..Seja realista: exija o impossível
..


..TERRORISMO POÉTICO
..ARTE SABOTAGEM
..TEATRO SECRETO
..RELIGIÕES LIVRES
..CONCEITOS DISTORCIDOS
..IDEOLOGIAS SAQUEADAS
..PIRATARIA DE IDÉIAS
..SABOTAGEM CULTURAL
..LINKANIA
..FNORD
..
..Ofensas pessoais a Ari Almeida pelo e-mail:
..[ arialmeida2003@yahoo.com.br ]
..
..[[[ BOTECO DO ARI ]]] ..Este Boteco é uma Central de Vadiagem
..Nele as pessoas matam trampo ou aula. Fique à vontade, véio!
..Esta porra aqui em baixo,
..Pra essa porra funcionar direito
..precisa ser atualizada através
..do clique da direita

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..DELINQÜENTIOS & DELINQÜENTIAS
COM MUITO ORGULHO APRESENTO A TODOS OS LINKS DOS
PARA OS BRÓGUESGRÓGUES DOS FREQUENTADORES MAIS
ASSÍDUOS DESTE ANTRO DE VÂNDALOS:

..
..Manan Blog
..Blog do meu amigo gaúcho torcedor do Internacional
..Ô loco meu!!!!
..É o Rafiuzkiz na fita
..Memórias de Um Cheira Cola
..Reverendo .Fatsync é um Monstro Sagrado Absoluto
..Assim Assado
..A Pirofágica é a Piristrela do meu Coração Camaleão
..mundoYmundo
.. Blog de uma Ratazana Freestyle chamada Jubyleu
..O Entorta Cano
.. Juca Sassafrás apavorando Floripa...e a net...e o Sistema (Monstro Sist)
..Mada de Nada!!
..É a Dani!! É a Dani
..Reverendo Freak C
..Meu irmão separado na maternidade, de fé mesmo
..Le Freak Zona
..Home Page da lenda viva que já foi Fong, que é Kirk e Minimalista
..
..
..Timóteo Pinto
..Eu, tú, ele, eles, nós, vós. todo o mundo é Timóteo Pinto
..Seja Timóteo Pinto no Orkut, para fazer isso entre com os seguintes dados:
..User = timoteop
..Password = tim2323
..Faça isso e barbarize aquela porra!!!!!!!!
..Nos outros lugares, basta dizer: Todos somos Timóteo Pinto
..
..
..
..A JUVENTUDE DOENTE NO REINO DOS BLOGS ou
..O CAOS AVANÇA!!!!!!!!!!!!!!!
..
..Psicodelismo & Arte
..Prestem atenção nesse fotolog, coisa fina, palavra de delinquente!
..Otacílio Couto
..Fotolog do Ota!!
..Meu velho amigo Ota, atuando em duas frentes, blog & fotolog.
..Biocosmo
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..Alriada Express
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..toomanypeople
..Esse cara é BH e seus posts são hi-lá-ri-osss
..A Arte do Caos
..porque tú tá ligado que o caos é uma arte, não é mesmo?
..Caos!!!!
..O blog da Manu, ela tirou o link pra cá, mas deixou o do Timóteo Pinto, hehehe!!
..disgua - CTRL C + CTRL V
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..A Lenda, o Mito, uma das grandes promessas do Novo Jornalismo...argh!!!
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..Quem é Marty McFly???....Ganha um molotov quem responder
..Micrópolis
..Poesia, literatura, artes, cultura japonesa e multiculturalismo - By Mak
..Minha Vida DDA
..Tá meio parado, mas o arquivos valem a leitura
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..Apareçeu no Blogs of Notes e a dona surtou e se indgnou. É, atitude é o que há!!
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..Reciclável
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..Se1t@ M@c@br@
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..O Professor Túlio saca das coisas: ao Mestre com carinho
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..Fotolog da Dória
..Sim, agora podemos acompanhar a Rainha Dória através de seus clicks!!!!
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..É o Ralph matando a pau num nums blogs mais estilosos da nossa coluna da esquerda, leitura obrigatória e quase diária
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..Uma coletânea de fotos de Stencils, colagens e grafittis desta Curitiba Cinzenta & Gelada
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..O Blog do Cadelããããão!!!! Bóra todo mundo vandalisar o blog desse depravado século XXI!!!
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..Com vocês:
..O ESTRANHO mundoYmundo DE
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..MAS TAMBÉM NENHUM HOMEM É UMA SALADA DE BATATAS
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..A Invasão dos Memes
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..ALGUNS RESPONSÁVEIS PELAS
..SEQUELAS CULTURAIS DE ARI ALMEIDA
..Antonin Artaud
..Wilhelm Reich
..Raoul Vaneigen
..outro dia eu continuo esta lista ..
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..O que queremos, de fato,
..é que a juventude
..volte a ser perigosa

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..Se o que vc faz
..Faz impunemente
..é porque é inofensivo

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..Estamos em Território Inimigo
..E o Inimigo está em nós

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..NÃO RESPEITE NADA!!!
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..NENHUM RESPEITO POR NADA!!!!
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..TODA A PROPRIEDADE É UM ROUBO
..Roube os textos desse blog!
..Editar + Copiar
..Editat + Colar
..Mude o texto
..Assuma a autoria
..Plagie descaradamente
..Seja um ladrão e não respeite a propriedade intelectual!

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..NÃO SE LEVE A SÉRIO ..NÃO LEVE NADA MUITO A SÉRIO ..
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..Este é um território improdutivo do blog
....mas isso nai acabar!!!!!
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..OS SETE POEMAS DAS VIDRAÇAS
..(por Fabio Samwise)
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..Mortos vivos
..Nas ruas
..um belo sol Acaricia os doentes...
..Quem pode ter o tempo,
..pra viver o dia inteiro?
..
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..Brancura luna
..Rente ao teu corpo,
..a brancura lunar,
..ficarei por eternidades...
..até saber do gosto essencial de ti.
..
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..
..Kelper
..Kelper é uma ilha.
..As pessoas também...
..Romper essa distância,
..inaugurando-se noutro ser,
..não existem coordenadas...
..Apenas...
..beijos e palavras...
..
..
..
..
..A geladeira
..Domingo ela abriu a geladeira 119 vezes...
..mas, não saiu ninguém...
..
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..
..Paixão
..Começa com uma vontade de morder...
..e muitas vezes, termina com um tiro...
..
..
..
..
..É isso que eu adoro na paixão!!!
..Natural Arte?!
..Não...
..eu sou mais esse teu sorriso...
..esse teu cabelo...
..na minha cara...
..
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..Os Moradores Estranhos
..os moradores daquele prédio...
..não olham pelas suas janelas...
..pelo menos, como deveriam...
..Risadas...
..é outra coisa também...
..Não as escuto...
..estranho...
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..Algum doente criou esta página
..Quer prova maior de que o caos avança? ....EU ODEIO ARI ALMEIDA!!!!
Vandalismo ou Barbárie - Distúrbio Cotidiano - Estanhos Atratores nos Caos do século XXI - A Juventude Doente mostrando a cara.  

Manual Prático de Delinquência Juvenil


Arquivos da Demência Ontológica Arquivos Mande o autor ao inferno!!

Quinta-feira, Julho 27, 2006 :::
 
O Meu amigo Juca Sassafrás, entrevistou Elaine Tavares, editora da revista Pobre & Nojentas, em seu blog.

Leiam MEIA-DÚZIA DE PERGUNTAS para ELAINE TAVARES (POBRES & NOJENTAS)


Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 6:57 PM


 
este post não existe

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 3:49 PM


 
Propagandeando na Contra Informação

Ô seus porras, divulguem ao máximo essa notícia em seus blogs, listas de contatos, Orkuts, MSNs e o caralho de asas!!!!!

Livros Baratos - Editora Deriva



O preço dos livros no Brasil sempre foi um absurdo e a desculpa recorrente das editoras é de que o brasileiro lê pouco e por isso compensa os altos custos de produção com preços maiores para um público elitizado. Se formos seguir esse discurso do mundo empresarial nunca vamos sair do atoleiro em que se encontra o mercado editorial no Brasil e a sua total mercantilização com seus harry potters e códigos da vinci.

É por isso que incríveis iniciativas independentes estão pipocando na internet tentando quebrar esse cerco: Projeto Periferia, Coletivo Sabotagem, etc. Iniciativas que nos trouxeram a inspiração para lançar a Editora Deriva na perspectiva de transpor a militância pela democratização da cultura para fora da internet.

A Editora Deriva ainda é embrionário, mas já contamos com cinco títulos, pretendendo alcançar dez até o final do ano. Confira e apóie essa idéia e todas as outras editoras independestes que estão por ai traduzindo, editando e distribuindo ótimos textos.

Títulos disponíveis:
TAZ - Hakim Bey
O Casamento do Pequeno Burguês - Bertold Brecht
As Criadas - Jean Genet
Entre Quatro Paredes - Jean-Paul Sartre
O Diário de um Louco - Nicolai Gogol

Em breve:
Bolo´bolo - PM
Os Justos - Camus
Miséria do Movimento Estudantil - Situacionistas


Site da editora:
Editora Deriva

Email:: excambo@yahoo.com.br

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 9:02 AM


Quarta-feira, Julho 26, 2006 :::
 
GREVE DA ARTE
VINTE DAS MAIS DIFÍCEIS, CONSTRANGEDORAS E ESTIMULANTES QUESTÕES QUE VOCÊ PODERIA LEVANTAR SOBRE A GREVE DA ARTE 2010-2013



1. O que é a Greve da Arte?
A Greve da Arte é a interrupção total de todas as produções culturais por um período de três anos (2010-2013). Todos os artistas interromperão a venda, e o consumo de seus trabalhos entre 1º de janeiro de 2010 e 1º de janeiro 2013.

2. Que tipo de arte será atingido?
A Greve da Arte é um assalto total a atividade cultural dentro das tradições modernistas e pós-modernistas.

3. Greve pelo quê?
Para desmantelar o aparato cultural.

4. É uma piada?
Claro que não. Como fazer exposições se as pessoas não tem sapatos?

5. O que é a Greve da Arte?
A Greve da Arte é significa despir totalmente a criatividade. O que um artista considera como sua identidade não é nada mais do que um conjunto divisor de atitudes baratas e condicionadas.

6. o que há de errado em ser um artista?
Chamar uma pessoa de artista é negar a outro um igual dom de visão.

