que muita gente fala, talvez até com razão, que todos os nossos ataque não dão em nada.

Vai saber.

Mas tudo bem, vou aproveitar que hoje à tardinha vai rolar mais uma ação e pra agradar a éris e outros deuses obscuros, vou contar de nossa última tentativa frustrada de empreender um ataque. Quer dizer, minha tentativa de ataque, pois o resto do pessoal só atuaria na segunda parte do plano, que não rolou. Creio que não deu certo por causa dos vudús daquela bruxa escrota. Explico.

Tudo começou com a piazadinha que joga bola na rua, em frente ao nosso Sagrado Muquifo do Sítio Cercado. Sacumé, nesses casos é inevitável que a bola volta e meia caia em alguma quintal de uma casa próxima. Só que quando a bola cai no quintal da coroa solterona da casa verde é encrenca certa. Ela briga, xinga, esculhamba e o diabo. O jogo sempre para uns quinze minutos.

Pois bem, teve um dia em que um piazinho, Pedro Antonio o nome dele se não me engano, ganou uma bola nova, juntou a galerinha toda pra estreá-la e rolou um clássico esportivo do bairro. Já tava no segundo tempo, o pessoal já tinha trocado de lado, quando alguém deu um chutão e a bola bateu na grade de ferro da janela da bruaca.

Veja bem, na grade de ferro da janela. Não quebrou nada.

Só que ela se emputeçeu de uma maneira absurda. Saiu de dentro de casa babando de raiva e com um canivete fez picadinho da bola nova de Pedro Augusto. Uma sacanagem do caralho. A piazadinha se dispersou e o jogo acabou. O coitado do piá estava incosolável, chorava que não parava mais. Levei ele no Muquifo e dei uns gibis pra animá-lo.

Jurei vingança contra aquela jararaca.

Ela é tão mala que fez uma caixa de ferro fechada com corrente e cadeado pra colocar seus sacos de lixo. Só abre quando chega o caminhão de recolhimento da prefeitura. Ela espera os caras na frente de casa. Tudo pra que os catadores de papelão e os mendigos em geral não façam sujeira.

Meu plano era explodir essa caixa de lixo como um aviso e depois invadirmos a casa pra deixar alguma coisa horrorosa. Queria praticar um ato de Horrorismo Poético. Ou outra coisa qualquer, inicialmente eu queria explodir aquela porra.

Mas como? Com o quê? Dinamite?

Porra, só que nada deu certo. Eu tentei de tudo e a cada merda que dava mais sujo de tentar de novo, ela poderia estar de vigília por causa do medo. Primeiro foi uma bomba feita com pólvora de rojão. Fez um barulhão cavalar e nada mais. Depois foram as receitinhas malditas do livro do Clube da Luta. Tudo balela, aquelas porras não funcionam. Deve ter alguma coisa faltando que o autor escondeu pra não se sujar. Lóki sou eu de tentar. Manezão. Um ingrato amigo da net, chamdo Malaclypse ficou de me mandar umas recitas de bombas caseiras pela por e-mail mais furou. Merda.

Por fim chutei o pau do barraco, enchi aquela merda de gasolina e taquei fogo, queimou até umas horas, a lazarenta se apavorou tanto que até os bobeiros chamou. Ridículo. No outro dia pintou de verde e estava novo novamente.

Filha de uma putana.

O resto do pessoal ficou cabreiro de invadir a casa depois de toda esse meu estardalhaço e dessa ela se safou. Mas ainda não desisti, não perdôo pessoas que cometem CCI, Crimes Contra a Imaginação.

Sugestões enviem para o e-mail arialmeida2003@yahoo.com.br

Pois então, façam figa, pois hoje vai rolar mais um ataque. e para o seguinte, estamos confeccionando uma fantasia de bob Esponja. Fala sério.


