..Seja realista: exija o impossível
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..TERRORISMO POÉTICO
..ARTE SABOTAGEM
..TEATRO SECRETO
..RELIGIÕES LIVRES
..CONCEITOS DISTORCIDOS
..IDEOLOGIAS SAQUEADAS
..PIRATARIA DE IDÉIAS
..SABOTAGEM CULTURAL
..LINKANIA
..FNORD
..
..Ofensas pessoais a Ari Almeida pelo e-mail:
..[ arialmeida2003@yahoo.com.br ]
..
..[[[ BOTECO DO ARI ]]] ..Este Boteco é uma Central de Vadiagem
..Nele as pessoas matam trampo ou aula. Fique à vontade, véio!
..Esta porra aqui em baixo,
..Pra essa porra funcionar direito
..precisa ser atualizada através
..do clique da direita

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..DELINQÜENTIOS & DELINQÜENTIAS
COM MUITO ORGULHO APRESENTO A TODOS OS LINKS DOS
PARA OS BRÓGUESGRÓGUES DOS FREQUENTADORES MAIS
ASSÍDUOS DESTE ANTRO DE VÂNDALOS:

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..Manan Blog
..Blog do meu amigo gaúcho torcedor do Internacional
..Ô loco meu!!!!
..É o Rafiuzkiz na fita
..Memórias de Um Cheira Cola
..Reverendo .Fatsync é um Monstro Sagrado Absoluto
..Assim Assado
..A Pirofágica é a Piristrela do meu Coração Camaleão
..mundoYmundo
.. Blog de uma Ratazana Freestyle chamada Jubyleu
..O Entorta Cano
.. Juca Sassafrás apavorando Floripa...e a net...e o Sistema (Monstro Sist)
..Mada de Nada!!
..É a Dani!! É a Dani
..Reverendo Freak C
..Meu irmão separado na maternidade, de fé mesmo
..Le Freak Zona
..Home Page da lenda viva que já foi Fong, que é Kirk e Minimalista
..
..
..Timóteo Pinto
..Eu, tú, ele, eles, nós, vós. todo o mundo é Timóteo Pinto
..Seja Timóteo Pinto no Orkut, para fazer isso entre com os seguintes dados:
..User = timoteop
..Password = tim2323
..Faça isso e barbarize aquela porra!!!!!!!!
..Nos outros lugares, basta dizer: Todos somos Timóteo Pinto
..
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..A JUVENTUDE DOENTE NO REINO DOS BLOGS ou
..O CAOS AVANÇA!!!!!!!!!!!!!!!
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..Psicodelismo & Arte
..Prestem atenção nesse fotolog, coisa fina, palavra de delinquente!
..Otacílio Couto
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..Meu velho amigo Ota, atuando em duas frentes, blog & fotolog.
..Biocosmo
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..porque tú tá ligado que o caos é uma arte, não é mesmo?
..Caos!!!!
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..Poesia, literatura, artes, cultura japonesa e multiculturalismo - By Mak
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..Reciclável
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..Fotolog da Dória
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..Ópio
..É o Ralph matando a pau num nums blogs mais estilosos da nossa coluna da esquerda, leitura obrigatória e quase diária
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..Marcas Urbanas
..Uma coletânea de fotos de Stencils, colagens e grafittis desta Curitiba Cinzenta & Gelada
..O Templo
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..StraighEdg Bandido!!!
..O cara odeia Ari Almeida, sujeito decidido
..blog do CADELÃO
..O Blog do Cadelããããão!!!! Bóra todo mundo vandalisar o blog desse depravado século XXI!!!
..
..
..
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..Com vocês:
..O ESTRANHO mundoYmundo DE
..DANI.EL MACEDUSSS
..rranhyu
..ornitorrincosss
..Macedusss não existe
..derrotados pela própria fraqueza
..E esta lenda morta tmb edita ZINES
..
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..
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..
.. e-zines (cultura pop: existe isso?)
..banditzine
..Natalcore
..Omelete
..Rock Way of Life
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..Trabalho Sujo (ele mesmo, o Matias Maxxx)
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.. leitura diária (delinqüentes lêem todo dia?)
..no mínimo
..Marketing Hacker
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..Tudo Paraná
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..Ódio
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..NENHUM HOMEM É UMA ILHA
..MAS TAMBÉM NENHUM HOMEM É UMA SALADA DE BATATAS
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..Você tem o endereço, porque você não passa lá
..CMI
..Mídia Tática
..Relatório Alfa
..Centro de Contra-Informação e Material Anarquista
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..ALGUNS RESPONSÁVEIS PELAS
..SEQUELAS CULTURAIS DE ARI ALMEIDA
..Antonin Artaud
..Wilhelm Reich
..Raoul Vaneigen
..outro dia eu continuo esta lista ..
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..O que queremos, de fato,
..é que a juventude
..volte a ser perigosa

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..Se o que vc faz
..Faz impunemente
..é porque é inofensivo

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..Estamos em Território Inimigo
..E o Inimigo está em nós

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..NÃO RESPEITE NADA!!!
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..NENHUM RESPEITO POR NADA!!!!
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..TODA A PROPRIEDADE É UM ROUBO
..Roube os textos desse blog!
..Editar + Copiar
..Editat + Colar
..Mude o texto
..Assuma a autoria
..Plagie descaradamente
..Seja um ladrão e não respeite a propriedade intelectual!