7. o que serei se não for um artista?
Pense em quantas pessoas já experimentaram o êxtase sexual sem sequer falar em fazer arte.

8. o que há de errado em fazer arte?
Estamos vivendo em tanques de isolamento, só que em vez de água quente estamos nos banhando em mentiras. Dentro da economia de informações, a oposição espalha o fluxo, cada afirmação cria a sua própria negação, o contexto muda constantemente, e o único princípio que emerge disso tudo é o princípio do próprio fluxo, o consumo.

9. o que é a Greve da Arte?
Silêncio.

10. O que vocês esperam alcançar?
Iremos para fora da história.

11. Por que eu deveria entrar em greve.
Interesse próprio.
12. É uma piada?
Claro: uma piada, uma fraude, a pior idéia de todos os tempos.

13. O que é a Greve da Arte?
Em suas origens, só mais um espetáculo de garoto branco metido. Agora, no entanto, as garotas também estão brincando.

14. Onde você entra nisso?
Esperamos promover as nossas próprias carreiras. É claro, somente o fracasso da greve iria conseguir isso, então não dá pra sair tão fácil.

15. Por que tantas pessoas odeiam essa idéia?
Porque tem medo de perder tudo aquilo que não têm e não mereciam mesmo se tivessem.

16. O sexo será melhor nos anos sem arte?
Nem é preciso dizer.

17. O que é a Greve da Arte?
A Greve da Arte é a mascara cerimonial de um movimento que se afasta da produção competitiva de arte e se aproxima de uma cultura acognitiva.

18. Quem está por trás disso?
Antes mil movimentos falharem do que um líder ser bem-sucedido. Qualquer um pode organizar a Grave da Arte, muitos o fizeram.

19. Por que três anos?
No primeiro, o mundo será um campo de experiências indiferenciadas. No segundo ano, figuras surgirão do cenário. No terceiro ano, uma cultura acognitiva emergirá.

20. Por que devemos para de comprar arte?
Porque a recusa da identidade artística é a única arma que nos resta e a demilição da cultura séria, o único caminho a seguir.


Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 7:00 PM


Segunda-feira, Julho 24, 2006 :::
 
Militando na Contra Informação

Já está à venda o segundo número da revista Pobres & Nojentas, revista alternativa editada pela Companhia dos Loucos, de Florianópolis, criada para mostrar que mulheres e homens empobrecidos também são capazes de fazer a história, transcendendo a sua condição de oprimido. Cansados de ver apenas os ricos e famosos tendo vez na mídia impressa, um grupo de jornalistas decidiu contar as histórias daqueles que nunca pisaram - nem pisarão - na Ilha de Caras. Nossos personagens são os trabalhadores e trabalhadoras, a gente comum, que batalha dia a dia para construir uma vida melhor. São as mulheres nojentas, aquelas que não se dobram, não se rendem e caminham na direção do grande meio-dia?, diz uma das editoras, com exclusividade para esse blog, que é um estranho atrator de desocupados.

O primeiro número, com tiragem de 500 exemplares - bancada pelo próprio grupo - teve sua edição esgotada em poucas semanas. Agora, a número dois traz as vivências do povo Guarani, na aldeia de Araquari/SC, a história de Bruna, uma mulher simples que sonhava em ser professora, crônicas, aventuras nos Andes, histórias de bichos e de heroínas latino-americanas, poesia e outras -cositas más. Reportagens cheias da quentura literária, da vida que se espraia pelas estradas secundárias, da caminhada de mulheres, homens e bichos desse país tão rico e tão pouco generosos com os seus.

Bom, eu não li a revista e pelo conteúdo anunciado, parece que eles podiam ser um poucos mais pobres e nojentos, mas tendo em vista a pobreza editorial da contra-cultura nacional e tendo uns poucos tostões pra torrar em besteira, não custa conferir. Fica aqui o pedido, se alguém comprar essa merda, que me dê o toque.

A Pobres & Nojentas é bimestral e custa apenas R$ 4,50 para quem é de fora de Florianópolis. Quem quiser receber um exemplar é só mandar o seu endereço para o correio eletrônico eteia@gmx.net e depositar o valor da revista na conta do Banco do Brasil ? agência: 0016-7 ? cc: 618.714-5

Vendas em Florianópolis: banca da UFSC

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 6:26 PM


Sábado, Julho 22, 2006 :::
 
Primeiro Informe da Associação Psicogeográfica do Recife
IAPR ¿ 0001.2006 (*)

Avenida Conde da Boa Viasta, centro do Recife. Eu estava lá pra me encontrar com o Yzaak para irmos a um seminário sobre o Movimento Passe Livre. Volta eu me imponho esses auto-flagelos. Como tinha chegado mais de uma hora antes do combinado e não tinha nada o que fazer e nem um puto tostão no bolso, resolvi fazer uma deriva.

Pessoas, isso daqui é um lugar do caralho pra se fazer derivas! Cheio de becos obscuros, becos sem saída, estranhas passagens e simbolismo mequetrefes. Entrei no clima em questão de segundos.

Como me é freqüente, acabei pensando merda. Não sei porque cargas de estrume acabei me lembrando do método cut up, desenvolvido pelo profanador de mentes William Burroughs. Que tal sentar numa sarjeta particularmente agradável e anotar numa folha de caderno (eu sempre carrego comigo um caderno e um livro, o livro, obviamente, não é pra ler, mas pra por o caderno em cima na hora de escrever) frases recolhidas ao acaso das pessoas que iam passando.

E assim foi feito. E assim, do nada, foi criado o método Street Cut Up de assassinato do tempo, também chamado pelos puristas da língua português de Recortes de Rua, termo que eu considero tão estúpido quando os puristas da língua portuguesa e a maioria das pessoas que eu conheço.

Como não consigo fazer nada sem várias camadas de intenções subjacentes, resolvi aproveitar a brincadeira como uma cerimônia de Magia do Caos ou Catimbó Caotizado, como costuma ser chamado pelos puristas da cultura pernambucana, termo que eu acho tão estúpido quanto os puristas da cultura pernambucana e a maioria das pessoas que eu provavelmente ainda vá conhecer.

O objetivo terreno e material do ritual de baixa magia era fazer com que o porra do viado do paunocú do judeu fake do Yzaak não se atrasasse como costuma fazer. O resultado é o que a seguir tornariei público, para o deleite das multidões ávidas por Novas Tranqueiras Contra-Culturais.

Street Cut Up Recortes de Rua, dependendo de que time você joga.
...cartão magnético, aí eu não posso...
...uma promoção não, assim, 15 minutos, relâmpago...
...o ar condicionado parou e jorrou...
...tava deitado...
...comprei...
...se você quiser...
...ta dizendo que é de ouro, então o jerimum é...
...só mesmo a mochila, hahaha...
...por aqui não...
...marlene! oi! ...
...tem folga hoje? ...
...porque dentro dela tem paralelo...
...eu me ferrando e ela em casa...
...lá em casa acabou-se tudo...
...é a tua prima...
...tomei três e fiquei com o bucho estourando, imagine tu...
...numa pamonha...
...não sei onde é que ta...
...quase que eu não vinha...
...como anda...
...poderia ser mais...
E aí!(**)

Pra quem conhece a funcionabilidade da Magia do Caos é desnecessário dizer que aquele E aí! dissimulado foi pronunciado pelo viado do paunocú do judeu fake do Yzaak em pessoa.

É isso aí seus desocupados, o negócio funciona mais que a Lei da Gravidade! Podem tentar em casa (***)

O importante num ritual desses é não ficar muito naquela expectativa quanto aos resultados. Conserve sempre um saudável desinteresse. Procure manter a mente quieta, livre das coisas imbecis que você costuma pensar. Concentre-se na calçada ou então nos pés das pessoas que passam, acredite, isso pode ser divertido.

Não se preocupe em perder uma frase ou outra ou então tentar compreender todas. Uma certa dose de ineficiência é patafísicamente recomendado e se só algumas frases atingem nossa percepção, bom, isso deve ser sinal de alguma coisa, não é mesmo?

Por fim, alguns desocupados mais atentos devem estar se perguntado se esse caralho aí é Psicogeografia ou Magia do Caos? Explico

Trata-se de um levantamento de dados para futuras Pesquisas Psicogeográficas sobre o quanto um ambiente urbano ou a arquitetura influenciam nos assuntos abordados nas conversas das pessoas. É, pois é, então ta então.

E aqui termina o Primeiro Informe da Associação Psicogeográfica do Recife (IAPR ¿ 0001.2006). Outros virão, é só ter um pouco de paciência.

Notas:
(*)A Associação Psicogeográfica do Recife é composta por um membro ativo, eu, e por três membros inertes, Yzaak, Diego e Igor e sim, membros inertes é mesmo uma sacanagem que estou fazendo com eles
(**)Um detalhes desconcertante da história foi o número de linhas, no caso, o número de frases captadas até o Yzaak chegar. Somem e notem o resultado. Isso não é maravilhoso?
(***)fnord


Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 7:59 PM


Sexta-feira, Julho 21, 2006 :::
 
Compre-me: eu, vontade de morrer.

O fato é, como disse Gilles Deleuze, que, na sociedade de controle, as pessoas tornaram-se amostras, dados, mercados ou ¿bancos¿ percebidos em cada quarteirão da cidade por cartazes de propagandas. A disciplina e a vigília não têm mais o formato de panóptico, elas se liquefizeram, são nômades, onipresentes, e tem copyright. Em meio ao caos, os olhos perseguidores do big brother publicitário (com alma de empresa) travam uma batalha contra piratas virtuais e outras formas de oposição. O cenário é uma zona ambígua, sem fronteira, onde a sede do poder e o local da resistência repousam: um tempo que prefere a imagem à coisa, a representação à realidade.

O direito de existir agora coincide com o direito de consumir: as corporações penetraram tanto no sistema que chegam a substituir o governo, e, neste contexto, as marcas constituem a nova religião. ¿As pessoas se voltam a elas em busca de sentido¿, declarou a agência Young & Rubicam ao jornal britânico ¿Financial times¿, em reportagem do ano passado. A empresa comparou os construtores das marcas registradas de hoje aos missionários que difundiram a cristandade e o islamismo pelo mundo: ¿foi a paixão com que eles comunicaram essas crenças que levou as pessoas a reagirem aos milhões, porque as religiões eram baseadas em idéias poderosas que conferiam significado e objetivo à vida¿. As corporações acreditam ostentar a ¿paixão e o dinamismo necessários para transformar o mundo¿ e converter as pessoas a sua maneira de pensar, ¿por meio de comunicação de alto nível¿, o que, para muitos e para Deleuze, é uma notícia aterradora. ¿O marketing é agora o instrumento de controle social e forma a raça impudente de nossos senhores¿, alerta o filósofo francês.