::: posted by ARI ALMEIDA at 12:46 PM


nem esse, só o primeiro

Segunda-feira, Junho 21, 2004 :::
 
EXCLUSIVO!!!
Nossa homenagem àquele que só nos trouxe incomodação e pulgas

Animal é Quase Gente
(ataque quarenta e nove)

Aqui no Brasil a luta pelos direitos dos animais ainda soa como piada. Tanta gente se fodendo de verde e amarelo faz com que os adeptos dessa causa pareçam uns Dom Quixotes mais perdidos que filhos de puta em dia dos pais. É triste? É lamentável? É, mas não se pode negar nossa dura realidade de miséria tropical. No entanto temos um fato curioso. Nos bairros mais pobres das grandes cidades (e até nas pequenas) é onde encontramos a maior população canina. Basta dar uma banda num bairro da preferia na madrugada pra checar isso. Uma cachorrada do caralho! Taí uma boa tese pra antropólogos e sociólogos.

(Marmita fala que área correta de estudo os antropólogos deveria ser os antros. O cú não tem nada a ver com a cueca, eu sei, mas queria registrar isso em algum lugar. Eu diria que o mesmo vale pra Malacologia. É uma ciência!! Marmita é mesmo impagável)

De minha parte eu arriscaria dizer que esse carinho dos pobres para com os cães tem a ver com misericórdia. O ocultistas costumam soltar esse jargão: Só que ¿viu¿ entende. Pois com a miséria vale a mesma regra, só que esteve lá, bem na merda mesmo, sabe o valor que tem essa tal misericórdia. Daí esse carinho todo especial dos pobres para com os cães. Eles são a sublimação de nossas vidas miseráveis. Por mais que a gente se queixe, são eles que levam uma vida de cão.

Não tenho pudores em admitir que nós nos encaixamos nesse segmento da população que, no miserê, acaba desenvolvendo essa estranha relação com os cães. No nosso caso, uma idolatria para com uma criaturinha pulguenta, barulhenta e mala sem alça chamada Jubykão. Até por quê, as circunstâncias em que ele chegou até nós foram todas especiais, foi durante um ataque. Herdamos ele no dia em que sabotamos um Hotelzinho de Cachorro no ano passado.

Náááá!!! Chega de enrolação! Por que caralho eu estou insistindo tanto nesse assunto? Calma, eu conto. A parada toda começou quando o convalescente (com tendência a vagabundo) Vinícius me ligou no trampo um tanto preocupado.

- Ari, o Jubykão tá mal. Tá cagando toda hora e tem sangue na merda. Não quis comer nada, o que é um sinal de que alguma coisa está errada com ele.

Isso pela manhã, depois do almoço mais uma ligação.

- Ari, o lazarentinho tá mal mesmo, agora tá vomitando e tremendo quem nem o Ronaldinho na final contra a França.

Quando cheguei no muquifo à noite pude constatar que o Vini não estava exagerando. Nosso quintal estava que era só bosta, sangue e vômito. Jubykão estava só carne e osso e tendo convulsões toda hora.

- Ô seu porra! Você não viu que o que tá tendo são convulsões? Isso não tem nada a ver com tremedeira e o pior, ele tá frio pra caralho. Então febre não é.
- E eu sou veterinário agora?

Nisso chegou o Jean e quando viu nossa mascote agonizando lembrou da vizinha do outro lado da rua que ele estava meio que de paquera.

- Ela faz veterinária na Federal, vou chamar ela.

A mina ainda demorou a chegar da facul e quando pôs os olhos no dodóizinho já bateu o martelo.

- Posso até estar errada, mas tudo indica que ele tá com XXX em fase terminal. Pode morrer a qualquer momento.
- Puuuutz!! ¿ Exclamamos em uníssono. Jubykão era como um membro da família.