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..NÃO SE LEVE A SÉRIO ..NÃO LEVE NADA MUITO A SÉRIO ..
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..Este é um território improdutivo do blog
....mas isso nai acabar!!!!!
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..OS SETE POEMAS DAS VIDRAÇAS
..(por Fabio Samwise)
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..Mortos vivos
..Nas ruas
..um belo sol Acaricia os doentes...
..Quem pode ter o tempo,
..pra viver o dia inteiro?
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..Brancura luna
..Rente ao teu corpo,
..a brancura lunar,
..ficarei por eternidades...
..até saber do gosto essencial de ti.
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..Kelper
..Kelper é uma ilha.
..As pessoas também...
..Romper essa distância,
..inaugurando-se noutro ser,
..não existem coordenadas...
..Apenas...
..beijos e palavras...
..
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..
..A geladeira
..Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes...
..mas, não saiu ninguém...
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..Paixão
..Começa com uma vontade de morder...
..e muitas vezes, termina com um tiro...
..
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..É isso que eu adoro na paixão!!!
..Natural Arte?!
..Não...
..eu sou mais esse teu sorriso...
..esse teu cabelo...
..na minha cara...
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..Os Moradores Estranhos
..os moradores daquele prédio...
..não olham pelas suas janelas...
..pelo menos, como deveriam...
..Risadas...
..é outra coisa também...
..Não as escuto...
..estranho...
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Visitors:
umdois
on-line ..
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...Aqui abaixo alguns trabalhos
..do Delinquente Sergio Augusto
..O e-mail do cara é Este aqui, é só clicar. ..

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..Estas telas provavelmente irão parar
..em alguma casa invadida. Quem viver verá.
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..Algum doente criou esta página
..Quer prova maior de que o caos avança? ....EU ODEIO ARI ALMEIDA!!!!
Vandalismo ou Barbárie - Distúrbio Cotidiano - Estanhos Atratores nos Caos do século XXI - A Juventude Doente mostrando a cara.  

Delinquente, Inconsequente & Demente


Arquivos da Demência Ontológica Arquivos Mande o autor ao inferno!!

nem esse, só o primeiro

Sábado, Abril 30, 2005 :::
 
Bincando & Jogando Mudaremos o Mundo



As necessidades da economia e o lúdico não se combinam. Nas transações financeiras tudo é sério: não se brinca com dinheiro. A parte do jogo ainda englobada pela economia feudal foi eliminada aos poucos pela racionalidade das trocas monetárias. O jogo com as trocas significava intercambiar produtos sem muita preocupação com uma equivalência rigirosa entre eles. Mas, assim que o capitalismo impôs suas relações mercantis, tal capricho deixou de ser tolerado. E a atual ditadura do consumo prova claramente que esse sistema consegue impô-las em toda parte, em todos os níveis da vida.

Na alta Idade Média, as relações da vida do campo moderavam os imperativos puramente econômicos do feudalismo com certa liberdade: o lúdico pautava muitas vezes as corvélias, os julgamentos, os acertos de contas. Precipitando na batalha da produção e do consumo a quase totalidade da vida cotidiana, o capitalismo recalca a propensão ao lúdico, enquanto ao mesmo tempo se esforça pra recuperá-lo como fonte de lucro. Por isso, nas últimas décadas, assistimos a atração pelo desconhecido ser transformada em turismo de massa, a aventura ser transformada em expedição científica, o grande jogo da guerra ser transformado em estratégia operacional, o gosto da mudança ser transformado em mudança de gosto.

Em geral, a organização social atual proíbe o jogo autêntico. O jogo foi transformado em algo para crianças apenas ( e mesmo as crianças estão sendo entupidas de com brinquedos-gadgets que são verdadeiros conviyes à passividade ). quanto ao adulto, ele só tem direito a formas falsificadas e recuperadas: competições, concursos de televisão, eleições, cassino, etc. É evidente que a pobresa deste expedientes não abafa a riquesa espontânea da paixão do jogo, sobretudo numa época em que o lúdico tem muitas possibilidades de encontrar historicamente reunidas as condições mais propícias de expansão.

O sagrado sabia como lidar com o jogo profano e dessacralizante: assim testemunham os capitéis irreverentes e as esculturas obcenas das catedrais. Sem silenciá-los, a Igreja era capaz de englobar o riso cínico, a fantasia cáustica, a crítica niilista. Sob seu manto, o jogo demoníaco estava salvo. Por outro lado, o poder burguês coloca o jogo em quarentena, isola-o em um setor específico, como se tivesse medo que pudesse infectar outras atividades humanas. A arte constitui esse domínio privilegiado, e um pouco desprezado, do não-comercial. E permaneceu assim até que o imperialismo econômico a converteu por sua vez em supermercado cultural. Desde então perseguida por todos os lados, a paixão pelo jogo ressurge em toda a parte.

Foi de fato na arte - a zona na qual o jogo se manteve por mais tempo - que a paixão de jogar furou a barreira de proibições que recobre a atividade lúdica: essa erupção chamou-se Dada. As representações dadaístas fizeram ressoar na audiência o instinto do jogo primitivo-irracional que tinha sido submergido, diz Hugo Ball, fundador do Cabaret Voltaire, o berço dadaísta de Zurique. Uma vez na vertente fatal do logro e do escândalo, a arte ia arrastar na sua queda o edifício que o espírito de seriedade tinha cosntruído em glória da burguesia. Consequentemente, o jogo traz hoje o rosto da insurreição. O jogo total e a revolução da vida cotidiana confundem-se desde então. Expulsas da organização social hierárquica, a paixão pelo jogo fundamente, ao destruí-la, um novo tipo de sociedade, uma sociedade de participação real. Sem predizer os detalhes de uma sociedade em que a organização das relaçoes humanas estejam abertas sem reservas à paixão do jogo, podemos no entanto prever que ela apresentará as seguintes características:

- recusa de chefes e de qualquer hierarquia;
- recusa do sacrifício;
- recusa de papéis;
- liberdade de realização autêntica;
- transparência nas relações sociais.

Todo envolve regras e jogar com as regras. Vejam as crianças. Elas conhecem as regras do jogo, lembram-se muito bem delas, mas trapaceiam, inventam continuamente falcatruas. Contudo, para elas, trapacear não tem o sentido que lhe atribuem os adultos. a trapaça faz parte do seu jogo: brincam de fazer trapaça, cúmplices até nas disputas. Com isso buscam um novo jogo. E às vezes esta busca tem êxito, e um novo jogo surge e se dissolve. Sem descontinuidade, reavivam a cosnciência lúdica.