E, então, todos os lugares ficam iguais. A comunidade se torna um produto ¿ uma aldeia de compras, tranqüila e sob constante vigilância. ¿O desejo das pessoas é preenchido em outro lugar, através do show, vendido a nós, de uma forma simulada. Uma rua ou praça de novela de TV imita a área que o concreto e o capitalismo estão destruindo¿, diz um comunicado do coletivo de ¿anarquitetos¿ ingleses ¿Reclaim the Streets¿.

Para Guy Debord, este momento, onde o fetichismo da mercadoria chega à ocupação total da vida social, é o espetáculo: ¿não só a relação com a mercadoria é visível, como nada mais se vê senão ela: o mundo que se vê é o seu mundo¿. A ilusão é sagrada na realidade corporativa. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação. Assim, o espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo. O espetáculo vende tiranias, príncipes, logos, ideologias deturpadas e provoca no humano uma angústia de seres cadavéricos. Porém os restos mortais ainda possuem a vontade de consumir. Carregam suas coleiras eletrônicas ¿ o celular ¿ e deixam, através dos cartões de crédito, seus dados pessoais na realidade virtual. Ali, recebem a carga necessária para mantê-los alerta, agora com um corpo eletrônico que oscila entre a perfeição do pânico e a afania histérica. As personagens deste enredo são ¿cães apaixonados pelo próprio vômito¿: pessoas induzidas ao prazer de se autoconsumir. ¿O autocanibalismo é o símbolo material do consumo excessivo, só pelo prazer de sê-lo¿, segundo os ¿artivistas¿ do Critical Art Ensemble.

O corpo eletrônico, livre da carne, livre da economia do desejo, livra-se da dor do devir e pode, em um campo de batalha ¿ o rizoma eletrônico ¿ sem monopólio ou domínio, enfrentar o teatro da rua e os destroços culturais associados a este espetáculo de controle e consumo. É relevante dizer isto, pois a realidade virtual é o dispositivo que melhor representa o papel das novas tecnologias da imagem na sociedade contemporânea, assim como o panóptico foi para a sociedade disciplinar e a televisão para a sociedade pós-industrial.

Basta pesquisar um pouco para achar personificações perfeitas do ¿moneyteísmo¿. Leo Myers, engenheiro de segurança da Mattel, entusiasmou-se ao contar sobre os novos aparelhos de segurança de sua empresa: ¿em nossas instalações de fabricação, administração e distribuição, temos uma filosofia específica ¿ as câmeras fazem com que as pessoas honestas continuem honestas¿. É uma declaração inconsciente, mas desmascarada, dos métodos de observação de uma conjectura que pode ter sua realidade retratada como uma ocupação militar. ¿Fomos ocupados, como os franceses e noruegueses foram ocupados pelos nazistas durante a segunda guerra mundial, mas hoje por um exército de profissionais do marketing¿, desabafa a professora emérita da Universidade de Toronto Ursula Franklin.

Esta guerra é travada nos limites do espetáculo, que se transformou no local de mediação entre o mundo concreto e o virtual, fator que traz mais complexidade ao engenho da, como classifica a jornalista Naomi Klein, ¿tirania das marcas em um planeta vendido¿.

Mas aí vem uma indagação fundamental feita pelo anarquista Hakim Bey: ¿estamos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca pisarmos, nem que seja por um momento sequer, num pedaço de terra governado apenas pela liberdade?¿. Devemos esperar até que o mundo inteiro esteja livre do controle político, e da falsificação da palavra que forma esta coerância inventada, para que pelo menos um de nós possa afirmar que sabe o que é ser livre?

Há os que acreditam que, como nos filmes de David Cronenberg, a realidade do mundo é apenas um jogo, uma convenção dissimulada estabelecida por um acerto entre pessoas cujas mentes encontram-se numa mesma sintonia. E, se olhar é, segundo Chauí, ¿sair de si e trazer o mundo para dentro de si¿, o que captamos? Talvez códigos emitidos por estas pessoas que parecem vindas de maçonarias do marketing. E como vencer este poder, esta força que constrói a realidade? Como clarear a vista e distinguir o original da cópia? Visto que aquele que engana encontra sempre a quem enganar, como estar à margem desta situação e resistir?

Para Raoul Vaneigem, integrante do grupo Internacional Situacionista, resistir a esta situação ¿é uma questão de não elaborar o espetáculo da recusa, mas sim de recusar esse espetáculo¿. Vaneigem pregava que ¿as idéias deveriam voltar a ser perigosas¿: fator essencial na tentativa de desregular a sociedade de controle e a ¿nova economia¿.
O escritor François Brune acredita que a resistência está mesmo se organizando. Para ele, ¿qualquer dirigente político que tenha a noção do interesse público, qualquer jornalista que deseje de fato informar, qualquer educador que queira desenvolver a consciência, qualquer humanista que tente promover a dignidade dos indivíduos, qualquer militante que trabalhe pela emancipação dos povos, ou simplesmente pela salvaguarda da cidadania, todos encontram em seu caminho o obstáculo da publicidade. Estas duas últimas décadas viram surgir muitos protestos individuais ou de categorias, sem dúvida esparsos demais para deter o vasto sistema econômico-midiático que nos cerca, mas cuja reprodução preparou a resistência coletiva que agora está emergindo¿.
A pesquisadora Ivana Bentes também enxerga uma nova espécie de ¿ativismo e rebeldia¿. ¿Se fosse preciso uma palavra para reconhecer a nova militância, eu escolheria ¿desobedientes¿, atividade positiva, construtiva, afetiva. A militância atual não precisa de centro, mas de redes, não precisa definir o que é ¿de direita¿ e ¿de esquerda¿, porque para os novos ativistas só existe ¿o lado de dentro¿. Não possui nenhum modelo pronto para oferecer. É um laboratório mundial. Outra característica da nova militância: fazer da resistência um ato de criação, um contrapoder. Para enfrentar um poder sem fronteiras nem limites, mutante, a nova militância terá que ser igualmente fluída e plástica. Criar novos ícones e ser pop. Conectar a gente das ruas com hackers, nômades, rebeldes. E pode até na mão direita uma rosa levar¿, diz ela em texto publicado pelo caderno Mais!, da Folha de São Paulo, em fevereiro de 2003.
Apesar da desigualdade de poder entre os cidadãos e o sistema que os escraviza, os resistentes buscam estratégias para combater o conjunto de profissionais da alienação, estes meliantes que condicionam as massas através de armas psicológicas, neuro-sensoriais, sociológicas (pesquisas) e semiológicas (técnicas de comunicação). Além disso, os opressores utilizam-se de uma tática de transbordamento, como explica François Brune: ¿enquanto eu me insurjo contra o outdoor que obstrui minha rua, um anúncio de televisão enfia na cabeça do meu filho a última marca que ele vai exibir¿.

A nova resistência tenta ¿ de modo criativo - denunciar os estereótipos recorrentes veiculados por cartazes e anúncios, os modos de felicidade convencionais e os esquemas de desejo alienantes, porém o corpo que manifesta a ausência de anseio econômico racionalizado é aquele que somos ensinados a temer. Ele é o símbolo do próprio orgânico: ¿é a sopa primordial, o útero preenchido de placenta para o qual não pode haver retorno. Mencionar o sagrado, ou pior, exibir sinais de orgânico, o código da morte, é rejeitar a inscrição econômica. Fazê-lo é tornar-se um dos abjetos, e sofrer um grande castigo¿*. Apesar de tantas evidências, a despolitização da imagem e o mecanismo de ilusão são mais fortes e moldam o alienado. Este, por sua vez, quanto mais o contempla o objeto espetacular, menos vive; ¿quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo¿**. Então, consumido pelo teleespetáculo, dopado pelo telecomando, ele diz: ¿Compre-me: eu, vontade de morrer¿.

* Critical Art Ensemble, em ¿Distúrbio Eletrônico¿.
** Guy Debord, em ¿A Sociedade do Espetáculo¿


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::: posted by ARI ALMEIDA at 7:19 PM


 
Engenharia da Fofoca (com especialização nas funções subversivas da mesma)
Ari Almeida

Antes tratado como indigna, a fofoca deve der vista hoje como elemento fundamental para compreender as relações sociais e para se articular estratégias de subversão .
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No passado desdenhado como assunto indigno do interesse dos estudiosos, a fofoca se tornou tema de pesquisa para psicólogos, sociólogos, antropólogos e historiadores, bem como para os especialistas no estudo da comunicação e malucos como nós, interessados apenas na subversão e avacalhação do sistema.
A abordagem quanto ao estudo do fenômeno, que pode ser definido como "um relato curto, anônimo e não confirmado quanto a um suposto evento", deixou de ser negativa e passou a ser positiva. Para os mais ligados dos assuntos que escapam ao senso comum, passou a ser mais uma ferramenta subversiva.

Originalmente, as fofocas eram transmitidos de pessoa para pessoa, mas hoje em dia se tornou necessário incluir as histórias que circulam nos jornais, na televisão e na Internet. Só que não nos deixemos seduzir pela lógica tecnocrática, é ainda no cotidiano que demos nos concentrar, é nele que nascem os grandes mitos, essas loucas fofocas elevadas a instituições.

A questão é que finalmente a fofoca começa a ser encarada com seriedade cada vez maior, na forma de narrativa, produto coletivo e até mesmo um jogo, ressaltando o aspecto lúdico de se viver em sociedade, para o qual muitas pessoas contribuem à medida que a história se difunde.

É burriçe acreditar literalmente em fofocas, mas é igualmente tolo descartá-las por inteiro, afinal a verdade nos escapa, sempre, e pouco mais nos resta além de brincar e jogar com as mais variadas faces que essa tal verdade se apresenta. A fofoca destrói aquela fronteira em que a ficção é quase ou pode ser real e a realidade é quase ou pode ser ficção.

Após vários estudos, alguns acadêmicos, desocupados ou fracassados, pouco importa ( posso citar nomes sim, pesquisem no Google....) , chegaram a algumas conclusões fascinantes quanto às circunstâncias que favorecem sua difusão, as maneiras pelas quais as narrativas são elaboradas e sobre as funções sociais que elas têm a cumprir. As funções subversivas cabem a nós, rebeldes em guerra contra o Império.