Enrolei ele com uns panos velhos, pois estava muito frio, e coloquei na casinha. Entregue à própria sorte. A mina falou que até daria pra tratar essa doença, mantendo ele vivo na base de Gardenal até que o corpo desenvolvesse os anti-corpos necessários pra expulsar o vírus. Além de ser um tratamento caro, não era certeza que funcionaria. Lamentável, mas realmente tivemos que deixá-lo nas mãos de Éris.

Marmita fez questão de passar a noite com a gente no muquifo acompanhando Jubykão e fazendo preces a Éris pra que nosso Mascote sobrevivesse.

- Éris, a mais bela, acredite, esse animalzinho gera uma tremenda Discórdia saudável que mantém a piazada afastada da Maldição do Caracinza.

Pelo visto a deusa não se convenceu, pois as quatro da matina Marmita me acordou.

- Ari, fodeo!!

Jubykão jazia em sua casinha, já pertido dessa para melhor. A tristeza baixou sobre o muquifo no fim de semana. Pra completar uma nova e poderosa frente fria chegou do sul na madrugada da morte de nosso herói. No frio, a tristeza pareçe ser mais triste. Durante o sábado a discussão foi grande sobre o que fazer com o corpo do Jubykão.

Fábio, sempre o mais dramático, queria enterrá-lo num terreno baldio.

- E então esse terreno deixará de ser baldio pra virar um centro de peregrinação delinquente.
- É, pode até ser...

Só que parecia que faltava algo, não sei se era por causa da aura de tristeza que impregnava o ambiente ou sei lá o quê, a sensação era de que ele merecia algo mais estiloso. Algo mais style. Foi Jean quem salvou a revolução.

- Galera, já sei! Um enterro Viking!!
- Enterro Viking??? Que porra do caralho de merda você quer dizer com isso?
- Sepultar o dog num ataque.
- Tipo assim... Seja mais claro
- Abandonar o corpo em algum lugar estratégico.

O silêncio dos pensativos se abateu sobre todos. Olhos brilhando. Neurônios maquinando e aos poucos as idéias surgindo e sendo pronunciadas. Em cinco minutos o ambiente já estava um pandemônio, com idéias de gerico, ataques de megalomania vândala e muitas gargalhadas. Foi difícil chegar num consenso. Fábio foi quem teve o plano mais coerente.

- A gente pode se dividir em duas equipes.
- Duas equipes?
- Sim! Uns vão na frente, fazem o sepultamento propriamente dito e a outra equipe vai depois.
- Ótimo, mas onde será feita a cerimônia.
- Que tal numa loja especializada em artigos de couro? De preferência de artigos sofisticados e caros.
- Maaaassa! Dá pra meter no meio a parada dos direitos dos animais!!

Imediatamente começamos a mexer nossas respectivas Bundas Gordas & Bundas Magras. Uma coisa era certa: precisaríamos estar vestidos com roupas chiques pra podermos nos passar por burgueses. Coisa difícil pra pé rapados como nós.

- Jean, como foi teu rompimentos com aquela mina burga? Foi amigável? Dá pra conseguir uns panos descolês com ela?
- Com ela não, mas deixa comigo que eu consigo com outra guria.

O corpo do Jubykão passou o fim de semana inteiro sendo velado, já que o enterro só poderia ser realizado na segunda. Eu estava no trampo quando Jean me ligou.

- Ari, cinco e meia na frente do bondinho da Rua XV.
- Beleza.

Marmita não pode ir, pois estava trabalhando e Sergio tinha encontro com uma mina e como isso é coisa rara, não quis cancelar. Decidimos trocar de roupa nos banheiros do McDonald´s da Boca Maldita. De uma certa forma seria como se eles tivessem nos ajudando, servindo de cúmplices. Tínhamos escolhido dois alvos potenciais, o primeiro era no calçadão mesmo.

Jean entrou na loja com Fernanda, uma mina que ele tá ficando, chiquérrima. Ele próprio nem parecia o motoboy de subúrbio que é. O corpo do dog estava numa sacola da Renner. Começaram a experimentar botas pra Fernanda e ela não parava de cagar na cabeça dele.