Logo que a autoridade se petrifica, torna-se irrevogável, assume uma aura mágica, o jogo acaba. Contudo, o lúdico, por mais despreocupado que seja, nunca se separa de um certo espírito de organização e da disciplina que isso implica. Mas, mesmo quando é necessário um líder no jogo, o seu poder de decisão nunca é exercido à custa do poder autônomo de cada indivíduo. Ao contrário, ele concentra a vontade de cada indivíduo, a duplicação da vontade de cada desejo particular. O projeto de participação implica portanto uma coerência tal que as decisões de cada um sejam as decisões de todos. São evidadentemente grupos pequenos, as microssociedades, que apresentam as melhores condições para experimentações. Nelas, o jogo regulará soberanamente os mecanismos da vida comum, a harmonização dos caprichos, dos desejos, das paixões. Isso é especialmente verdade quando o jogo em questão corresponde ao jogo isurrecional conduzido por um grupo devido à sua vontade de viver fora das normas oficiais.

A paixão do jogo é incompatível com o sacrifício. Perder, pagar, suportar as regras, passar meia hora ruim é a lógica do jogo, mas não a lógica de uma Causa, não a lógica do sacrifício. quando apareçe a noção de sacrifício, o jogo é sacralizado, as regras tornam-se ritos. No jogo, as regras são dadas junto com uma maneira de ludibriá-las e de brincar com elas. No sagrado, pelo contrário, o ritual não consente brincadeira, ele só pode ser quebrado, transgredido ( mas profanar uma hóstia é ainda um modo de prestar uma homenagem à Igreja). Só o jogo dessacraliza, só ele abre possobilidades de liberdade total. Ele é o princípio da subversão, a liberdade de mudar o sentido de tudo aquilo que serve ao poder: a liberdade, por exemplo, de transformar a Catedral de São Francisco de Paula em parque de diversões, em campo de tiro, em cenário onírico.

Em um grupo centrado na paixão do, os trabalhos domésticos e tediosos serão distribuídos como penalidades, por exemplo, em consequeência de uma erro ou da ausência de ludismo. Ou, mais simplesmente, preencherão os tempos mortos, como repousos passionais que serão estimulantes por contraste e que tornarão a retomada do jogo mais excitante. As situações a construir irão se fundir necessariamente na dialética da presença e da ausência, da riqueza e da pobresa, do prazer e do desprazer, sendo a intensidade de um polo acentuada pela intesidade do outro.

Por outro lado, as técnicas utilizadas em um ambiente de sacrifício e de coação perdem muito de sua eficácia. O seu valor instrumental é acompanhado por uma função repressiva; e a criatividade oprimida diminui o rendimento das máquinas da opressão. só a atração do lúdico garante um trabalho não alienante, um trabalho realmente produtivo.

No jogo, desempenhar papéis inevitavelmente implica em jogar com os papéis. O papel espetacular exije uma adesão completa; o papel lúdico, pelo contrário, postula uma distância, um recuo apartir do qual nos apercebemos brincalhões e livres, do mesmo modo que esses comediantes profissionais fazem piadas entre duas tiradas dramáticas. A organização espetacular não resiste a este tipo de comportamento. Os Irmãos Marx mostraram o que um papel pode se tornar quando o lúdico se apodera dele, e isso não passa ainda de um exemplo recuperado, no limite, pelo cinema. O que aconteceria então se as pessoas começassem a brincar com os papéis na vida real?

Se alguém entra num jogo com um papel fixo, um papel sério, ou essa pessoa se arruína ou arruína o jogo. É o caso do provocador. O provocador é um especialista em jogo coletivo. Ele domina a suatécnica, mas não a sua dialética. Às vezes ele é capaz de traduzir as aspirações do grupo em matéria ofensiva - o provocador sempre apela para o ataque -, mas no fim ele é sempre traído pelas exigências do seu papel e da sua missão, os quais o impedem de encarar as necessidade de defesa do grupo. Essa incoereência entre o defensivo denuncia mais cedo ou mais tarde o provocador, e é a causa do seu triste fim. Qual é o melhor provocador? O líder do jogo que se torna dirigente.

Só a paixão do jogo é a única base possível para uma comunidade cujos interesses se identifiquem aos do indivíduo. Diferentemente do provocador, o traidor aparece espontaneamente em um grupo revolucionário. Ele surge sempre que a paixão do jogo desaparece e, junto com ela, o projeto de participação na vida real. O traidor é um homem que, não encontrando como se realizar autenticamente por meio do modo de participação que lhe é proposto, decide jogar contra essa participação, não para corrigi-la, mas para destruí-la. O traidor é a doença senil dos grupos revolucionários. O abandono do lúdico é a traição que abre a porta a todas as outras.

Afinal, carregando a consciência da subjetividade radical, o projeto de participação aumenta a transparência das relações humanas. O jogo insurrecional é inseparável da comunicação.

Ari Almeida, Terrorista Sem Noção & Vigarista Cultural (inspirado por um trecho de A Arte De Viver Para As Novas Gerações do grande Raoul Vaneigen)

::: posted by ARI ALMEIDA at 11:39 AM


nem esse, só o primeiro

Terça-feira, Abril 19, 2005 :::
 
Vida Radical

Uma vida radical não é nada que dependa de conexões de internet, de sites na web, ou mesmo de política.

Isto pode parecer chato para aquelas pessoas que pensam que ter um site quente ou participar de uma passeata ou até mesmo empenhar-se em algum trabalho social seja um ato revolucionário. Ou que pensam que fazer com que um milhão de pessoas saiam às ruas e acenem com sinais simbólicos numa marcha simbólica é um ato político.

Se a coisa não envolve a construção de estruturas econômicas alternativas, não é radical.

Em meus textos ou até mesmo através da Delinqüência & da Panfletagem Subliminar, sempre alertei para a mecanização da consciência, para a alienação e para a separação. Havia um tempo onde tudo era tão confuso que ficava fácil acreditar que essa tecnologia seria uma exceção a todas as outras e que, em vez de nos escravizar, ela iria nos libertar.

Pois a internet se revelou a perfeita imagem e semelhança do capital global.

Ela não tem fronteiras? O capital também não tem.
Os governos não podem controlá-la? Eles também não podem controlar o capital global.

E nem querem.