Comecemos pela questão da circulação. Geralmente um boato começa sua carreira como resultado de um incidente dramático que funciona como "gatilho". Algo que fuja da normalidade da rotina, algo, enfim, que subverta a rotina. Pensemos em termos subversivos (e olha que é a terceira vez que estou usando essa palavra no texto, prometo, vou dar um tempo) é o velho & bom distúrbio cotidiano.

Outra conclusão interessante do estudo dos tais desocupados envolve o tipo de pessoa mais ativa na propagação e amplificação da fofoca, os "condutores", como se poderia designá-los. Geralmente tais pessoas são aquelas vitimadas pelo tédio e pela rotina, de forma que podemos sem medo de errar de rotulá-las como subversivas (porra, de noco?): subvertem a ordem recorrente. Podemos estender essa constatação a membros de instituições e até mesmo corporações como o clero, a polícia, funcionários de estatais, de bancos, de lotéricas e camelôs.

A fofoca pode expressar uma esperança, um desejo reprimido por um tabú, uma boa piada ou até mesmo um filha da puta de uma sacanagem com um desafeto. No entanto temas mais comuns, que acabam virando lendas urbanas, ou seja, fofocas institucionalizadas, envolvem desastres como incêndios, fomes, doenças, assassinatos, seqüestros e assim por diante. Eventos que ficam em larga medida excluídos do controle humano, que acabam fazendo que as fofocas sejam os grandes pontos de partida para as mais loucas teorias de conspirações.

A responsabilidade por essas conspirações, por sua vez, é atribuída aos "vilões culturais" de uma determinada era e local, como as feiticeiras, os saqueadores, os judeus, os católicos, os jesuítas, os maçons, os comunistas, os muçulmanos fundamentalistas, os síndicos reconhecidamente reacionários, o vizinho estranho além da conta, aquela cunhada que não se contenta em saber das coisas e o tio do bar, que sempre nega o fiado nos piores momentos possíveis.

Quando começam a se espalhar, as histórias talvez não sejam muito sensacionais, mas à medida que circulam são adaptadas, consciente ou inconscientemente, e assimilam formas que as tornam irresistíveis. Os elementos da fofoca que os ouvintes recordam e transmitem aos outros dependem de seus interesses, preconceitos e ansiedades. Assim, os personagens da trama se transformam em estereótipos, especialmente vilões estereotipados, e a história se torna um mito. Os mitos desempenham funções sociais.

Uma crise cria demanda por notícias, mas, especialmente em tempo de guerra, a livre circulação de notícias não é permitida, e o lugar delas é ocupado por boatos. As pessoas precisam compreender as crises que estão vivendo, e as fofocas oferecem explicações vívidas e memoráveis e atribuem a responsabilidade pela fome ou pela peste a indivíduos ou grupos odientos.

A ênfase em conspirações poderia ser descrita como "paranóica", mas apenas no sentido mais amplo do termo, que abarca sua presença entre as pessoas normais. Um boato também poderia ser descrito, de forma igualmente apropriada, como tentativa de solucionar um problema.

E um último ponto a salientar quanto as fofocas envolve suas conseqüências. As fofocas muitas vezes fazem com que coisas aconteçam, porque mobilizam a sociedade. E quando falo isso não me refiro ao Zé Ruela que deixou a mulher após ouvir falar que era corno. Os preços das ações nas Bolsas de todo o mundo flutuam em resposta a fofocas. O exemplo das Bolsas nos lembra que, a despeito de seus elementos arcaicos, as fofocas continuam a ter papel muito importante na vida cotidiana de pessoas educadas e em sociedades modernas, quer circulem por telefone, e-mail, blogs ou nas páginas do jornal diário.

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 1:43 PM


Quinta-feira, Julho 20, 2006 :::
 
E aí cambada de Inúteis. Lembram da época em que estávamos viajando numa parada de inventar um ativismo nonsense? Lembram que até empreendemos três ataques usando essa linha de raciocínio sem noção? Num deles até o meu nariz se deu mal, quando fizemos o Bob Esponja ir a um culto da Igreja Universal? O que? Não lembram?? Bando de ingratos. Mas um cara puta de gente boa, taquió, o link da postagem no CMI.

Pois, então, hoje esse blog foi visitado pela Fada Verde e através do link deixado por ela descobri que sim, existem 5 minas sem um pingo de noção que também pensam desse jeito e pelo que entendi,até tem um grupo ativo. Isso não é lindo? Isso não é maravilhoso? Abaixo vão alguns aperitivos do sensacional blog delas. Que blog? O Delírio Coletivo, porra!!!!

Período Nonsense

Ao longo da história, a maioria dos movimentos literários e artísticos
contradiziam o movimento anterior.O Renascimento foi contra tudo o que
a Era Medieval disse, o Realismo negava os fundamentos do Romantismo e
assim por diante.

Já o movimento Nonsense resolveu que não gostaria de contradizer o
movimento anterior, no caso, o Modernismo e a Pop Art, o Nonsense quis
negar absolutamente tudo ou não negar absolutamente nada.
Sob a máxima "Quem quer fazer sentido!?", esse movimento cria uma
contradição de tudo e dele mesmo, com raízes em todos os estilos
literários e tendo por característica a abolição da linguagem
figurada, nada mais era figurativo, tudo era real, e o que era real
não existia, ou existia, ou o que quer que o leitor prefira.

O que aconteceu foi que no fim do século XX e começo do século XXI,
com o fim da Guerra Fria, a ascensão dos EUA como maior força política
e econômica do mundo, detendo um poder quase imperialista e com a
estagnação de todo e qualquer movimento revolucionário, o mundo
conheceu um período de conformismo em que qualquer coisa era uma
revolução.Andar fantasiado, por exemplo, ou simplesmente usar um nariz
de palhaço pela rua, já causava um grande choque por quebrar a
monotonia cotidiana.

O movimento DC,autor da obra Sofia, foi um dos primeiro a notar isso e
adotar a idéia do Nonsense.

Da idéia para a prática foi um pulo. Embora no começo, apenas algumas
pessoas tivessem adotado essa "revolução", assim como em qualquer
outra já ocorrida, o clima e as idéias sem
sentido foram tomando proporções mundiais e o mundo conheceu uma época
maravilhosa, onde a espontaneidade e a imaginação tomaram conta de
todos e tudo passou a ser fantástico e irreal. Chegou até a haver um
certa desaceleração nas pesquisas cientificas, afinal não importava
mais provar que pode-se dividir uma célula infinitamente.

Antes desse movimento, as pessoas buscavam uma explicação científica
para tudo, mas depois ninguém mais queria a explicação lógica e
inteligente. Todos perceberam que a fantasia era bem melhor, que cada
um poderia formular sua própria teoria para qualquer coisa, todas as
lendas sobre os "porquês" voltaram à tona e todos os povos buscavam as
raízes de suas culturas para saber algo, quando não encontravam,
criavam uma nova cultura.

Em meados da década de 10 do século XXI, o mundo já não fazia sentido
algum. Viam-se pessoas fantasiadas, nas ruas, nos supermercados e até
nos escritórios você encontrava pessoas vestidas de Pantera
Cor-de-Rosa ou Smurffle.

As casas tinham pinturas psicodélicas e, às vezes, achavam-se
florzinhas desenhadas no meio da rua.
Com a população nesse incrível estado de espírito, era natural que as
artes também seguissem esse caminho.

Leis Absolutas

1ª Lei Absoluta
PATAFÍSICA- Tudo é decidido pela imaginação e não pela razão.

2ª Lei Não Absoluta
Não encher as caras aos domingos.
Quem quer fazer sentido?
A realidade é relativa;
A Fantasia é bem melhor;
Arte, Poesia e Loucura.

3ª Lei Absoluta
Usar LSD.

4ª Lei Absoluta
Enlouquecer a Política.

5ª Lei Absoluta
Nenhum tipo de censura.
Mandar as preposições e a gramática pro inferno!

6ª Lei Absoluta
O que fazer em casos de incêndio?
Deixe queimar!

7ª Lei Absoluta
Jogar uma garrafa de conhaque no Delírio Coletivo

8ª Lei Abosoluta
DELIRAR.

9ª Lei Absoluta
Assassinar a monotonia causada pela razão.


........................................................
Alguns de vocês devem estar se perguntando: porque caralho o Ari linkou a fonte ao invés de plagiar filhadaputamente como ele sempre fez. Bom, pra tudo existe uma explicação, mesmo que essa explicação não se encaixe com a realidade. Se for o caso, a realidade é que está errada. A explicação é a seguinte: porque diacho uma mina dessas não me dá bola??? Então, pra facilitar o tal passe de bola resolvi divulgar o blog delas, que é muito bom. Se bem que, pelo espírito das postagens delas é bem capaz que elas curtiriam se plagiadas e eu esteja fazendo um gol contra. Vai saber...A questão é a seguinte:

Entendam como quiserem e fnord no cú de todo mundo


Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 6:28 PM


Quarta-feira, Julho 19, 2006 :::
 
Essa porra é a mulher do sapo

De acordo com um mito (não sou biólogo para dizer se é verdade), se você colocar um sapo numa panela de água fervendo ele pula fora e salva a própria vida. Mas, se você colocar o sapo numa panela de água fria e for esquentando a água aos poucos, ele não percebe a mudança da temperatura e morre cozido.

Mas porque o sapo não pula quando a água começa a ficar quente? Será que ele não sente que a água esquentou?

Vamos tomar a personalidade dele, enquanto a água está esquentando, e verificar o que se passa na cabeça do sapo: 28 Graus - Humm... que água gostosa .. 32 Graus - É ... a água está boazinha .. 36 Graus - Esta água está ficando sem graça, será que está esquentando? Bobagem! Por que a água iria esquentar? Deve ser impressão minha. 38 Graus - Estou ficando com calor ... Que droga de água! Ela nunca foi quente, por que está esquentando? 39 Graus - Essa água é uma porcaria! Melhor nadar um pouco em círculos até a água esfriar de novo.