- Dia dos namorados atrasado é o fim da picada! E tú ainda quer noivar?
- Mas amor, estou disposto te dar o que tú quiser!

Só que a mina paunocú que estava atendendo ficou de butuca o tempo todo. Jean tentou contornar, puxava assunto contando seu drama, pedia um copo dágua, mudava de assunto, mas ela sempre lá, agourando. Ficaram meia hora nesse lenga lenga e nós lá fora, na maior das expectativas.

As lojas iriam fechar!!

Até que vinicius se indignou e entrou na loja, dando o sinal pra abortar a missão e tentar o segundo alvo. Fomos então pra loja mais fresca, justamente a opção mais difícil. Será que a alma canina de Jubykão queria aprontar mais uma com a gente? Eu nunca engoli aquela história dele ter mordido, roído & rasgado minha coleção de gibis do Hellblazer.

Só que o Inesperado volta meia toma atitudes inesperadas e desta vez nos demonstrou o impensável: os burgueses, além de não saberem se divertir, são uns completos manés arrogantes. Foi a senhora saber que Jean compraria uma bota caríssima, desde que sua namorada se agradasse de alguma, que deixou os dois completamente à vontade, trazendo até cafezinho. Ficaram vinte minutos experimentando botas atrás de botas até que surgiu a deixa perfeita e acomodaram nosso querido cãozinho numa caixa de uma bota de 475 pilas.

Quando a dona da loja voltou disseram que voltariam no outro dia pra buscar o presente. Se despediram e picaram a mula em direção a onde estávamos, a meia quadra de distância. Damos um tempo estratégico pra não levantar suspeitas e fomos concluir a sacanagem. Fábio estava com uma amiga que não eu não conhecia e que não lembro o nome, impecáveis os dois também. Eu fiquei com Vinicius do lado de fora aguardando o desfecho. Entraram e pediram pra ver umas sandálias, depois sapatos e por fim as famigeradas botas. Quando a amiga dele abriu a caixa premiada soltou um berro tão grande que ouvimos de onde estávamos, no lado de fora da loja.

- O que é isso??
- Isso é um absurdo.

A dona da loja, mais duas funcionárias vieram checar o que estava ocorrendo. Eu e Vini entramos no papel de curiosos. O massa foi que mais três pessoas que passavam na rua entraram também pra ver porque aquela menina gritava tanto. Uma atriz e tanto a amiga do Fábio, não parava de gritar. A dona da loja tentava se justificar de tudo o quanto é jeito.

- Realmente, não sei como esse troço foi parar aí dentro.
- A senhora que dizer que não é responsável por isso? ¿ Fábio parecia indignado.
- Claro que não senhor isso é terrível.
- Terrível?? Terrível é a falta de consideração de vocês para com os clientes. Minha noiva tem problemas cardíacos e se algo acontecer podes ter certeza que processarei esse muquifo anti-higiêncio.
- Me desculpa senhor, me desculpa! ¿ A coitada da mulher tremia de nervosismo e estava prestes a surtar.
- Eu deveria chamar a vigilância sanitária ou coisa que o valha!

Nesse meio tempo pegou um papel que tinha junto ao cachorro morto, não sem demonstrar todo o nojo do universo em suas expressões faciais e leu o que estava escrito:

¿Esta loja promove uma carnificina aos meus semelhantes e já que morri manifestei no testamento meu desejo de vir pra cá, pra que pelo menos UM animal deixe de ser sacrificado em prol de lucros abomináveis¿

Vinícius, o palhaço, se desatou a dar risada falando que o cahorrinho tinha razão, um dos transeuntes desconhecidos também riu. A dona da loja, vendo que a coisa estava saindo definitivamente do controle mandou uma funcionária baixar as cortinas pra fechar o estabelecimento. Fábio saiu chutando caixas de sapato e no fim, quando a cortina baixou por completo, deu um puta pontapé. Desnecessário dizer que saímos rachando o bico de dar risada e duas horas depois, bêbados de cerveja num lanchonete de um chinês, ainda não conseguíamos parar de rir.