Eles desistiram de tentar e agora servem de mercenários para as 200 ou 300 megacorporações que dirigem o mundo. Eu sou basicamente um ludita (grupo liderado por Ned Lud no século 19, que destruía máquinas nas indústrias têxteis inglesas por acharem que elas estavam roubando seus empregos). Se certas tecnologias ferem a comunidade, como eles diziam, então eles tentavam destruir as máquinas na marreta.

Ação direta. Assim é a crítica ludita.

Para mim, o que significa hoje viver como ludita envolve uma estrita atenção sobre as tecnologias que você permite entrar na sua vida.

Você é jogado em frente de uma tela, na mesma situação física que um espectador de TV, só que com uma máquina de escrever no meio. Aí você é interativo. O que significa isso? Não significa comunidade. Significa esquizofrenia catatônica. Aí blablablá, comunicação, comunicação, dado, dado, dado...

Por que a gente não consegue parar?

Que tal voltarmos cinco anos no tempo, quando ninguém tinha celular? Hoje, todo mundo tem e precisa. Pegue qualquer livrinho de qualquer marxista e leia como o capitalismo cria falsas necessidades. Mesmo assim, a gente permite que a coisa continue.

Mas uma nova coerência pode aparecer.

Francamente, acho que ela será de natureza espiritual. Teria de envolver uma espécie de fanatismo ligado a um sacrifício real - sacrifício de confortos, sacrifício de celulares, sacrifício desta vida privilegiada que levamos dentro da barriga de uma besta.

Hoje, há um monte de discursos simbólicos, mas nenhuma ação. Eu acho que a ação pode voltar e é por isso que estou pronto para embarcar em movimentos espirituais que não tenham nada a ver com religião.

.................................
O Link do dia (e não, ela não é nazista nem racista) vai pra minha amiga defensora do fidel, do Hugo chavez, das leis & dos governos (isso é uma piada interna), Pagu.

::: posted by ARI ALMEIDA at 12:26 PM


nem esse, só o primeiro

Quinta-feira, Abril 14, 2005 :::
 
serviço de utilidade pública

Você tem em casa um exemplar de A Sociedade do Espetáculo, escrito por Guy Debord, mas não tem nem idéia de onde ele veio? Bem, pode ter vindo da minha estante. Favor entrar em contato.

Trabalhadores anônimos

Ah, então você odeia o seu trabalho? Pois existe um grupo de apoio para isso. Chama-se TODO MUNDO. Eles se encontram no boteco da esquina.

::: posted by ARI ALMEIDA at 5:27 PM


nem esse, só o primeiro

Quarta-feira, Abril 13, 2005 :::
 

O fato de não ter parido o peixe
Não tira o mérito do Pescador
É a frase de cabeçeira
De todo bom plagiador


Este singelo versinho é dedicado ao genial Janos Biro

JANOS BIRO EU TE AMO!!!!!!!


jamais esqueçerei nossa putaria.

::: posted by ARI ALMEIDA at 2:52 PM


nem esse, só o primeiro

 
Toc, Toc, Toc: Boa Noite! Tudo Bem?
(ataque sessenta)

A Igreja dos Subgênios é um troço fudido. Trata-se da primeira religião do mundo assumidamente com fins lucrativos. Tal como o Discordianismo, nem sempre dá pra se saber onde termina a piada e onde o negócio passa a ficar sério ou o que quer que isso signifique.

Falei isso porque nosso último ataque foi inspirado num jogo subgênio. Nem lembro que postou a parada no Orkut, mas quando contei pra piazada eles quase se cagaram rindo. Já explico.

As pessoas quase nunca se dão por conta do quanto a rotina invade nossas vidas até o ponto de regerem nosso comportamento. Existe um padrão de comportamento muito rígido em nosso cotidiano. Tão enraizado que qualquer atitude que fuja desse padrão, passa a ser incômoda. O jogo subgênio que falei mexe com isso.

- Que merda de jogo é esse Ari?
- Você pega um guardanapo, dobra duas vezes e guarda no bolso.
- Ihhh! Apertem os cintos, lá vem besteira"
- Calem a boca! Prestem atenção, é assim, cada um escolhe uma casa e bate na porta perguntando se está tudo bem, se não está nada errado. Faz isso todos os dias, ganha quem tirar o morador do sério primeiro e apanhar. Depois, os perdedores vão lá e dão uma flor pro morador cantando a música Give Peace a Chance, do John Lennon. que tal?
- Aahahahaahahahahahaha!!!!!!!!!!! - resposta positiva

Decidimos que nossas vítimas seriam todas do mesmo bairro, pra facilitar a logística. Pro jogo ficar mais fractal, cada um escolheu uma casa, anotamos num papelzinho e sorteamos. Pra mim: rua Ernesto Gomes, número 235. Salve Éris!

O combinado era visita diárias, sempre às sete da noite, de modo que a operação conciliasse as agendas de todos. Outro detalhe era o seguinte, uma abordagem por vez, o resto do pessoal tinha que ficar de plantão, de flor e violão em mãos, para o caso de um jogador vencer de uma maneira inesperada.

No sorteio Gleydson foi o primeiro a agir. Francamente, doente como o cara é, tinha tudo pra ganhar o jogo. Toc, toc, toc.

- Pois não?
- Gostaria de saber se está tudo certo. Se a senhora está bem. Se não está acontecendo nada de errado.
- Hã?
- Isso mesmo, está tudo O.K.?
- Claro que está nas porque tú está perguntando isso?
- Nada não. Tchau e uma boa noite.

Sergio foi o segundo. Por encreça que parível o cara é tímido e foi difícil convencê-lo a participar do jogo. Praticamente tivemos que empurrar o cara pra bater na porta. Pra conferir se o viado não ia mijar pra trás ficamos próximos, dava pra ouvir. Toc, toc, toc.

- Boa noite, o senhor está bem? - animaaaal!
- O quê?
- Gostaria de saber se o senhor está bem, se não tem nada de errado.
- Manhêêêê! Tem um tio aqui!