40 Graus - Esta água é muito quente , humm que ruim! Vou voltar lá para aquele lado que estava mais fresco ou será que é melhor esperar um pouco? 42 Graus - Realmente, esta água está péssima, quente de verdade, tenho que falar com o supervisor das águas. Claro, eu podia pular fora, mas onde será que vou cair? Melhor esperar só mais um pouquinho. 43 Graus - Meu Deus! Será que eu tenho que fazer tudo por aqui? Já reclamei e ninguém toma uma atitude? 44 Graus - Mas este supervisor de águas não faz nada? Será que ninguém nota que a água está super quente?

Vou esperar mais um pouco ... 45 Graus - Se ninguém fizer nada eu vou fazer um escândalo ... Aiiiii que calor! 46 Graus - Eu devia ter pulado fora quando eu tive oportunidade, agora é tarde. Estou sem forças. 48 Graus - "sapo morto".

O pensamento do sapo ilustra o processo de mudança no ambiente e como as pessoas reagem. No mundo de hoje em que as mudanças de "temperatura" são tão corriqueiras, quem pensa como o sapo, perde as oportunidades de mudar e crescer.

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 11:25 AM


Terça-feira, Julho 11, 2006 :::
 
Diga SIM à pirataria

No antepenúltimo post paguei pau pro coletivo sabotagem, Não foi mesmo? Pois então, aqui tem uma porrada de livros, muito mais que no site do coletivo e aqui tem mais. Se quiser, tem esse outro.

É isso aí macacada pelada, vamos BOTAR NO CÚ dessas Editoras filhas de umas putas que cobram fortunas por bens culturais. Se alguém souber de outros depósitos de cópias piratas, que postem o link nos comentários.

Toda a propriedade é um roubo.
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Direito autoral de cú é rola.
E Fnord no cú de todo mundo.

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 8:53 AM


Segunda-feira, Julho 10, 2006 :::
 

BOLO'BOLO




O Texto abaixo é um depoimento do autor dessa sensacional e obscura obra. Clique aqui para ter acesso a versão on line do livro. Leiam e depois me digam se é ou não é do caralho!!!! Não sei porque demorei tanto pra postar isso, hehehe.

A idéia original de criar esta linguagem secreta maluca me veio porque a terminologia de esquerda européia já não era mais viável. Hoje, quando as pessoas falam sobre comunismo, é gulag, ninguém quer saber nada a respeito. Ou, se falam sobre socialismo, então se referem à política de Schröder ' cortes nas aposentadorias ' e ninguém tampouco se interessa. E todas as demais expressões estandardizadas, tais como "solidariedade", "comunidade", estão todas contaminadas e não têm mais utilidade. Entretanto, as coisas que defendem na verdade são muito boas. Eu não tenho intenção de sofrer por causa de terminologia, pela qual não sou culpado; em vez disso, prefiro criar meu próprio jargão. Seria mais complicado explicar que o comunismo sobre o qual estou me referindo não é aquele que presenciei. É mais fácil dizer que sou um bolo-bolo, e aí as pessoas começam a pensar tudo de novo e a repensar as coisas.

Nasci na Suíça e moro em Zurique. Minha tarefa principal é lecionar numa escola secundária e sempre fui politicamente ativo nas minhas horas livres. Sou um velho ativista de 1960; estava lá, nas demonstrações anti-Vietnã e tudo aquilo. Mais tarde também estive com os sem-teto e tomei parte nos movimentos antinucleares. Fiquei um pouco envolvido em tudo que aconteceu. E então, de alguma maneira, o movimento cessou; ainda havia um movimento sem-teto em Zurique, e também sei que muitas casas em Genebra foram ocupadas, mas a coisa foi calmamente dominada pela polícia. Depois não restou mais nada lá. Seguiu-se, então, um clima depressivo, como costuma acontecer depois de tais movimentos cíclicos. Naquele momento eu disse: vou escrever tudo o que ainda devemos considerar como importante. Fiz uma lista, como a de natal, uma longa lista de coisas que ainda considero que vale a pena -- colocar na meia.

Aí eu li a lista e vi que parece bem chata agora. Por exemplo, coisas como "queremos viver juntos, uns com os outros, em solidariedade", "não queremos crescimento econômico", ou "queremos respeitar o meio ambiente". São todas aquelas chatices sócio-ecológicas que podem ser encontradas em plataformas de partidos. Eu queira espanar isso um pouco, por isso pensei, OK, vou inventar uma utopia. Porém não é, de maneira nenhuma, uma utopia. Conheço todas as utopias. Na maneira como são descritas, são de certo modo atraentes. Mas fiquei também sumamente fascinado pelo arredondamento, ao submergir em outros mundos com sua própria terminologia. Pensei: consigo vender essas coisas de maneira bem melhor, essas noções desejadas, se eu as dissimular como utopias.

Por isso inventei esta linguagem. "bolo-bolo" realmente não quer dizer nada a não ser comunismo. É simplesmente uma tradução; tratam-se de sistemas de sons polinésios. Certa vez estive em Samoa e gostei muito de lá. Há certos paralelos lá, remanescentes de sociedades relativamente intactas, portanto aí estava o meu livro.

Devo enfatizar que não existe uma única idéia nova nesse livro. Tudo se refere a algo que já tinha encontrado. É possível chegar ao bolo, à unidade por meio de várias direções, à unidade básica de como as pessoas podem conviver juntos com alguma sensibilidade sem destruir o planeta, seus nervos e seus produtos. Uma abordagem é a comunicação: quando as pessoas não conseguem falar racionalmente umas com as outras, elas se tornam dependentes de autoridades em escalões mais altos, têm de ter supervisores para realizar sua comunicação. Compreendemos, por exemplo, a teoria da comunicação que diz que ela pode funcionar informalmente com até 150 pessoas, o que significa que não são necessárias quaisquer estruturas. Fica, então, muito confortável e existem muito mais argumentos que o necessário, pelo fato de a comunicação ser tão fácil. Por isso cheguei a uma unidade básica, uma reunião, que deve ser relevantemente maior que 150. Digo que 500 não seria mau, 400, 600, 700 ou 800. Aí existe outro limiar que precisa ficar por volta de 1000, após o que se torna necessário delegar, para organizar. Tal administração exigira, então, um comitê e um certo nível profissional. Aqui chegamos ao domínio de uma burocracia estruturalmente necessária. E eu não gosto disso; a coisa cresce rapidamente, porque ninguém controla a burocracia, para que ela realmente faça aquilo que você quer. E esses órgãos de controle são, novamente, susceptíveis de corrupção e têm de ser monitorados; fica bem complicado.

Para mim, a janela encontra-se em algum lugar entre a organização social sensível do conforto das 150 pessoas e aquela, desconfortável e incipiente, das 1 000 pessoas. Têm de estar nesse meio-termo: esse é o caminho. Outro caminho poderia ser algo mais ecologicamente orientado. Os problemas ecológicos do planeta ficam no Norte, onde carecemos de aquecimento e onde criamos um projeto urbano que exige transporte em automóveis, por exemplo. Se a gente quiser se livrar disso, se quisermos reduzir o consumo de energia a um nível globalmente aceito, então aproximadamente um quinto do consumo presente teria de ser realçado aqui. Não estou falando do Sul; lá eles já usam 100 vezes menos energia que nós. Quanto a isso, não enfrentam problemas; eles talvez tenham um problema oposto. Vão ter que crescer para atingir um quinto da energia consumida. Mas, se a idéia é consumir menos energia, então não é mais possível ter carros, ou casas de uma única família, as pessoas terão de se movimentar conjuntamente. Então será possível pensar num tamanho de casa que seja mais fácil de isolar e menos custosa de aquecer. Os prédios se tornarão cada vez mais compactos, porque então o relacionamento da superfície externa com a quantidade é a mais eficiente. Isso quer dizer que é no Norte, por exemplo, nos Estados Unidos, que as pessoas morando em casas pequenas e suburbanas teriam de mudar para palácios "do povo", ou eco palácios, mais fáceis de aquecer. Eu sempre digo que é possível fazer uma tipologia abertamente concreta, que naturalmente a gente tem que encarar com ironia. Todos nós temos que morar em edifícios que têm oito andares, cerca de 100 metros de comprimento por 20 de largura. Esta monstruosidade de concreto é uma necessidade ecológica.

Eu sempre começo com este bolo urbano ocidental. Nunca dito regras de como outras pessoas devem se organizar. Simplesmente pego a Suíça como exemplo, mas dá no mesmo para o resto da Europa ocidental. Como organizar a agricultura em conjunção com essas estruturas urbanas? Minha sugestão, e também a de muitas pessoas que vem estudando ecologia e agronomia, é a seguinte: na Europa ocidental, para suprir as necessidades de um bolo assim, necessitaríamos de 90 hectares do tipo de terreno que temos aqui. Numa cidade média como Zurique, esses 90 hectares podem ser encontrados num raio de cerca de 30 km em volta da cidade, aqui haveria espaço. Isso continua disponível, se não construirmos e pavimentarmos tudo em breve. E então seria possível, num sentido puramente esquemático, designar cada bolo para uma fazenda de 90 hectares. Isso é um cálculo bem generoso, porque na Suíça as fazendas medem, em média, 15 hectares, na Áustria talvez sejam um pouco maiores. Embora se tratem de unidades relativamente grandes, isso não significa que grandes áreas tenham de ser convertidas em fazendas. Essas teriam, intrinsecamente, estruturas bem diferenciadas, onde seria possível produzir tudo, de batatas a leite. Isso permitiria atingir uma boa eficácia ecológica, porque um caminhão pequeno ' ou talvez mesmo um vagão de trem ' teria de viajar apenas uma vez por semana entre a área rural e a urbana. Para a viagem de retorno, poderiam carregar fertilizantes. Então seria possível desenvolver um sistema em que as pessoas morando no bolo poderiam também trabalhar na área rural. Seria muito mais eficaz que o sistema de suprimento de supermercados de hoje, onde se está lidando com uma série de transportes intermediários, em centros de distribuição, e então, novamente em supermercados, e aí ainda temos de ir ao supermercado. No caso de bolos, cada bolo seria um supermercado, com departamentos de terras diversificadas, suficientemente grandes para desenvolver fazendas economicamente. Não se pode continuar com a agricultura de hoje porque ela só funciona com grandes suprimentos de petróleo, produtos químicos e outras coisas. São necessárias fazendas biologicamente mistas, onde se possa combinar plantios diversos na mesma área, de modo a se fertilizarem entre si. Não estes imensos campos monótonos; isso não funcionaria mais. Mas uma agricultura mista, assim, exige muito mais mão-de-obra que hoje ' o que é bastante bom ' talvez três vezes mais. Isso, porém, não é muito, porque na Suíça a agricultura utiliza mais ou menos 3% da força de trabalho, portanto então seriam cerca de 10%. Porém, nesse meio tempo, todos os bancos teriam sucumbido e haveria mais gente suficiente para entrar no sistema.