- Jubykão deve estar latindo e chacoalhando o rabo no além.
- Podes crer.
- Amém!

::: posted by ARI ALMEIDA at 1:01 PM


nem esse, só o primeiro

Sábado, Junho 19, 2004 :::
 
Pessoal, sei que demorei pra caralho pra postar esse ataque.
Sei que ando extremamente vagabundo nos últimos dias.
Mas quer saber? Vão se fuder! Não adianta chorar sobre a pinga derramada. Aqui está a porra do relato em que o Vinicius se fudeu
E ó: já vou adiantar, tem mais um ataque atrasadi. Nosso mascote Jubykão pegou uma virose fúúúudida e bateu a caçuleta. Claro que nosso adorável cãozinho mereçia uma homenagem e assim o fizemos. Acho que na segunda eu posto o relato dessa homenagem.
Inté!!!!!

Não Falei? Bingos São Uma Merda!
(ataque quarenta e oito)

A polêmica dos bingos nos colocou num dilema, sabotar algum bingo ou não. Ultimamente eu estava lendo o livro Homo Ludens do Huizinga e pensando muito sobre a tendência ao ludismo nos seres humanos. Somos mesmo uns cagalhões crianções que adoram brincar e jogar. Debatendo esse assunto no Muquifo chegamos à conclusão de que jogos de azar tem pouco ou nada a ver com ludismo e bingos seriam a maneira mais escrota de se explorar economicamente essa tendência natural do ser humano.

A princípio pensei: é foda sabotar os bingos se eles estão num impasse de abre ou não abre e aqui no Paraná estão fechados ainda. Deixei a idéia em segundo plano, incubada. Só que bons memes são como o vírus da gripe, fazem mutações e quando reaparecem estão mais poderosos, resistentes a remédios. Esse meme em questão surtou numa tardinha de chuva, quando debaixo da minha pagau que tomei emprestada de uma amiga vi o Bingo fechado. Troço bizarro, aquela aparência luxuosa agora toda apagada. Um simbolismo perfeito. Atacar o bingo, estendendo uma faixa na frente, num dia cinza e chuvoso, seria perfeito.

Só que antes de continuar preciso explicar melhor a origem desse meme. A idéia surgiu numa daquelas possibilidades de uso mais massas que a Internet nos propicia, a Inteligência Coletiva. Várias pessoas opinando sobre o mesmo tema simultaneamente, uma sinergia relâmpago e porque não dizer? Uma TAZ. Estávamos discutindo formas de se sabotar um bingo. O problema a ser contornado era básico: aquelas porras de casas de jogos estão sempre entupidas de seguranças. Pesou-se em fazer Teatros Secretos, que são sempre mais seguros, mas eu encasquetei que queria uma sabotagem e uma sabotagens das boas. E não deu nega, lá pela troçentézima teclada eis que surge o plano, cobrir o telhado do bingo de merda num dia em que a chuva estivesse se aproximando. Aí, quando chovesse a merda escorreria pelas beradas.

Foi vendo aquele bingo fechado no crepúsculo que cheguei à conclusão de que um ataque nesta linha seria perfeito, por mais que poucas pessoas visse (ou não) o simbolismo seria tão forte que o efeito seria mais eficiente do que se talvez fizéssemos o mesmo com a parada aberta. Cheguei no Muquifo e apresentei o plano pra piazada.

- Mas que merda! Merda de novo Ari?
- É verdade, o Vinícius tem razão Ari, que merda você tá planejando?

Então contei a eles a viagem planejada no blog.