O Animal, Tongo & Topeira tratou um piazinho como senhor. Deveria estar com o cérebro paralisado pelo cagaço. Ao invés da manhêêê, veio o paiêêê.

- O que foi?
- Gostaria de saber se o senhor está bem.
- Tá, mas porquê?
- Por nada, mas está tudo certo?
- Ah, vai procurar o que fazer ô nego vagabundo!

E bateu a porta na cara do nosso herói. Confesso que começei a ficar preocupado com o jogo. Talvez a birosca não fosse tão Inocente & Sossegado. Jean fez sua jogada sem grande sucesso, ninguém em casa. Mas com Marmita foi mais foda, a mulher se recusava a fechar a porta e deixá-lo ir embora.

- Péraí piá! Poque tú quer saber?
- Nada, tia, nada. Era só pra saber.
- Me enrola! Tú tá aqui a mando do meu ex-marido, não é mesmo?
- O que? Nem conheço ele!
- Confessa seu piá de bosta!
- Tchau, tia, tchau!

E picou a mula. quando chegou parecia perplexo.

- Rapaz, aquela tia é doente, precisa se tratar.

Ríamos feito umas hienas. Então chegou minha vez. Na porta ainda tinha uma parada de Natal enfeitando. Cheguei a torcer pra que não tive ninguém em casa, apesar das luzes acesas. Serei eu o Mais Novo Mais Cagão? toc, toc, toc. Nada. toc, toc, toc. A porta se abriu rangendo assustadoramente.

- Boa noite! A senhora está bem? Está tudo certo? Não tem nada de errado ocorrendo?
- Ô meu filho, tudo bem sim, mas que simpatia! Quem é você?
- Eu? - me pegou de jeito
- Sim, você mesmo, como é seu nome?
- Ari, mas olha só, tô indo, uma boa noite pra senhora.
- Pra você também meu filho, tchau! e vai com Deus!

Saí praticamente correndo da casa. Depois de tanta animosidade das outras vítimas, aquela atitude foi totalmente inesperada. Os outros pareciam um troço de tanto dar risada.

- Ari, não sabia que tú tinha medo de velhinhas simpáticas.
- Vão tomar nos olhos dos seus cús!

E assim encerramos a primeira rodada de nosso jogo. A bagaça foi tão divertida que no outro dia ficamos nos telefonando. Tú vai, né seu viado? Podis creeeer!!!!! Estava chovendo, mas mesmo assim não cancelamos o espetáculo e a seqüência de ataques foi a mesma, Gleydson primeiro. Toc, toc, toc.

- Boa noite! A senhora está bem?
- O quê que é, hein?
- Gostaria de saber se está tudo certo, se não está nada errado.

Porta batida na cara. Chegou a tremer a parede e os vidros das janelas. Gley entra na área, é ele e o goleiro, tirou a tia do sério. Então Sergio lançou os dados. O piazinho atendeu de novo. Cambada de pais vagabundos exploradores do trabalho infantil!

- Oi, tu do bem?
- Tudo.
- Está tudo certo? Não tem nada errado?
- Não.
- Então tchau!
- Tchau!

E simplesmente saiu. Desse jeito.

- Ô cara! Aí não vale?
- É, tem que provocar.
- Foda-se, não combinamos isso antes e no meio do jogo não se mexem em regras.

Definitivamente Jean não deu sorte (ou deu?), ninguém em casa de novo. Agora eu penso, deve ter sido o cagão do Sergio quem escolheu aquela casa. Quando foi o Marmita, foi preocupado com a reação da coroa.

- Você de novo, é?

Não deu tempo nem de falar.

- Escuta aqui, diz praquele desgraçado que eu faço o que bem quiser da minha vida e que ele que fique com aquela vagabunda que se deus existe ainda vai acabar tirando tudo o que ele tem!!

Porta batida na cara dois ponto zero.

Agora era comigo a encrenca. Desta vez três batidas na porta foram suficientes.

- Oi querido!
- Gostaria de saber se a senhora está bem.
- Claro, estou ótima, agora melhor ainda, entre!
- Não, não, só gostaria de saber se está tudo certo, se não está nada errado.
- Nadinha de nada, entre meu filho!
- Tchau, tia, tchau!

Dessa vez saí correndo mesmo, tropecei na calçada e quase caí. Encontrei a galera rolando na grama, não preciso nem dizer fazendo o quê.

A terceira rodada foi aguardada com ansiedade. Dela poderia sair o grande campeão. Gleydson & Marmita, os grandes favoritos ao título. E olha, não posso garantir se eles estavam satisfeitos com isso. Gleydson com a bola. Toc, toc, toc.

A porta abriu-se bruscamente e acho que a rua inteira pode ouvir os berros da mal comida

- Vai tomar no teu cú! Cú! Cú! Cú!

Porta batida na cara três ponto zero. Gleydson voltou andando feito um zumbi. Olhar perdido num horizonte vazio. O jogo ficou quente. Ânimos acirrados. Depois de se recuperar Gleydson começou a afinar o violão.

- É hoje que essa viagem acaba, sinto isso na pele.

Sérgio se cagou, ameaçou desistir e tivemos que empurrá-lo de novo. Toc, toc, toc. Desta vez não deu sorte com o piazinho escravo, quem atendeu foi o paiêêê. Mais um que não teve chance nem de falar.

- Escuta aqui seu preto sujo e desocupado - o cara apelou! - Se tú bater mais uma vez na porra da porta da minha casa pra nos perturbar eu juro que dou um tiro bem no meio dessa tua fuça que mais parece um cú com orelhas!

E porta batida na cara quatro ponto zero e já estou perdendo as contas. Dessa vez ninguém riu, apenas risadinhas nervosas. Jean nem jogou, casa vazia, não cabia em si de tanta frustração.

- Foi tú que escolheu, né seu pau no cú? - apontando pro Sergio.
- Quer trocar?
- Sem briguinha besta, vai Marmita!

Toc, toc, toc. Toc, toc, toc, toc, toc, toc! De repente as luzes se apagaram. Bola na trave, a ex-mulher do misterioso ex-marido não quis abrir. Marmita parecia até aliviado.