O que eu descrevi agora é o sistema; entretanto, eu o faria de modo diferente. Talvez seja bem mais divertido quando bolos diferentes em áreas diversas de terras troquem suas coisas entre si, para que não se tenha que comer sempre a mesma coisa. Certas coisas podem ser intercambiadas globalmente. Temperos, por exemplo, são bem leves e eficazes, ou óleo de oliva, nozes, tâmaras e todo tipo de queijo e lingüiça, vinho, é claro; tratam-se de produtos altamente concentrados, sem restrições ecológicas em termos de transporte.

A forma mais simples de intercâmbio é o presente. É também a mais perigosa, especialmente para quem o recebe. Esta troca é possível quando alguém é relativamente independente. O bolo possui uma soberania básica; na Suíça temos um ditado ' ser suficientemente independente para ser generoso. Em termos marxistas, não é necessário investigar se você presenteou valores demais. Há uma ampla variedade de presentes. E, uma vez que se assume que o bolo existe em todo lugar, doar significa um tipo de honra para esses bolos, o que significa que, em retorno, eles também podem receber algo. Essa seria uma importante forma de intercâmbio, que não fica especificamente presa a qualquer commodity. Pode-se dar de tudo; tempo, poemas ou o que se queira.

Provavelmente, o aspecto mais importante desse sistema que estou descrevendo seja o arranjo de troca permanente. Chamo isso de "feno." Significa, por exemplo, que existem contratos de troca com bolos vizinhos. Se se quiser concretizar isso em termos suíços, então: você conserta nossa janela porque você tem uma oficina de consertos de janelas, nós consertaremos suas instalações sanitárias, de modo que cada bolo tem todo tipo de oficina de reparos.

Eu tenderia a ver uma terceira forma de intercâmbio num nível mais alto; eu me refiro àqueles sacolões de bairro ou centros de atacados da cidade. É possível descrever isso como socialismo ou comunismo. Os bolos de uma cidade, de um modo geral, carecem de mercadorias que não podem eles mesmo produzir, ou que necessitem apenas ocasionalmente. Eles possuem, por exemplo, um depósito central de atacado para maquinaria e quando necessitam de determinada máquina, vão lá e apanham. Seriam, portanto, serviços comunitários, como temos hoje com a água, a eletricidade, e certas commodities, como sal e açúcar, que exigem grandes volumes e têm de ser produzidos de alguma maneira centralizada. Seria possível distribuí-los de graça, porque todo mundo necessita da mesma quantidade, de qualquer maneira. Isso já seria possível hoje. Primeiro, eu descreveria algo assim como socialismo, ou até comunismo: todo mundo pega o que precisa e produz o que pode. Então, naturalmente, haveria a variável de troca por dinheiro; isso certamente estaria presente. Acho que o dinheiro é importante para mercadorias que não sejam utilizadas assim tão freqüentemente, que são produzidas especialmente ou sob medida. Isso funcionaria mais eficientemente em nível de vizinhanças, bairros, vilarejos ou cidades, de modo que é possível ter mercados ou bazares onde as pessoas podem trazer coisas como jóias, roupas, CD's, arte, substâncias especiais, remédios, cosméticos e todo tipo de coisas interessantes. As pessoas poderiam ser membros de bolos ou vendedores-viajantes, e aí entra o dinheiro. O tipo de moeda realmente não interessa, pode ser moeda local ou um dólar globalizado ou cartão de crédito, como queiram. Realmente não importa; dinheiro não é perigoso, como objeto. Eu diria que dinheiro é perigoso somente quando se permite que alguém desenvolva sua própria dinâmica num setor de necessidade, tal como fornecimento de alimentos, por exemplo.

Se tivéssemos agora atingido essas condições ecológicas, por exemplo, 20% do consumo de energia, então ainda seria possível ter alguns carros no ambiente. Num bolo, talvez ainda existiriam 20% de carros, que as pessoas poderiam alugar. Isso seria suficiente, já que se tem de dirigir apenas uma vez ou outra. Mas será dificilmente necessário dirigir, porque não haveria razão para as pessoas irem a qualquer lugar. Significa que o número de automóveis seria reduzido umas dez vezes, a indústria automotiva quase que acabaria, como também todos os bancos que a financiam. Ao mesmo tempo, a indústria petrolífera entraria em colapso e deixaria de existir. Por outro lado, a indústria de eletrodomésticos se encolheria proporcionalmente, porque, por exemplo, seria possível lavar toda a roupa em uma única lavadora do bolo, o que seria 8 vezes mais eficiente que uma máquina de lavar normal. Todo o entretenimento eletrônico que ainda existisse por aí poderia continuar, só que não seriam mais necessários tantas máquinas. Na realidade, a indústria high-tech se reduziria só em termos de consumo. Seria preciso 10 vezes menos de tudo. E então temos apenas o aspecto de onde e como produzir o restante com maior eficiência. A resposta aqui é completamente clara: subcontinentalizar. Por exemplo, caminhões seriam montados num local, digamos, no sul de Varsóvia, para todos os bolos ou cidades entre os Montes Urais e o Atlântico. E seriam produzidos apenas módulos. Módulos médios, grandes e pequenos, um motor e então em bolos ou cidades haveria montagem dos módulos para fazer o que fosse necessário. Isto já ocorre hoje no terceiro mundo. Todos os ônibus de transporte público são feitos lá. O chassis é construído lá e tudo o que se fornece é o motor e o câmbio. Já é uma tecnologia eficiente. Como funcionaria? Faria isso simplesmente com dinheiro: as pessoas pagam. Naturalmente, você poderia agora perguntar: como é possível obter dinheiro? Existe, é claro, uma única opção: ou você paga pelo produto ou tem uma quota. E preciso alguma quantidade de caminhões e então os trabalhadores, que produzem caminhões, são pagos por nós indiretamente, por meio de dinheiro ' mas, na verdade, não se precisa de muito. Pode-se obter dinheiro, caso seja necessário, se a pessoa optar por vender parte das commodities, parte da força de trabalho ou dos produtos agrícolas, em troca de dinheiro. Isto cria, automaticamente, um mercado subcontinental, se for tentado.

Quando as pessoas moram perto, existe um controle social intrínseco que não exige nenhuma imposição organizada. Seria apenas tipo: que é que você está querendo de novo? A vigilância é simplesmente muito maior. Isso é lindo, no sentido em que previne um bocado de comportamento social danoso, e é possível reduzir a força policial. Eu diria que a polícia poderia ser reduzida a um décimo de seu tamanho atual. O problema, então, seria inverso: se eu me apresento como "ibu," como uma pessoa, quanto desse controle social consigo suportar ? Isso poderia ser também um problema. O negócio é a proporção da mesclagem. Quando não há controle social, então surgem as condições do gueto; caos e anarquia -- no pior sentido ' e é necessário um policial em cada andar. Isso não é bom. Mas é preciso, da mesma maneira, ter algum espaço para que seja possível às pessoas se defenderem desse controle interno. Um aspecto de espaço é o tamanho. Se houver 500 pessoas, então é fundamental que o anonimato seja assegurado. Aí é possível fazer as coisas, os bolos podem ter várias entradas e saídas, a fim de que ninguém veja você. Em bolos menores, tal controle se converteria num pesadelo, um bolo maior seria melhor. Os bolos podem fazer contratos de bolo global. Eu posso me mudar a qualquer hora, depois de aviso, e um bolo sim, outro não, tem capacidade livre para pessoas que simplesmente queiram se tornar hóspedes, mas talvez para ficar. Posso me mudar de qualquer lugar para qualquer lugar. Isso evitaria que as pessoas ficassem muito adstritas ao controle social, porque então teriam receio de que eu me mudasse.

Quando se começa a falar em bolos, o perigo é vê-los como construções isolacionistas, um pouco como as grandes comunas dos anos 70. Mas eu gostaria de me afastar disso completamente. Para mim, pode-se dizer que os bolos são organizações eficientes de civis. Você entra com um contrato e sai da mesma forma. Talvez você traga sua riqueza consigo, mas também a leva quando sai. Não são comunas. Também, dentro, talvez haja famílias ou grupos em coletividade e pessoas sozinhas; todos têm sua própria esfera privativa. Poderiam também existir bolos onde as pessoas querem dormir em dormitórios imensos, não se poderia evitar isso ' também está OK. Mas também poderiam existir instituições monásticas. O que se precisa, naturalmente, é um contrato planetário de bolo e, para mim, 10% do espaço de moradia e alimentação, em cada bolo, seriam reservados a hóspedes para contrabalançar essa tendência isolacionista. Cada bolo tem que se abrir, de certo modo.




Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 12:59 PM


Sábado, Julho 08, 2006 :::
 
CMI: Seja a mídia!!!!!

Seattle, 1999. Cerca de cinqüenta mil pessoas ocupam as ruas da cidade e
protestam contra as políticas de liberalização da economia da Organização
Mundial do Comércio (OMC). Grupos de ação direta realizam gigantescos
bloqueios dos acessos ao local do encontro. A ¿rodada do milênio¿ é
cancelada. Era a primeira aparição midiática do movimento anti-globalização.

Durante a ¿batalha de Seattle¿, surge o modelo Independent Media Center
(www.indymedia.org), uma nova forma de organização de mídia, inaugurado para
cobrir as manifestações contra a OMC. ¿A origem do Indymedia está
completamente ligada com a história do movimento anti-globalização, é um
projeto antigo, de vários veículos alternativos, para fazer uma grande
federação¿, conta Pablo Ortellado, um dos fundadores do CMI no Brasil.
Alguns meses antes, num encontro de mídia alternativa em São Francisco, EUA,
diversos veículos resolveram se organizar para colocar o projeto em prática.

Com a difusão da tecnologia digital, o consenso era formular um site no qual
os veículos substituíssem a cobertura de competição entre si, por um
trabalho cooperativo. ¿O site seria uma espécie de banco de dados, no qual
os veículos alternativos, revistas, documentários, tv comunitária e rádio
livre pudessem subir áudio, vídeo, imagens, fotografias e textos¿, descreve
Ortellado.