- Cobrir o bigo de merda???
- Hahahahaha!!!! Ari, tú não presta, tú é um doente! Hahahahaha!!!!
- Mas Ari, os bingos não estão fechados?
- Pessoal, acordem seus neurônios, se fizermos a coisa do jeito que falei, será até melhor que aquelas porcarias estejam fechadas.

Depois daquele bate boca básico a piazada acabou concordando. Marmita foi foi mais técnico, como sempre, diga-se de passagem e sugeriu que usássemos excrementos de galinha.

- São mais moles, se dissolverão mais facilmente.
- Tá, mas vamos conseguir onde o material.
- Teríamos que andar um pouco, tenho uma tia que mora num sítio no interior de Tijucas do Sul e lá eles tem uns três galinheiros, se não for suficiente dá pra conseguir com os vizinhos.
- O ideal seria um aviário.
- Pode cer, mas você conhece ou tem arrego com algum dono de aviário?

Decidimos ir até Tijucas do Sul mesmo. Contratamos nosso quebra galhos oficial Társis e sua picape ¿delinqüente móvel¿. Marmita realmente é bem quisto pelos seus parentes, a tia dele nos esperou com um café colonial estiloso. Pra quem tá acostumado a comer pão com margarina ou bolachinha no café e mijo nas refeições lá no Sagrado Muquifo aquilo foi um banquete histórico.

Bem alimentados conseguimos mais ou menos uns trinta quilos do material desejado. Posso te garantir, catar bosta de galinha é bem mais escroto do que aparenta. Aquela merda fede pra caralho! As galinhas costumam mijar muito (segundo o tiozinho do sítio, confesso que nunca vi e não consigo imaginar um a galinha mijando) e o mijo misturado ao esterco exala um cheiro forte e azedo que fica impregnado na roupa e no cabelo.
Pra completar a escrotidão toda Marmita passou a noite coçando a cabeça, pegou piolho de galinha. A galera não perdeu a chance de zoar.

- Ô Marmita! Cuidado aí véio. Minúsculo do jeito que você é capaz que esses piolhos suguem tanto sangue a ponto da gente ter que te levar pra fazer uma transfusão de sangue.
- Vai de fuder seu cuzão!

Na noite de sábado Jean foi com Fábio averiguar o alvo e fazer um mapa com o trajeto mais adequado pra efetivarmos a cagada, literalmente. Marmita fez uma busca pelas redondezas do Muquifo e voltou com uma porrada de pedaços de madeira pra fazermos uma escada descartável. Sérgio e Vinícius fizeram uma faixa com uma frase estratégica pra colocarmos na frente do bingo depois da ação. O fim de semana tava chuvoso e tudo indicava que seríamos bem sucedidos.
Meia noite Társis chegou com sua picape e ficamos jogando roleta no nosso Cassino clandestino pessoal até as três da manhã. Chegada a hora partimos em missão subversiva. Estacionamos a picape a cinco quadras de distância e descarregamos rapidamente o material. Enquanto o pessoal subia pela escada Mamitiana fiquei conversando com Sérgio, que ficaria com um apito em baixo pra nos avisar se desse algo errado (o viado nem assobiar sabe).

Quando cheguei no telhado encontrei o pessoal todo sentado fazendo umas caras pensativas.

- Que foi?
- Olhe ao redor. Como é que vamos fazer pra esparramar a merda de modo que escorra pela frente? Não vai dar certo. Aquela parede ali na frente ferrou com tudo.

Fábio, nosso especialista em análise de alvos, estava desconsolado e cobria o rosto com as mãos em sinal de decepção.

- Caralho! Como é que eu não me liguei nisso?
- Mas e agora?
- E agora? E agora eu não sei. Eu não sei!

Marmita, o mestre das gambiarras, aquele ser que nos momentos mais absurdos revela sua inteligência alienígena, deu a solução.

- Uma calha geneticamente modificada.
- Calha geneticamente modificada? Você pirou, foi? Olha que isso pode ser grave.

Então ele levantou-se e começou a caminhar sobre as telhas falando e apontando feito um apresentador de programas de auditório.