- Vai Ari!

Nessas alturas dos acontecimentos eu já estava conformado com minha condição de perdedor e estava disposto a relaxar e gozar. Quando a tia abriu aquela porta com aquele sorrrisão e a aquela simpatia, aceitei o convite e entrei. Começou a conversar comigo, a elogiar minha atitude atenciosa, que não se via mais isso hoje em dia, a falar do prefeito que baixou a passagem pra um Real no domingo, o Severino Cavalcanti, o Papa, o Tsunami, o marido que trampava asfaltando rodovias e que não lhe dava atenção e que andava bebendo...

O Marido?

Meu pensamento congelou.

Em verdade vos digo: nem todas as sincronicidades vem pro bem. O barulho de chaves na porta era o marido da cidadoa. Quando a porta abriu senti o bafo de cana e a encrenca em que eu estava metido. Uma barriga enorme, um bigode enorme e uns brações dessa idade.

- O que caralho é esse moleque?
- Calma Agenor, já te explico!
- Eu vô é fudê com esse moleque!

Saltei por cima do sofá em direção a porta e levei a maior seca do lado do ouvido que alquém pode levar nessa galáxia. Num movimento digno de Jaquie Chan consegui me desviar da quina da porta. Saí gatinhando pela calçada e o tio voou por cima de mim. Por sorte estava bêbado e quando se levantou eu já estava na rua.

A Taça do Mundo é nossa!! Sou Delinqüente, não há quem poça! Fantástico, a adrenalina me transformou e eu ria histericamente enquanto o ouvido zunia a galera batia palmas.

- Entreguem a flor!

Bateram na porta e apenas ouviram:

- Isso, bate e espera que tô ligando pra polícia!!

Jean segurou a cifra e o Aleijado & Ignorante musicalmente Gleydson Schultz dedilhou as primeiras notas e nós:

- All we are saying is give peace a chance All we are saying is give peace a chance C'mon Ev'rybody's...

Fomos embora felizes e vitoriosos, e talvez, eu disse talvez, tenhamos mudado o mundo sem saber.

::: posted by ARI ALMEIDA at 2:38 PM


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Segunda-feira, Abril 11, 2005 :::
 
A Benga do King Kong

Existem questões fundamentais que ainda não foram devidamente discutidas pela sociedade da simulação.



Foi Guabiroba, famoso bebum do boteco lá perto de casa, em seu memorável e incisivo discurso pau d´água da manhã , quem fez primeiro a pergunta crucial: qual o tamanho da rola do King Kong? Examinando a anatomia comparativa, Guabiroba observou que um homem de um metro e oitenta de altura geralmente tem um pênis de quinze centímetros com ereção, então um gorila de oito metros de altura deve regozijar-se com uma rola cerca de bem mais de meio metro.

O bebum no entanto nega isso tudo, pela razão irrefutável de que Kong não é uma criatura da ciência, mas do sonho e do mito - uma divindade de pau duro, como Dionísio ou Osíris. Uma vez que essas deidades são tratadas pelas artes sobreviventes como dotadas de três vez o padrão humano, Kong deveria, na mitologia, ter três vezes o padrão de um gorila de oito metros, ou seja, King Kong deve ter um pau de quase dois metros.

Isso explica o terror em cidade grande quando Kong está solto procurando sua noiva. Um gorila de oito metros de altura em fúria é assustador, admite-se, mas Kong desperta mais do que medo: inspira um Pânico metafísico, no sentido etimológico. Ele é Pan de pau duro, saído direto do inconsciente coletivo. ele não deve ser apenas um gorila de oito metros de altura, mas um gorila de oito metros de altura com uma rola de dois metros. Você olha pra cima e vê que ele está olhando pra você, com aquela rola enorme.

No dia em que todas as leis forem proibidas por lei, só os fora-da-lei terão leis

E lembre-se:

King
Kong
Morreu pelos
teus pecados



::: posted by ARI ALMEIDA at 2:27 PM


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Em defesa da presença de blogs Neo-Nazis & Racistas na Internet

Não se combate, nem se desestimula a estupidez proibindo-a de se exprimir

Recentemente (mais precisamente no penúltimo post) fiz a cagada de linkar um blog de uma menina Neo-nazi & Racista. O pessoal me alertou e não foram poucos os que sugeriram um ataque virtual a ela. Sugeriram inclusive que enviássemos e-mail de protestos ao servidor que mantém o blog para que o mesmo fosse tirado do ar. Não concordo em absoluto com uma postura dessa e espero que com esse texto possa esclarecer minha Humilde & Sem Noção opinião quanto à esse assunto.

Idéias infames não se sustentam por muito tempo. Sustentam-se apenas num ambiente de obscurantismo e repressão. A proibição sempre incitou à transgressão. Proibir os direitistas de se expressar é ditadura de esquerda e, de boa, não quero ditadura de nenhum tipo.

Não vou entrar na discussão se a direita é mais democrática que a esquerda. Sinceramente, sinto medo das democracias propostas por ambos os lados. Aliás, vamos ser francos, nem sei se essa polarização existe hoje em dia. Tenho minhas saudáveis dúvidas, sempre

Nada é sagrado. Toda a pessoa tem o direito de exprimir, a título pessoal, qualquer opinião, qualquer ideologia, qualquer religião.Nenhuma idéia é inadmissível, até mesmo a mais aberrante, até mesmo a mais odiosa. Tolerar todas as idéias não é aprová-las.

A liberdade de expressão é um valor humano até mesmo em sua liberdade de dizer o desumano.Não se combate, nem se desestimula a estupidez proibindo-a de se exprimir. A estupidez, a infâmia, o pensamento ignóbil são o pus de uma sensibilidade ferida. Impedi-lo de escorrer é envenenar uma ferida em vez de diagnosticar suas causas para lhe dar remédio.

O que a liberdade de palavra faz é exprimir para o melhor e, mas mais freqüentemente, para o pior, o que está escondido no corpo e na consciência do homem, desnaturado por séculos de desumanidade.