Logo na estréia, em Seattle, o site cravou a marca de 1 milhão de acessos
diários. Mas o surpreendente, segundo os ativistas, é a consolidação e
durabilidade da rede global. ¿O CMI, num certo sentido, não nasceu desta
experiência (de Seattle), e sim do aprendizado dessa experiência, que era
episódica, era um site que era para nascer e morrer ali, mas aprendemos que
aquilo devia se tornar um projeto permanente¿, lembra Ortellado.

Os números impressionam. Os centros de mídia independente atingiram a marca
de 110 pontos autônomos em 35 países, com 500 a dois milhões de page-views
por dia. A maior parte dos coletivos se situam nos Estados Unidos e na
Europa.

O CMI não é um site de publicação totalmente aberta. É verdade que qualquer
pessoa pode postar textos, imagens, áudio e vídeo na página, mas a área
principal do site, a coluna do meio, passa por um processo editorial. ¿Na
medida do possível, a gente verifica os fatos, porque já aconteceu de
recebermos notícias falsas. A credibilidade é o maior desafio do CMI e a
única função importante da coluna do meio¿, explica Pablo Ortellado. Para
ele, o site é um espaço para iniciativas independentes de comunicação que
privilegiem o relato sobre o cotidiano dos oprimidos, denúncias contra
empresas e o Estado, análises sobre a mídia e os movimentos sociais, enfim,
tudo ¿com o objetivo de construir uma sociedade livre, igualitária e que
respeite o meio ambiente¿.

¿Odeia a mídia, seja a mídia¿, diz o slogan do CMI. A forma de publicação
aberta do Indymedia contribuiu para estabelecer novas fronteiras ao
jornalismo contemporâneo. Os jornalistas franceses Jean-François Fogel e
Bruno Patino, no livro recente Une Presse Sans Gutenberg (Uma imprensa sem
Gutenberg), identificaram a ruptura: ¿Na rede mundial de computadores, está
nascendo uma nova imprensa, com sua identidade, sua linguagem, seus
jornalistas apoiados por ¿parceiros' que, como eles, alimentam e editam suas
páginas informativas: os navegadores, blogueiros e internautas. Neste
contexto, o processo de destruição e de recriação que afeta a imprensa
contemporânea torna-se irreversível. Forçada a revisar sua relação com a
audiência, ela (imprensa) não está reescrevendo um novo capítulo da sua
história, mas uma outra história¿. Em São Paulo, o professor Silvio Mieli
criou o curso ¿Mediartivismo ¿ táticas para uma era pós-mídia¿ e ministra as
aulas na PUC. O programa pretende contextualizar o conceito de midiativismo
dos anos 90 e refletir a partir das táticas atuais de comunicação. ¿O
importante da emergência dos CMIs é que eles não se estabelecem como um
contra-poder, nem mesmo querem ser uma alternativa de poder midiático,
simplesmente incentivam a emergência de novas narrativas autônomas oriundas
do movimento social. Portanto, há um germe anarquista que investe muito mais
na desconstrução do poder e na criação de uma nova forma de vida
comunicacional¿, analisa. Para Mieli, a tecnologia já desempenha papel
central na luta dos midiativistas. ¿Neste eixo destacam-se não só os CMIs,
mas as campanhas pelo software livre, as discussões sobre os limites da
propriedade intelectual e a luta pelo uso adequado das tecnologias que podem
causar impacto ambiental¿.

O CMI Brasil nasceu em 2000, quando cerca de quinze pessoas resolveram se
juntar e montar um coletivo em São Paulo. ¿Por três anos, fomos muito
pequenos¿, diz Pablo Ortellado, membro deste primeiro grupo. Hoje, o CMI tem
coletivos já estruturados em Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Caxias do
Sul, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro e
Salvador. A rede se sustenta somente com doações ¿ principalmente de
trabalho. Ninguém recebe para trabalhar no CMI. Os equipamentos vêm por
doação. Existe também ajuda de grupos estrangeiros. ¿A última doação grande
que a gente teve foi para toda a rede CMI, de um grupo inglês, 10 mil
dólares¿. O compartilhamento entre variados CMIs é mais forte quando se fala
em notícias. Pablo conta um exemplo: ¿Quando em julho de 2003 houve a
ocupação de sem-teto de um terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo,
nós colocamos no CMI global. Vários CMIs traduziram, entre eles o alemão.
Depois um grupo de ativistas do país fez um ato na sede da Volkswagen em
solidariedade aos sem-teto do Brasil. Não é só troca de informação, é também
solidariedade política.¿

Em março deste ano, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto
ficaram dias acorrentados em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do
governo do Estado de São Paulo. Os militantes exigiam uma audiência com o
governador para discutir questões habitacionais. Enquanto a grande mídia não
dava destaque ao protesto, o CMI cobria o evento diariamente. ¿Foi uma
verdadeira blindagem midiática¿, como define a integrante do CMI de São
Paulo, Isadora Fernandes. O Movimento pelo Passe Livre é outro tema que,
muitas vezes deixado de lado pela mídia corporativa, costuma ganhar espaço
no CMI. Quando, em junho de 2005, Florianópolis passou pela chamada ¿Revolta
da Catraca¿, por exemplo, diversos jornais mostravam os manifestantes como
um grupo de bárbaros, deixando de noticiar a violência policial sofrida por
eles. O CMI, por sua vez, em uma ampla cobertura do protesto, mostrava o
lado dos manifestantes. Segundo os integrantes do CMI, esse é o diferencial
do veículo que criaram: dar voz aos assuntos e grupos que não têm espaço
para se colocar na grande mídia. Sempre que possível, há cobertura em
tempo real dos fatos. Enquanto voluntários do CMI ficam em frente aos
computadores, os que estão presentes no fato passam as notícias por telefone
ou internet para serem publicadas no site. Em setembro de 2005, quando
protestantes do grupo anarquista ¿Confeiteiros Sem Fronteiras¿ deram uma
¿tortada¿ em Orlando de Almeida, secretário de habitação de São Paulo e
empresário do setor imobiliário, o CMI foi o primeiro a veicular a notícia e
as fotos do acontecimento ­¿ a grande imprensa, aliás, acabou usando a
imagem do coletivo. Na esfera mundial, uma das maiores conquistas do site
foi ter conseguido, em 2002, manter um canal aberto com um grupo de
voluntários do Indymedia (site mundial do centro de mídia independente) que
se encontrava em Ramallah (Israel) durante o cerco de Israel a Palestina.
Sendo uns dos poucos representantes da imprensa dentro do cerco, os
colaboradores do Indymedia acabaram virando ¿fonte de informação¿ local. O
CMI publicou seus relatos da batalha e dados sobre o cerco e o clima na
região palestina quase em tempo real e chegou a ser citado como fonte em
algumas agências internacionais de notícias. ¿A maneira como a rede se
organiza, com coletivos em diversas cidades do Brasil e do mundo, permite
que as questões locais tenham seu espaço garantido ¿ nos sites locais,
nacionais e mundiais¿, finaliza Isadora.


Faça você mesmo. Na mesma tendência do CMI, já existem outros sites de
produção colaborativa de informação, dentro e fora do Brasil. O
radiolivre.org, parceiro do Centro de Mídia Independente, surgiu durante o
3º Fórum Social Mundial, a partir de uma reunião de coletivos de rádios
livres de vários lugares do Brasil e do mundo. O projeto partiu da idéia de
que era preciso haver mais comunicação entre as rádios e que talvez fosse
necessário organizar uma rede de troca de informações pela internet.
Qualquer um pode publicar artigos, arquivos de áudio e discutir idéias no
site.

O slashdot.org, o digg.com e o kuro5hin.org são sites em inglês de
construção colaborativa de conhecimento sobre ciência, tecnologia e cultura.
Os artigos trazem um diferencial: os leitores/colaboradores dos sites dão
notas para os textos que lêem e é isso que determina o destaque que os
artigos terão na página principal.

Um dos sites brasileiros em que os internautas assumem a tarefa de produzir
e disseminar o conhecimento é o overmundo.com.br, site de publicação aberta
sobre cultura brasileira. Segundo Alexandre Youssef, um dos idealizadores do
projeto, a página foi criada para abrigar a diversidade cultural produzida
no Brasil sem espaço para difusão. Em três meses de existência, o site já
tem mais três mil usuários cadastrados, além dos 70 colaboradores fixos.
Qualquer interessado pode participar com notícias, dicas e produtos
culturais. O Overmundo utiliza um sistema como o da Wikipedia, enciclopédia
virtual construída pelos internautas, em que se pode alterar ou complementar
textos do site. ¿Os sites de produção colaborativa de informação são o
futuro da comunicação¿, acredita Youssef. ¿Veremos cada vez mais essas
formas de organização que fogem das normas tradicionais¿.

Estive lá. Das cidades brasileira onde existem coletivos do Centro de Mídia
Independente, Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, é a menor,
com 400 mil habitantes. Como tantos outros, este CMI nasceu a partir da
vontade e da iniciativa de um grupo de amigos. A jornalista Karine Endres
estava lá:

¿Em 2003, quando decidimos criar um coletivo em Caxias do Sul, já
acompanhávamos o trabalho do CMI de Porto Alegre e da rede nacional. Eles
foram o nosso ¿coletivo¿padrinho¿, que nos acompanhou durante nossa
formação. Aqui, focamos nosso trabalho nas oficinas de comunicação ¿ por
exemplo, capacitamos repórteres populares. E levamos o CMI na rua, através
de cartazes com o conteúdo do site espalhados por lugares públicos, como
pontos de ônibus, para atingir a população mais pobre, que não tem acesso à
internet. Nosso coletivo é formado por 5 voluntários. Todos nós trabalhamos
e estudamos, e às vezes fica difícil cobrir tudo o que gostaríamos. Nos
pautamos pelas lutas do município, que normalmente não teriam espaço na
mídia nacional. Por isso enxergo o CMI não só como um trabalho voluntário,
mas também social¿.

Pérola. ¿O Centro de Mídia Independente é a ciberfonte de informação, a CNN
e o Clear Channel de quase todos os grupos periféricos de esquerdistas
lunáticos dedicados a varrer o capitalismo do mundo¿ - Michael Tremoglie,
escritor americano, no site Mídia Sem Máscara, dezembro de 2003.


Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 11:00 AM


Sexta-feira, Julho 07, 2006 :::
 
conhecimento não se compra, se compartilha!!!