- Observem que a parde é perfeitamente horizontal.
- Tá e daí?
- Daí que basta a gente colocar uma calha levemente inclinada pra frente e cobrir as beradas com alguma coisa. Assim que a calha encher a merda toda começará a escorrer.
- Perfeito! Genial, seu McGyver, mas e as calhas, caralho? Onde vamos conseguir essa maldita calha a essas horas da madrugada?

Marmita não respondeu nada, apenas apontou com o dedo um armazém com um jeitão de abandonada que ficava nos fundos do bingo.

- Cê tá falando sério? Tá insinuando que devemos roubar aquela calha?
- Claro, porque não?
- Mas é foda mesmo...

Jean nem titubeou, começou a descer as escadas imediatamente.

- Que me acompanhem os bons!!

Marmita e Fábio foram junto, enquanto eu e Vinícius começamos a colocar merda sobre a placa que dava nome ao bingo, não ia escorrer muita coisa, mas pelo menos a parada ia ficar bem mais fedorenta que o original. Em poucos minutos os piás estavam de volta com a calha e uns pedaços de arame que encontraram pelo caminho.

A instalação foi bem mais rápido do que eu imaginara. Colocar a merda não, demorou pra cacete. Estávamos quase acamando quando ouvimos o apito de alerta do Sérgio. Nos escondemos todos atrás da tal parede frontal tensos e preocupados. Dois minutos depois mais um apito, dessa vez bem mais forte. Jean foi rastejando até a lateral pra ver que diabos estava acontecendo. Voltou com um sorriso tranquilizador no rosto.

- Relaxem seus manezões, é só o vigia do bairro.
- Só o vigia do bairro? Quer dizer que tem vigia nessa merda de bairro.
- E se tiver vigia no bingo também?
- Não viaja, eu e Fábio checamos isso, não somos tão tongos assim. A porra toda é protegida por alarme e eles não perderiam essa chance de economizar uma grana.

Alguns minutos depois recomeçamos nossa tarefa. Com tudo em cima a chuva começou a apertar e frio começou a aumentar.

- Bóra, vamos descer de uma vez!!

A piazada foi descendo apressadamente. Estávamos felizes e eufóricos devido a tudo ter dado certinho. Nem tudo, meu chapa, nem tudo. A gurizada já tinha descido, só faltava eu e o Vini quando o viado do caralho escorregou na bosta que nós tínhamos colocado na lateral. Segurei ele pelo seu moletom, mas comecei a escorregar junto.

- Te segura porra, te segura!!!!
- Tô tentando Ari, tô tentando, não solta!!!

O cara tava pendurado numa altura de quase quatro metros e tava pesando pra caralho. O pessoal lá em baixo entrou em desespero.

- Agarrem alguma coisa, pelo amor de Éris.

Sérgio veio correndo, mandando a campana à puta que o pariu.

- Não gritem!!!

Então Inesperado mais uma vez nos sacaneou. O moletom do Vinícius rasgou e ele despencou lá de cima. Foi um estrondo seco quando ele chegou ao chão.

- Aaaaaaai!!!!
- Que foi cara? Você tá bem??
- Aaaaaaaaaai! Meu braço, o meu braaaaço!!!!

Puta que o pariu, o cara quebrou o braço feíssimo. Fratura exposta.

- Caaara, isso é grave, corra no orelhão e liga pro Társis!!

Vinícius, que a princípio chorava de dor, desmaiou. Nos cagamos de medo, não tenho como mentir. Em cinco minutos Társis tava de volta, com uma cara de sono.

- Caralho, como é que foi que isso foi acontecer?
- Vamos pro Pronto Socorro! No caminho te explicamos.