Um tiro na boca de todos com Muito Amor & Muito Carinho
Ari Almeida

PS.: É óbvio que nada garante que não esteja completamente equivocado. Digo a todos que estou aberto ao debate no espaço dos comentários. Manifestem-se seus inúteis!!!

::: posted by ARI ALMEIDA at 10:27 AM


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Sexta-feira, Abril 08, 2005 :::
 
FIZ MERDA!

Pessoal, em primeiro lugar gostaria de agradeçer ao Juca Sassafrás e ao Marcelo (que nem sei se conheço) que me alertaram disso. Sou um distraído impulsivo do caralho! Explico.

A mina que linkei abaixo do relato do ataque da horta é Racista & Nazista. Além de dizer em sua descrição que possui uma suástica, ainda diz que odeia Vizinhos & Pretos, principalmente se forem vizinhos e pretos. Lamentável de minha parte parte cometer tamanha gafe.

Aguardem uma retratação pública de minha parte. Sou mesmo um cretino distraído. Ô Leminski! Nem sempre venceremos distraídos.

Um tiro na boca dos paunocú com Muito Amor & Muito Carinho
Ari Almeida, Terrorista Sem Noção & Vigarista Cultural

::: posted by ARI ALMEIDA at 8:33 AM


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Quinta-feira, Abril 07, 2005 :::
 
O Reino Vegetal é Legal ou a Guerrilha Hortifrutigranjeira
(ataque cinqüenta e nove)

Foram umas longas férias as que tiramos este final de ano. Como de costume cada um foi pro seu lado dar continuidade às suas lendas pessoais. Como estamos de casa nova, bairro novo, a mudança fez com que demorássemos a nos habituar e pouco tempo sobrou para bolarmos novas Delinqüências. Alguns chegaram até a pensar em parar, pendurar os estilingues. Vinicius e Marília noivaram e anunciaram aposentadoria. Fábio arrumou um trampo sério e avisou que dará um tempo.

Foi Marmita quem chegou levantando a poeira e intimando todo mundo pra voltarmos a mexer nossas bundas caquéticas. Eu estava em casa sozinho, meio deprê e ele veio me salvar com suas idéias doentes.

- Aí sua bixa, quê que você tem, vamos fazer algo, tenho um plano, vamos colocá-lo em prática. Não podemos deixar a coisa esfriar!!
- E que merda de plano seria esse?
- Plantar uma horta.
- Plantar uma horta?? Isso é plano ou é um bico pra levantar um troco.
- Não sua anta pentaplégica, a gente planta uma horta num quintal de um desconhecido.
- Hãããã?????
- Cara... - pensei por três segundos - ou eu tô muito chapado ou essa tua idéia aí é do caralho! Tens alguma coisa em vista?
- Sim, trata-se da Dona Gilda, lá do Bairro Alto. É Velhinha, Viúva & Sem Parentes. antigamente cuidava de sua horta como se cuidasse de seu filho, que aliás, morreu num acidente junto com o pai.
- Caraleo!
- E então, topas?
- Pergunta besta, taca o foda-se! Mas vamos lá primeiro pra ver a parada, tens uma vale transporte aí?

Acho que o Marmita tinha passado o fim de ano inteiro pensando nessa horta. Estava com tudo planejado. Dona Jurema, sua vó, tinha concordado em ajudar cedendo alguns itens necessários: pés de alface, cenoura, couve e cheiro verde. O alvo seria o quintal de uma senhora pra lá de consciente que costumava fazer sopa para os indigentes do bairro. O que faltava era mão de obra. Logo comecei a acionar o pessoal. Jean ficou impressionado com o plano.

- Ari, gostei muito da idéia, trata-se dos nossos Velhos & Bons Distúrbios Cotidianos.

Os Distúrbios Cotidianos sempre foram o fio da meada que conduziram nossas ações. Fazer algo que ponha em cheque a rotina e o senso comum dos narcotizados cidadãos do século XXI. Fazer algo que a pessoa lembre pro resto da vida ou que, pelo menos, tenha que pensar muito pra tentar encontrar um sentido e um significado.

Sergio, o mais cagão, também topou, só disse que não participaria dos preparativos. Viado, parece que previu a porra, aquela merda deu um trabalho lazarento. Cavar em volta da planta, arrancar com a raiz, delicadamente, e colocar em saquinhos com terra úmida & adubada. Anotem aí, mudar cenouras de lugar é fóóóda.

Estávamos em quatro, eu, Jean, Marmita e uma figura que apareceu por lá, um tal de Gleydson Schultz, que veio de Campo Mourão, interior do Paraná, tentar fazer curso de Tecnólogo ou Mecatrônica ou sei lá o quê. Uma figuraça, que já tinha sido agricultor e apesar de falar besteira incessantemente, sabia lidar bem com as plantinhas.

Ficamos três semanas nesta operação, às vezes chegamos a cogitar desistir, no entanto Marmita & Gleydson estavam obstinados.

- Sem mijar pra trás seus paunocús
- É verdade, vai ser minha estréia nessa parada de Delinqüência aí e tô curioso.

Por fim conseguimos as mudas suficientes. No dia, Sergio apareceu com um pé de chuchu, umas de suas típicas Idéias Sem Noção. Társis, nosso Velho Quebra Galho emprestou a picape pra fazermos o carreto. era uma noite sem estrelas e a muito custo ficamos acordados até as duas da matina pra executar a Operação Reino Vegetal É Legal, como a chamamos. Estacionamos o carro numa área escura a uma quadra do alvo e cuidadosamente transportamos todo o material, incluindo um garrafão de vinho, depositando no lado de dentro do muro do quintal.

Após pularmos o muro ficamos uns quinze minutos quietos, ouvindo os ruídos pra nos certificarmos se a Nobre Senhora estava realmente dormindo. Segundo Marmita ela tomas umas boletas pra depressão que fazem dormir. então começamos a trabalhar.

A sorte nossa era que tinha chovido na véspera e a terra estava fofa. O azar meu era que o pau no Schultz do Gleydson, responsável pelas cenouras, a poucos metros na minha frente, não parava de peidar.