O Coletivo Sabotagem voltou. Pelo menos o site, que é o que mais importa. Os membros originais foram todos pra Croatã, provavelmente pra salvarem seus rabos, o que é uma atitude compreensível, afinal de contas, quem quer ser pego?

A questão é que ficou o exemplo, apartir de agora todos nós somos do Coletivo Sabotagem e é isso que importa.

Divulguem ao máximo essa porra de link. Se você tem um blog, linke os cara!!!!

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 11:58 AM


Quinta-feira, Julho 06, 2006 :::
 
Este texto é o primeiro capítulo de um livro sensacional, que assim como o Manual Prático de Delinquencia Juvenil, deveria circular amplamente pelo underground. O título é Revide! e se alguém se interessar é só entrar em contato comigo que eu envio o arquivo. O autor? Ah, quem se importa com o autor? O autor que se foda!


O que chamamos de realidade é na verdade uma descrição, uma construção da linguagem e da percepção.

Quero dizer, a realidade não é constituída de partículas atômicas e sim construída a partir da linguagem e das percepções. Todas evidências científicas tratam-se na verdade da percepção das manifestações da dinâmica da realidade. Essas evidências traduzidas e articuladas numa linguagem constróem uma descrição, que acaba sendo tida como realidade em si. Quer dizer, a realidade é apenas descrita como constituída de partículas.

Perceber e traduzir a realidade de seu silêncio para uma linguagem é criá-la. A dinâmica da realidade até possui alguns padrões de comportamento, esses sim bem estudados pelos físicos, mas ela, a realidade, é e sempre será uma desconhecida do intelecto. Uma figura do zen budismo trata a realidade como a lua, enquanto suas manifestações são como o reflexo desta lua na água. Enxergar este reflexo nos permite saber que a lua existe, mas não significa vê-la de fato.

Essa diferença ¿ realidade versus descrição de realidade ¿ pode parecer insignificante e óbvia, mas quase nunca é levada em consideração no momento de afirmarmos que algo é ou não real. Essa diferença nos leva a perceber que nossa comunicação via signos é extremamente limitada e a realidade é bem mais ampla do que nosso intelecto pode conceber.

Existem muitas e muitas descrições de realidade, assim como existem muitas e muitas maneiras de ver e interpretá-la.

As percepções que formam o conhecimento acerca da realidade dos indivíduos podem ser despertadas por duas maneiras: impressão e condicionamento: Impressão é a percepção da coisa em si. É aprender que não se deve colocar a mão no fogo porque o fogo queima. Esta é a mais sublime forma de aprender em contraposição ao condicionamento, que é um conhecimento burro. Aquilo que é compreendido por condicionamento não tem as percepções orbitando em torno do tema central do conhecimento e sim dos mecanismos de ato e recompensa. É aprender que não se deve colocar a mão no fogo, não porque ele queima, mas porque fulano falou. Aprendizado por condicionamento é uma maneira baixa e rude de aprender. É a maneira dos cães adestrados, dos ratos de laboratório. É o aprendizado dos submissos, dos idólatras, dos macacos imitadores.

Percepção é liberdade, condicionamento é imposição. E por aí, muito se fala de que só aprendemos por imitação. Pois discordo. Aprendemos por percepção, seja do tema do aprendizado em si (impressão), ou dos mecanismos de ato x recompensa (condicionamento).

Como o leitor deve ter imaginado, essa maneira de aprender, por condicionamento, é a mais comum na sociedade em que vivemos, onde temos escolas que incentivam a sempre saber do já sabido, bitolar em livros e idéias pré-concebidas ao invés de incentivar a impressão, o despertar do conhecimento incubado. Essa sociedade forma aleijados da cabeça, que não conseguem pensar sem muletas conceituais.

A necessidade humana de viver em grupos (já que assim aumentamos nossas chances de sobrevivência ante a natureza maravilhosa e cruel da qual fazemos parte), torna necessária a existência de realidades consensuais, isso é, percepções, significados e valores compartilhados por um bando.

Por um lado podemos até pensar que o que acontece é que os fatos são percebidos pelos indivíduos e estes formam realidades individuais que, movidas pela necessidade da sobrevivência de seu portador (o indivíduo), somam-se às realidades de seus semelhantes e desta maneira são formadas as realidades consensuais, ou sociedades. Por outro lado, o que parece na prática é que são as realidades consensuais que modelam e determinam as realidades individuais, influenciando os indivíduos em todo seu crescimento e processo de aquisição cultural, que na maioria das vezes trata-se de uma imposição, um condicionamento.

Mas no final das contas o que de fato acontece não é nem indivíduos que formam sociedades e nem sociedades que formam indivíduos, mas as duas coisas, em tempos diferentes. Quero dizer, se num primeiro momento uma realidade consensual é formada a partir de realidades individuais, quando esta realidade consensual está estabelecida e estável, ela passa a formar realidades individuais, e para uma realidade individual sobreviver num estágio como este ela deve ser mais ampla que a realidade consensual, para poder contê-la em si. Quero dizer, a realidade individual deve ser maior que a realidade consensual, de maneira que esta última seja apenas uma sub-realidade necessária à sobrevivência.

Neste ponto pode-se dizer ainda que ideologias ¿ que é como chamarei as descrições de realidade a partir de agora ¿ não se excluem mutuamente, isso é: não é porque um indivíduo enxerga sob a ótica de uma ideologia que não pode enxergar sob a ótica de outra também. Na verdade temos muitas camadas de ideologias que se interpenetram e formam algo que até arrisco em chamar de consciência. O indivíduo não é produto da coletividade, nem a coletividade é produto do indivíduo. Ambos se constróem, cada um a seu modo.

* * *

Foi definido que:

1) realidade é descrição;
2) existem muitas e muitas descrições de realidade;
3) realidades consensuais nascem a partir da necessidade humana de sobrevivência.

Agora, com isso fundamentado, falarei de dominação:

Para falar sobre dominação é necessário fazer uma distinção entre termos: enquanto defino poder como a capacidade natural que temos de realizar uma vontade, considero a dominação como o poder exercido sobre algum meio. Acontece que num nível social, a dominação gera ressentimento, gera divisões, classes, e numa sociedade dividida entre classes dominantes e classes dominadas é muito difícil de haver paz.

Outra distinção que pode esclarecer o que quero dizer é entre sociedade e Estado: sociedade é uma realidade consensual, uma organização de bando para fins de sobrevivência de seus indivíduos. Estado, por outro lado, é o domínio de um ou poucos indivíduos sobre uma sociedade. Quer dizer, sociedade não envolve idéias de dominação, mas Estado sim.

propósito

Existe uma ideologia desgraçada aí fora. Uma ideologia que prende os indivíduos às formas que já existem e os impede de realizar seus verdadeiros potenciais. Uma ideologia cheia de discursos e valores malignos, cheia de ídolos e estereótipos com que as pessoas devem se identificar para ser alguma coisa. E segundo essa ideologia, deve-se sempre ser alguma coisa e estar sob um rótulo ou classificação que não represente ameaça para a ordem vigente.

Essa ideologia, além de endeusar a grana e degradar a natureza, é altamente defensiva e reprime tudo aquilo que possa ameaçar sua integridade; ela têm uma série de discursos aparentemente atraentes, cuja essência é causa de muito sofrimento aos seres; e com o advento da mídia de massas, tais discursos puderam tornar-se ainda mais pegajosos e populares, complicando assim a vida daqueles que não se satisfazem com as ilusões que esse sistema tem a oferecer.

Essa ideologia pertence a ordem vigente, sob o domínio de gente muito ruim que não se importa em causar sofrimento nem à própria mãe se isso ameaçar seu poder. Dizem que é o próprio Satanás o senhor desta ordem.

Este sistema, através da mídia de massas, vive a criar e modificar a realidade de acordo com seus interesses. Com seu forte apelo estético, além de produzir uma geração vaidosa, egoísta, desespiritualizada e acomodada, manipula os significados de tudo aquilo que represente ameaça. Mas, é claro, isso não é uma condição obrigatória. Esse sistema só cria a realidade daqueles que compartilham de sua ideologia, mas atualmente, com a abundância de informações, é bem possível desvincular-se desta ideologia e iniciar uma verdadeira subversão de valores, desde que se saiba direcionar a atenção para aquilo que é realmente importante.

Sendo assim, o propósito deste trabalho é oferecer informações relevantes para uma mudança de perspectiva quanto a vida e a realidade. É fortalecer a noção de que apesar de uma modificação nas estruturas da sociedade ser necessária, é urgente que se faça uma mudança de mentalidade entre os indivíduos, principalmente aqueles que se dizem insatisfeitos com o sistema e têm a pretensão de mudá-lo. Pelo que vejo, antes de acontecer uma revolução material, é necessária uma revolução intelectual. É necessário que se aprenda a perceber ao invés de imitar.

estilo

Este trabalho, assim como outros que já produzi ou estou produzindo, possui um estilo fragmentado, aparentemente desorganizado, cheio de bifurcações. Essa carecterística caótica se deve em primeiro lugar ao fato de que não me limito numa única maneira de escrever e nem permaneço focado em um único assunto, e em segundo lugar ao fato de que o caos transcende contradições, não defende teses e prefere o andar cambaleante dos bêbados ao andar rígido dos executivos.

Quer dizer... na verdade isso tudo é apenas uma descupa para justificar uma deficiência literária, uma falta de habilidade com as palavras. Mas deixa pra lá. Isso não importa. O que importa é que, como Nietzche, quero tentar dizer em poucas frases o que sempre tentou-se dizer em muitos livros. Se vou conseguir eu não sei. Na verdade nem me importo.

ao leitor confuso

Muitas das coisas que falei podem não pertencer ao repertório do leitor, o que torna a leitura difícil, cheia de idéias desconhecidas. Se o leitor não entendeu nada do que quis dizer, peço um pouco de paciência. Não escrevo, gaguejo. Peço que me ouça um pouco mais e tentarei me explicar, conforme vou desenvolvendo este trabalho.

Caso o leitor queira se aprofundar nos temas aqui discutidos, procure conhecer o trabalho do biólogo Humberto Maturana, e das descobertas novas da física, linguística e toda rede intelectual que se forma a partir da física quântica, relativista e as ciências do caos. Foucalt também pode ser uma leitura nutritiva. Pesquise. Existem muitas redes intelectuais nos bastidores da realidade.


Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 10:27 AM


 
Catedral Cor De Rosa

Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by ARI ALMEIDA at 9:41 AM




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