Enquanto fui com Jean levar o Vini ao pronto socorro os piás esticaram tristemente a faixa com a frase que não podia ser mais emblemática pra situação, tanto dos bingos quanto a nossa:

¿Eu sabia que ia dar merda¿

No fim deu tudo mais ou menos certo, vini não teve maiores seqüelas, mas teve que colocar um pino no braço e engessá-lo. Moral da história:
O Ministério do Caos adverte: delinqüência Juvenil pode causar lesões físicas leves, média e graves.

Acautele-se.

::: posted by ARI ALMEIDA at 12:20 PM


nem esse, só o primeiro

Terça-feira, Junho 01, 2004 :::
 
QUAIS AS VANTAGENS DE SER UM DELINQÜENTE????
Os bolas, essas são algumas delas:

A possibilidade de vandalizar a seu bel prazer qualquer espaço que tenha sido criminosamente comprado como Propriedade Privada.

Desrespeitar, assim como zoar, qualquer lei ou regra que não tenha sido por ele próprio criada.

Roubar todos os bens básicos necessários a sua vida (não me venha com esse papo de sobrevivência) com a cara de pau e a desenvoltura de quem tem Conceitos & Teorias & Teses que justifiquem sua atitude.

Apossar-se de Conceitos & Teorias & Teses e tirar proveito deles colocando-os em prática sem a mínima obrigação de estar sendo fiel ao que o consenso geral considerou como a correta interpretação de tal Conceito ou Teoria ou Tese.

Poder queimar o filme no dia-a-dia de quinhentas mil formas e poder justificar, diante dois estupefatos, com o migué de que trata-se apenas de Teatro Secreto.

Adotar o Cinismo & o Sarcasmo como ferramentas de Ataque & Defesa pra inúmeras situações.

Poder Jogar & Brincar com todos os Conceitos & Teorias & Teses para o Único & Exclusivo & Sagrado fim da diversão, pois se não salvarmos o nosso mundo, que outro mundo seremos capazes de salvar?

Ser autorizado a criar Heróis Por Uma Noite & Mitos Por duas Horas, assim como zombar de Mártires Seculares & Dogmas cobertos Por Teias de Aranha.

Poder ser praticante das religiões mais Absurdas & De Boteco & De Maconheragens possíveis. Religiões que exijam, por exemplo, que se pixe Tags Medonhas nos lugares mais tabus que deixem os mais caretas cada vez mais indgnados e mais putos e mais sem saber coimo encontrar uma solução.

Sabendo a que ponto a vida cotidiana transformou-se em teatro, poder apropriar-se dos personagens e modelos prontos pra dar risada e tirar onda desse próprio teatro.

Saber que, já que você é aquilo que a sociedade caga, pode também ser o micróbio que intoxica o metabolismo social já doente e que, apesar de se tratar de um micro-organismo insignificante, tem o potencial de desencadear uma autêntica paranóia de contaminação coletiva.

Satisfazer seu desejo mais imediato, mais urgente, sem para isso precisar sacar a carteira e torçer pra encontrar alguns trocados nela.

Possuir o dom duplo de ignorar datas célebres e ao mesmo tempo decretar qualquer data, devido a quaisquer motivos como feriado a ser comemorado.

Não dar a mínima pra qualquer monumento histórico ou que celebre a Nefasta Grande Arte, tendo carta branca pra utilizá-los como matéria-prima para realização daquilo que nas suas circunstâncias e no seu contexto particular, considerar uma autêntica obra de arte.

Não respeitar nenhuma cerca, nenhum muro e nenhuma fronteira. Andar livremente por um espaço liso que sabe ser seu, tendo sempre em mente que privatização de espaço público de cú é rola.

Esnobar a Educação formal. Não ir à aula, sabotar as escolas e ainda por cima convencer o maior número de semelhantes a fazer o mesmo.

Ganhar a simpatia de todos (todos que importam, pelo menos) por ser O Grande Aterrorizador & Sabotador & Gozador dos abomináveis shopping centers e agências bancárias.

::: posted by ARI ALMEIDA at 2:24 PM




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