- Ô seu merda, desse jeito a velhinha vai acordar com essa peidorrera aí
- Relaxa Ari, daqui a pouco eu cago e passa.
- Ô Gley, diz pra esse teu cuzinho aí que não precisa gritar, eu estou perto.

A Minha tarefa era com as alfaces, apesar de não precisar cavar muito pra plantá-las tem que se tomar um cuidado filho da puta pras folhas não caírem ou ela se desmanchar por inteiro. E no escuro, cheirando peido, fica ainda mais complicado.

Jean revelou-se um bom agricultor, em menos de meia hora os cheiros-verdes estavam todos plantados. Só que em vez de nos ajudar o paunocú ficou fazendo um castelinho de terra. Marmita cuidou das couves enquanto Sergio, aquele vagabundo de uma figa, ao invés de plantar seu ridículo pé de chuchu, ficou pendurando papeizinhos nas plantas.

- Cara, que merda que tú tá fazendo?
- Uma surpresinha pra temperar com arte nossa ação
- Mas que surpresa?
- Receitas, pra ajudar Dona Gilda a preparar bons pratos com seu presente.

Logo terminei minha parte e Marmita a sua, mas Gleydson não tinha terminado nem a metade das suas cenouras.

- Sua bixa, se tú parar de peidar talvez o serviço renda.
- Nada, abre o vinho aí que acho que o que tá atrapalhando é meu nervosismo.

Demos uma pausa geral pra apreciar o Sangue de Boi. Uma névoa e uma chuva fininha começou a cair e pensei no absurdo da situação. A madrugada avançava selvagemente e eu pensei no absurdo da ressaca no outro dia. Horários a cumprir, metas a cumprir, ordens a obedecer, salários de fome a receber e pensei no absurdo que é o trabalho forçado. Estava viando feio quando levei um susto com a frase do Jean.

- Cara, cadê o Sergio?

O cara tinha sumido. Não era tanto a preocupação de que alguma coisa tivesse acontecido com ele, mas mais o quê aquele sem noção tivesse fazendo acontecer. Jean já estava pulando o muro pra ver se achava ele por perto quando o Monstro apareceu com um balde na mão.

- Não é a noite da boa ação? Lavei umas roupas que estavam de molho.
- Meu caralho!
- Piazada, acho que temos de dar umas calcinhas novas pra Dona Gilda, estão furadas ou rasgadas.

Não teve jeito, Jean teve que desistir de seu castelo e nos ajudar com as cenouras. Geydson não parava de beber, peidar e falar besteiras.

- Aí eu tava na festa de aniversário do tio da minha mina, lá em Campo Mourão. Um burga lá, dono de uma concessionária, falando de aumento do dólar, petróleo e o caralho a quatro e eu falando que meu amigo foi pescar e não pegou nada. De que adianta equipamento se o mané não sabe...

- Cala essa boca seu porra!!!

Jean definitivamente surtou. Não foi um simples xingamentinho. Foi um grito mesmo. Não deu nega, segundos depois ouvimos uma janela se abrir na casa ao lado. A cachorrada começou a latir. O cagaço bateu na hora. Nos escoramos todos agachados contra o muro. O Silêncio entre nós era Total & Absoluto.

- Seu merrrrrrda, esbravejei com os dentes cerrados
- Desculpa aí, viajei.

Depois de Longos & Arrastados segundos levamos o maior susto de nossa carreira de Delinqüentes. Uma enorma sombra sobre nossas cabeças. Era um vizinho.

- Que merda vocês estão fazendo aí seus vagabundos filho de umas puta??

Cara, não sei nem explicar como se deu a parada. Nós que tentamos parar o mundo das pessoas tivemos nosso mundinho de bosta paralisado. Era só fuja lôvo, fuja lôco & fuja lôco. Jean ainda teve o sangue frio de juntar as ferramentas enquanto o vizinho esbravejava no muro. Sergio, que finalmente tinha resolvido plantar seu chuchu, não teve tempo de se desvencilhar daquela imensa trepadeira e teve que se enrolar com ela e fugir vestindo o pé de chuchu mesmo.

Fugimos pela saída principal, batendo a portinha de ferro na frente e torcendo pra que as boletas fossem mesmo soníferas. Corri umas três quadras até que vi Sergio & Seu Pé de Chuchu

Caralho!

Foi o troço mais Monstro do Pântano que já vi até hoje. Tinha dois chuchuzinhos pendurados no peito que mais pareciam um par de seios. Começei a rir feito um retardado, minha barrigadou, eu minhas pernas afrouxaram e acabei caindo no chão, num acesso de histeria. Pior, caí numa poça de lama. Então foram os outros que riram. Marmita me puxou.

- Ari, isso não era pra palhaçada.

Sergio não tinha parado, estava a meia quadra na nossa frente, alcançamos ele quase na esquina. O dia já estava clareando. Quando ele dobrou a esquina topou com o Inesperado: um bebum com uma garrafa de pinga na mão.

O coitado olhou aquela Coisa, arregalou os olhos e gritou:

- Grandiospai!!!!!

Jogou a garrafa pro alto de e se ajoelhou diante do Monstro.

- Jesus Cristo Nosso Senhor, me proteja deste demônio bixo cão e juro que nunca mais boto uma gota de birita na boca!!!!

Quando cheguei perto pra acalmar o cidadão, o cara desmaiou. Conferi o pulso e estava O.K, e seguimos embora, rachando o bico de tanto dar risada. Chegamos na casa da vó do Marmita com o sol raiando. Dona Jurema nos esperava com um café da manhã de Rebeldes Contra o Império.

- E aí meninos, conseguiram o que queriam?

Marmita, falando com a boca cheia de broa de milho:

- E até o que nem imaginávamos querer.

Dona Jurema não entendeu nossas gargalhadas, mas foi maravilhoso.


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Pra finalizar este post demorado pra sair, esta bela frase de minha nova amiga Ardenn, confiram seu blog, é ducaralho:

Eu podia fazer uma revolução sozinha, mas vou ter de ajudar minha mãe a enrolar docinhos pra maldita festa da minha prima.

::: posted by ARI ALMEIDA at 1:21 PM




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